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Terça-feira, Outubro 4, 2022

“Perlak” – Outros festivais… em San Sebastián

José M. Bastos
José M. Bastos
Crítico de cinema

70º FESTIVAL INTERNACIONAL DE CINEMA DE SAN SEBASTIÁN

A secção “Perlak” (em castelhano, “Perlas”; em português, “Pérolas”), é muito procurada pelos participantes no festival. Nela podem ser vistos filmes que estiveram presentes (e em muitos casos foram premiados) nos principais festivais de cinema. Os filmes desta secção são candidatos ao Prémio do Público. Não há, por isso, um júri. São os espectadores que votam.

François Ozon e Rainer W. Fassbinder na abertura. Brett Moorgen e David Bowie no encerramento

Para a sessão de abertura de “Perlak” foi programado ‘Peter von Kant’ de François Ozon, obra que esteve na secção oficial do Festival de Berlim. Do realizador francês, presença frequente em San Sebastián onde já foi premiado com ‘Le Refuge ’ (2009), ‘Dans la Maison’ (2012), ‘Jeune et Jolie’ (2013) e ‘Une nouvelle amie’ (2014), vimos no ano passado a “pérola” ‘Tout cést bien passé’ (passou em Portugal com o título ‘Correu Tudo Bem’), uma abordagem bela, corajosa e por vezes divertida das questões relacionadas com a eutanásia. Desta vez Ozon traz-nos a sua versão de “As Lágrimas Amargas de Petra von Kant”, célebre filme de 1972 de Rainer Werner Fassbinder. Só que mudou o género da figura central da trama: Petra passou a ser Peter. Ozon tem destas ousadias.

No encerramento teremos “Moonage Daydream”, documentário de Brett Morgen, vindo da secção ‘L’Oeil d’Or’ do Festival de Cannes e que já pode ser visto em Portugal. De acordo com a produção, “uma odisseia cinemática” sobre  o universo criativo e musical de David Bowie, figura incontornável das artes do espectáculo no último meio século.

As restantes ‘pérolas’ que podem ser vistas em San Sebastián durante estes dias são:

  • “Argentina, 1985” de Santiago Mitre / Argentina-EUA,  da secção oficial do recentíssimo Festival de Veneza;
  • “As Bestas” de Rodrigo Sorogoyen / Espanha-França;
  • “Bardo, Falsa crónica de unas cuantas verdades” de Alejandro G. Iñarritu / México, da secção oficial do Festival de Veneza;
  • “Broker” de Irokazu Koreeda / Coreia do Sul, da secção oficial do Festival de Cannes onde conquistou o Prémio para o melhor actor e o Prémio do Júri Ecuménico;
  • “Corsage” de Marie Kreutzer / Áustria-França-Alemanha- Luxembrurgo, vencedor do prémio de interpretação da secção ‘Un certain regard’ do Festival de Cannes;
  • “Don’t worry, darling” de Olivia Wilde  / EUA;
  • “En los márgenes” de Juan Diego Botto / Espanha-Bélgica, candidato ao pémio ‘Orizzonti’ do Festival de Veneza e  estreia na realização do actor argentino-espanhol;
  • “L’ Innocent” de Louis Garrel / França;
  • “Living” de Oliver Hermanus / Reino Unido, ‘remake de “Ikiri” filme escrito e realizado em 1952 por Akira Kurosawa;
  • “Los renglones torcidos de Dios” de Oriol Paulo / Espanha;
  • “R.M.N.” de Cristian Mungiu / Roménia, França Bélgica,  da secção oficial do Festival de Cannes;
  • “Tori et Lokita” de Jean-Pierre Dardenne e Luc Dardenne / Bélgica- França, da secção oficial do Festival de Cannes onde conquistou o prémio do 75º aniversário do festival;
  • “Triangle of Sadness” de Ruben Östlund / Suécia, ‘Palma de Ouro’ do Festival de Cannes;
  • “Un Año, Una Noche” de Isaki Lacuesta / Espanha- França, da secção oficial do Festival de Berlim onde conquistou o Prémio do Júri Ecuménico; e
  • “Un Beau Matin” de Mia Hansen-Love / França, premiado no Festival de Cannes.

 

Grande Prémio FIPRESCI para “Drive my car”

“Drive my car” de Ryusuke Hamaguchi, baseado na obra de Murakami, passou na secção ‘Perlak’ em 2020. Entre os muitos prémios que foi arrecadando conquistou o ‘Oscar’ para o melhor filme internacional.

Voltou agora a San Sebastián a propósito da entrega ao cineasta japonês do Grande Prémio FIPRESCI (da Federação Internacional da Imprensa Cinematográfica).

“Drive my car” foi escolhido entre cinco finalistas. Os outros quatro foram  “Licorice Pizza”, de Paul Thomas Anderson, “O Poder do Cão” de Jane Campion,  “A Pior Pessoa do Mundo” de Joachim Trier, todos já exibidos comercialmente em Portugal e “Triangle of Sadness” de Ruben Östlund, ‘Palma de Ouro’ no Festival de Cannes 2022, a ver agora na secção ‘Perlak’ como atrás foi referido. A propósito de “Triangle of Sadness” refira-se que a protagonista, a sul-africana Charlbi Dean, morreu há poucas semanas com 32 anos.

 

Em ‘Zabaltegi / Tabakalera’ também há Cannes, Veneza, Berlim e Vila do Conde

‘Zabaltegi /Tabakalera’, a mais antiga secção paralela do certame, e seguramente a mais livre e aberta já que nela cabe tudo –  ficção e documentário, curtas e longas, autores consagrados e outros desconhecidos – apresenta este ano os seguintes títulos:

  • “La Montagne”,  de Thomas Salvador / França prémio SADC da ‘Quinzena dos Realizadores’ de Cannes;
  • “Las criaturas que se derriten bajo el sol ” de Diego Céspedes /Chile, França, curta-metragem que competiu nos Festivais de Cannes e Toronto;
  • “Trenque Lauquen” de Laura Citarella /Argentina, Alemanha,  presente na secção ‘Orizzonti’ do Festival de Veneza;
  • “A Human Position” de Anders Emblem / Noruega, Grande Prémio do Festival de Jeonju (Coreia do Sul);
  • “Amigas en un camino de campo” de Santiago Loza / Argentina;
  • “Blank Narcisus / Passion of the Swamp” de Peter Strickland/ Reino Unido, Austrália, curta metragem experimental / video-arte;
  • “Carta a mi madre para mi hijo” de Carla Simón / Espanha, curta-metragem da vencedora do ‘Urso de Ouro’ de Berlim, com “Alcarràs”, filme em exibição em Portugal;
  • “Cerdita” de Carlota Pereda / Espanha, França, presente nos festivais de Buenos Aires e Cleveland;
  • “Cuerdas” de Estibaliz Urresola/ Espanha, curta-metragem presente no Festival de Cannes;
  • “Diarios” de Andrés di Tella / Argentina, retalhos da vida do autor, documentarista argentino;
  • “El Agua” de Elena López Riera / Espanha, competiu pela ‘Câmara de Ouro’ no Festival de Cannes;
  • “Godland” de Hlynur Pálmason / Dinamarca, Islândia, França, Suécia. O membro do júri oficial deste San Sebastián/2022 competiu com este filme na secção ‘Un Certain Regard’ de Cannes;
  • “Heartbeat” de Lee Changdong / Coreia do  Sul , curta-metragem;
  • “El Tercer Cuaderno” de Lur Olaizola / Espanha, curta-metragem;
  • “Manto de Gemas” de Natalia López Gallardo / México, Argentina, Prémio do Júri do Festival de Berlim;
  • “Meet me in the bathroom” de Dylan Southern e Will Lovelace / Reino Unido, esteve na edição deste ano do IndieLisboa;
  • “Mutzenbacher” de Ruth Beckermann / Áustria. Premiado na secção ‘Encounters’ do Festival de Berlim;
  • “Naname no Rouka” de Takayuki Fukata / Japão;
  • “Nest” de Hlynur Pálmason / Dinamarca, Islândia, vencedor da competição internacional no Curtas de Vila do Conde;
  • “Nowhere to go but Everywhere “ de Erik Shirai e Masako Tsumura / Japão;
  • “Piaffe” de Ann Oren / Alemanha, premiado no Festival de Locarno;
  • “A Short  Story” de  Bi Gan / China
  • “ Unrest” de Cyril Schaubun / Suíça, melhor  realizador da secção “Encounters” do Festival de Berlim.

 

O júri da secção “Zabaltegi / Tabakalera” é constituído pela argentina Albertina Carri, realizadora, produtora e guionista, pela croata Vanja Kaludjercic, directora do Festival de Roterdão e pelo produtor e realizador espanhol Manuel Calvo.

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