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Terça-feira, Maio 28, 2024

Prémios Donostia: Ricardo Darín, Agnès Varda e Monica Bellucci

José M. Bastos
José M. Bastos
Crítico de cinema

Criado em 1986 o ‘Prémio Donostia’ é o galardão de carreira atribuído pelo festival basco. Inicialmente, só havia um ‘Donostia’ em cada festival, mas com o correr do tempo os hábitos foram mudando. Este ano são três.Por isso a lista dos homenageados, iniciada com Gregory Peck, Glenn Ford, Vittorio Gassman e Bette Davis, vai agora ultrapassar as seis dezenas de nomes, entre os quais estão, obviamente, muitos dos maiores realizadores e intérpretes das últimas décadas.

Ricardo Darín

Ricardo Darín, em “El secreto de sus ojos”

Desta vez, e em consonância com o destaque que o festival atribui ao cinema latino-americano, um dos premiados foi Ricardo Darín, nome cimeiro da representação argentina (e não só). Com uma carreira iniciada em 1979, Darín tem na sua filmografia títulos como “Nueve reinas” (2000), “El hijo de la novia” (nomeado para o Oscar) e “El secreto de sus ojos”, Oscar para o melhor filme estrangeiro em 2009.

“Truman” e “Relatos Selvagens” são dois dos seus trabalhos mais recentes. Darín vai agora participar no novo filme do iraniano Asghar Farhadi juntando-se a Javier Bardem e Penélope Cruz.

Actor de televisão, cinema e teatro, membro do Júri Oficial do ‘Zinemaldia’ em 2012 e vencedor do prémio de melhor actor em 2013 com “Truman”, Darín juntou agora o “Donostia” às mais de duas dezenas de distinções que já recebeu ao longo da sua carreira.

Agnès Varda

Agnès Varda, em “Les glaneurs et la glaneuse / Os Respigadores e a Respigadora”

Mudada para França em 1940, em plena 2ª Guerra Mundial, Agnès Varda nasceu na Bélgica em 1928 mas veio a converter-se num dos nomes fulcrais do cinema francês. Com estudos na área da fotografia (foi fotógrafa da companhia de teatro de Jean Villar e do Théâtre National Populaire) fez reportagens na China e em Cuba e ingressou no mundo do cinema sem nenhuma formação específica.

Criou a sua própria produtora, Ciné-Tamaris, e em 1955 realizou a sua primeira longa-metragem “La Pointe-Courte”, que lhe conferiria a alcunha de “Avó da Nouvelle Vague”.

Casada com o realizador Jacques Demy (falecido en 1990), Agnès Varda tem como títulos mais conhecidos “Cléo de 5 à 7” (1962) , “Le bonheur” (1965) – Urso de Prata no Festival de Berlim, “Sans toit ni loi”  (1985) – Leão de Ouro no Festival de Veneza, “Jacquot de Nantes” (1991), “Les glaneurs et la glaneuse / Os Respigadores e a Respigadora” (2000) – prémio Gold Hugo no Festival de Chicago e  “Les plages d’Agnès” (2008), autobiografia poética que lhe valeu o César para o Melhor Documentário. Entre 2010 e 2011 escreveu e dirigiu a série documental “Agnès de ci de là Varda” (5 episódios de 45 minutos), registo de viagens e encontros com artistas de vários países.

O seu trabalho mais recente “Visages, Villages” foi apresentado no Festival de Cannes deste ano e agora em San Sebastián.

Artista visual

De notar que  em 2003 Agnès Varda começou a sua terceira carreira: a de artista visual. As suas instalações têm vindo a ser mostradas na Bienal de Veneza, mas também em Lyon, Gand, Basileia, Bruxelas, Paris, Pequim, …

Em 2014 recebeu o ‘Leopardo de Honra’ do Festival de Locarno e em 2015 a ‘Palma de Ouro de Honra’ do Festival de Cannes.

Ao Prémio Donostia da presente edição de San Sebastián seguir-se-à o Oscar Honorífico que Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood lhe entregará no próximo mês de Novembro.

Monica Bellucci

Monica Bellucci, em “Na Via Láctea”

Monica Bellucci é, na nossa opinião (muito pessoal e com certeza muito minoritária), a personalidade de carreira menos relevante entre os três homenageados deste ano, mas seguramente a mais mediática e com mais fotógrafos a correr atrás de si.

Nascida em Itália em 1964,  a agora ‘lisboeta’, foi estudante de Direito e modelo e começou a sua carreira no cinema com Dino Risi em 1990. Depois de em 1991 Francis Ford Coppola lhe ter oferecido um papel em “Dracula de Bram Stoker” em 1996 mudou-se para França.

Aí, os seus trabalhos mais conhecidos são em: “Lisa en L’Appartement” de Gilles Mimouni, “Dobermann” de Jan Kounen e o controverso (pelo conteúdo e pela forma) “Irreversible” de Gaspar Noé.

Nos Estados Unidos trabalhou para Stephen Hopkins em “Under Suspicion”,  para Antoine Fuqua em “Tears of the Sun” e em  “Matrix Reloaded” e “Matrix Revolutions”. Em 2004 Mel Gibson entregou-lhe o papel de María Madalena en “The Passion of the Christ”.

Nos últimos anos tem trabalhado com realizadores como Bertrand Blier, Terry Gilliam, Spike Lee, Paolo Virzi, ou Philippe Garrel.

Em 2015 foi ‘girl-Bond’ ao lado de Daniel Craig em “Spectre” de Sam Mendes e em 2012 esteve em San Sebastián com “Na Via Láctea” de Emir Kusturica.

 

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