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Terça-feira, Outubro 26, 2021

Primárias nos EUA: Trump perdeu no Iowa, Clinton e Sanders empatados

Eleições nos EUA

A corrida para chegar a candidato presidencial dos EUA pelo Partido Republicano começou no estado de Iowa, com as sondagens a indicar uma disputa renhida entre os mais destacados opositores dos dois partidos. Enquanto, do lado dos Republicanos, o senador Ted Cruz venceu com 27,7% dos votos, derrotando o milionário Donald Trump, no campo dos democratas, o senador do Vermont, Bernie Sanders empatou com a antiga primeira-dama e secretária de Estado Hillary Clinton, permitindo a ambos clamarem vitória. O chamado “estado mais branco dos EUA”, o caucus do Iowa (espécie de assembleia popular) marca o arranque do processo eleitoral, que culminará a 8 de Novembro de 2016, quando os norte-americanos são chamados a escolher o próximo presidente do país. Até agora, os eleitores foram alvo das visitas dos candidatos e de marketing político, cujo custo ronda os 150 milhões de dólares, de acordo com o site democracynow.org.

Ted CruzTed Cruz declarou aos media que “o Iowa faz saber que o candidato republicano não será escolhido pelos ‘media’, pelos poderes estabelecidos de Washington ou pelos ‘lobbies’. Vai ser escolhido pela força mais poderosa, o povo americano”. Por sua vez, a ex-primeira-dama diz-se “entusiasmada por continuar a debater com o senador Sanders sobre a melhor forma de prosseguirmos a luta pelo que é melhor para nós e para o país”. Já o veterano senador frisou: “o povo do Iowa enviou uma profunda mensagem aos poderes político, económico e mediático: é já tarde demais para os poderes instalados”.

donald trumpO estado do Iowa, localizado na região centro-oeste dos EUA, cuja capital é Des Moines e com uma população de mais de três milhões de habitantes, tem um caucus diferente de uma eleição primária presidencial normal: os membros do partido reúnem-se em debates sobre os seus candidatos preferidos antes das sondagens serem divulgadas; tais debates podem ser em habitações, igrejas, ginásios, bibliotecas, e até tabernas. A renhida disputa em ambos os partidos por dois destacados candidatos (Ted Cruz contra Donald Trump, nos Republicanos, e Hillary Clinton contra Bernie Sanders nos Democratas) reflectiu-se nos discursos dos candidatos nos comícios finais. A antiga primeira-dama dos EUA falou aos seus apoiantes do Iowa, no passado domingo: “É verdade, quando forem ao caucus amanhã não só estão a escolher o novo presidente, mas também o novo comandante-em-chefe”. Bernie Sanders lembrou que “quando começámos esta campanha estávamos a 50 pontos de distância de Hillary Clinton. Hoje, como indicaram, estamos taco-a-taco. Acho que temos uma chance de ganhar isto, se houver uma grande mudança na votação. E não só nos jovens, também nos trabalhadores, nas pessoas da classe média, que estão fartas do status quo político”.

Bernie SandersAntes das eleições, Ed Fallon, locutor de rádio do Iowa, e Wayne Ford, fundador da organização The Iowa Brown and Black Presidential Forum, analisaram a recta final da campanha. Ford, assumido apoiante de Clinton que se mostrou orgulhoso pela elevada afluência às urnas, afirmou que estando no Midwest, o Iowa enfrenta vários desafios no que toca à questão racial, e que no campo da justiça criminal ainda não existe a calma que a população desejaria. Ao site democracynow.org, o representante chega a dizer que jovens negros de Des Moines lhe confessaram: “tenho um problema de terrorismo no meu bairro, não preciso de ir para o estrangeiro, tenho medo de atravessar a rua”. E prossegue: “temos um dos maiores índices de homens negros detidos no país e enfrentamos vários desafios. Hillary disse que esta será a sua primeira medida: a reforma da justiça criminal, assim que chegar à Casa Branca”.

Hillary ClintonPor sua vez, o comentador de rádio Ed Fallon defendeu que o estado do Iowa é mais diversificado do que parece, e que apesar de ser mais citadino, os problemas rurais continuam a ser importantes. A questão das alterações climáticas, prossegue o radialista, tem vindo a despertar mais a atenção dos habitantes; surgiram organizações sem fins lucrativos que visam o problema, onde o candidato Sanders surge como o melhor para liderar a transformação económica urgente que é precisa, para combater o fenómeno climático. Outra das questões que faz o radialista defender Bernie Sanders é na questão da construção de uma nova pipeline através do estado, para fornecimento de petróleo. O pré-candidato democrata à Casa Branca opõe-se de forma clara e assumida à construção de tal estrutura, tanto em discursos como em panfletos (do lado dos Republicanos, o único a falar sobre o assunto é Rand Paul); essa frontalidade, prossegue Ed Fallon, é importante para o debate, uma vez que essa pipeline levanta problemas no que respeita a direitos de terras, ao ambiente e à qualidade da água.

Se por um lado, Wayne Ford defende a experiência de Hilary Clinton como um dos principais factores para ser escolhida como candidata democrata à Casa Branca, por outro lado, Ed Fallon salienta o combate às desigualdades sociais e o discurso pró-ambiente de Bernie Sanders.

Depois do caucus do Iowa e de New Hampshire, segue-se a chamada Super Terça-Feira, a 1 de Março: vinte e quatro Estados norte-americanos vão a eleições primárias, sendo que destes, a Califórnia, Nova York, Illinois e Nova Jersey são os mais importantes, uma vez que elegem muitos delegados, o que pode ser decisivo para quem quer ser candidato à Casa Branca. Oficialmente, os candidatos indicados por cada partido são anunciados na altura na convenção nacional de cada um, mas na prática, podem ser conhecidos no final da Primavera.

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