Diário
Director

Independente
João de Sousa

Domingo, Outubro 17, 2021

A Irmã

Dela conheço só fotografias, ouço recordações e estórias, e de tanto sobre ela ouvir falar, parece que desde sempre a conheço e com ela convivi. Aprendi a amá-la, ou melhor, sempre a amei, mesmo antes de ouvir falar dela.

Por ela tenho um sentimento de pertença tal, que hoje, passados tantos anos, é como se tudo tivesse acontecido no presente momento, à frente dos meus olhos, da minha dor incomensurável. A ponto de não haver dia algum em que não pense nela e não anseie tê-la nos meus braços e num abraço envolvê-la com a maior das comoções e o maior dos amores. Vivo com ela e por ela. Sinto-a a cada instante da minha existência. E quando calo a dor de a ter perdido para o outro plano, é para calar a dor que sinto em mim, vívida desde o segundo em que ela se foi. Quanta amargura. Quanta saudade. Perdê-la foi ter perdido tudo. Sobrevivo apenas. Quem só perdeu um ser amado em tão tenra idade consegue imaginar o padecimento, a mágoa e o sofrimento que a realidade sem fim carrega. A realidade de uma vida ceifada arrastando consigo todas as outras vidas marcadas indelevelmente por essa morte.

Vítima de dois seres sinistros e funestos, ainda conseguiram criar uma lenda à volta da sua morte, elas, as causadoras diretas da sua morte prematura. Duas beatas malévolas e nefandas, conseguiram mesmo assim viver toda uma vida sem pesar algum pela morte provocada, pelos seus progenitores e pelos restantes membros da família à qual elas desgraçadamente pertenciam. Dou por mim a pensar em quais famílias haverá dramas assim como este, tão brutal e tão violento. Penso que em muito poucas, mesmo que em muitos aspetos todas se assemelhem, e citando Tolstoi, em Anna Karénina, logo na primeira frase: “Todas as famílias felizes se parecem umas com as outras, cada família infeliz é infeliz à sua maneira.”. O que significa que os momentos felizes são semelhantes em todos os que os experimentam, enquanto cada um é infeliz à sua maneira. Haverá, no entanto, gradações da infelicidade e nesta família ela foi de expoente máximo.

E quando se pensava que todo o infortúnio já haviam provocado, e se pensava serem incapazes de mais danos, eis que vão ainda mais longe. Como se a consumação de todo o mal ainda não houvesse terminado. Enquanto isso, vale e resta a espera na perseverança inabalável da certeza que virá. Certeza essa que colocará tudo e todos no seu devido lugar, no tempo e no espaço, no progresso e na realização, em todos os recônditos da Vida Cósmica, ajustada às Leis de Deus.


Por opção do autor, este artigo respeita o AO90



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