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Quinta-feira, Dezembro 1, 2022

Refugiados tentam sobreviver ao frio

A enfermeira Slagjana Perchinkovska transporta ao colo o pequeno Iliyas que nasceu no campo de refugiados da Macedónia
A enfermeira Slagjana Perchinkovska transporta ao colo o pequeno Iliyas que nasceu no campo de refugiados da Macedónia

Este é o relato da Amnistia Internacional (AI) que denuncia também: “homens, mulheres e crianças tentam aquecer-se o mais possível para sobreviver às temperaturas negativas do inverno europeu”.

A secção portuguesa da AI pede assim à Europa para não deixar os refugiados “morrer de frio” e convida todos os cidadãos, através de uma petição que consta na sua página da internet, que ajudem a difundir a mensagem. Estas pessoas “estão reféns do acordo entre a Turquia e a União Europeia (UE) que prevê que por cada refugiado sírio reinstalado na UE, outro seja devolvido à Turquia a partir da Grécia”.

Dirigido ao presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, e ao primeiro-ministro português, António Costa, o apelo considera “inaceitável” que os refugiados “sejam reféns de políticas europeias disfuncionais e que estejam a tentar sobreviver em tendas cobertas de neve enquanto enfrentam temperaturas negativas”. “Este não é o tratamento que deveriam receber de sociedades cujos valores fundadores assentam na liberdade, democracia e respeito pelos direitos humanos”, acrescenta.

No texto da petição pode ler-se ainda:

“A UE o Governo português devem agir de acordo com estes valores e trabalhar para relocalizar estes refugiados noutros países europeus, em vez de tentar manter um acordo que já condenou milhares de pessoas a uma miséria insuportável. “

Para os activistas da Amnistia, “nenhuma pessoa em busca de segurança devia correr risco da morte”. “Os refugiados estão a fugir de bombardeamentos e da perseguição e acreditam que os outros países irão respeitar os seus direitos humanos e que lhes oferecerão um lugar seguro. Temos que provar que não estão errados!”, destacam.

Rapariga Síria no campo de refugiados de Tabanovce, no norte da Macedónia
Rapariga Síria no campo de refugiados de Tabanovce, no norte da Macedónia.

50 milhões de crianças deslocadas

O Inverno rigoroso não atinge apenas a Grécia, mas está a afectar todas as regiões Centro, Leste e Sul da Europa. Sem sinais de abrandamento do frio extremo e das tempestades negativas, os alertas chegam também de outras organizações internacionais. Em comunicado divulgado esta semana, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) chama a atenção para os riscos de morte por hipotermia que as crianças refugiadas e migrantes estão a enfrentar.

Na Grécia e nos Balcãs, cerca de 23.700 crianças refugiadas e migrantes – entre as quais crianças pequenas e recém-nascidos, maioritariamente oriundos da Síria, do Iraque e do Afeganistão – continuam retidas, assegura a Unicef, denunciando que muitas estão em abrigos mal equipados para as temperaturas gélidas do Inverno.

A Unicef continua a apelar para que os refugiados e migrantes que estão actualmente em campos sobrelotados, abrigados em tendas precárias nas ilhas gregas, onde nos últimos dias houve fortes nevões, sejam transferidos para instalações mais adequadas e seguras no continente.

“Sem abrigos adequados e roupa quente, as crianças pequenas estão verdadeiramente em perigo devido às duras condições atmosféricas”

afirmou Basil Rodrigues, consultor da Unicef para a Saúde na Europa Central e de Leste

“Os bebés e as crianças mais pequenas têm geralmente menos massa gorda para os proteger do frio, o que os torna mais susceptíveis a problemas respiratórios e infecções virais e bacterianas que podem ser mortais como a pneumonia e a gripe”, acrescentou.

“Para além do tempo frio, os riscos para a saúde destas crianças são também consequência da sua condição de refugiadas e migrantes, vítimas de incerteza e de entraves no processamento dos seus pedidos de asilo”, criticou ainda Basil Rodrigues.

Segundo a Unicef, o apoio prestado pela agência na protecção contra as temperaturas negativas em países como a Croácia, Sérvia, Eslovénia, Bulgária, ou na antiga República Jugoslava da Macedónia, tem sido fundamental para ”mulheres e crianças manterem-se quentes”.

Estima-se que pelo menos 50 milhões de crianças em todo o mundo estão “deslocadas”, após terem abandonado os seus lares em consequência de guerras, violência, perseguições, ou extrema pobreza. Em 2015, mais de 100 mil menores desacompanhados pediram asilo em 78 países, três vezes mais do que em 2014.

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