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João de Sousa

Quinta-feira, Dezembro 1, 2022

Salmão de viveiro – O alimento mais tóxico do mundo

salmao_cancro_1

O documentário, que resultou da investigação do jornalista Nicholas Daniel, mostra os meandros assustadores e mesmo criminosos da indústria da aquicultura revelando alguns segredos da produção do peixe.

São vários os testemunhos recolhidos. Neles, cientistas confirmam, por exemplo, que o salmão de viveiro é o alimento mais tóxico do mundo. Na Noruega, Vietname ou Suécia, o peixe tornou-se uma indústria com enormes fábricas de alta tecnologia, onde são usadas toneladas de produtos químicos para alimentar milhões de peixes. Por exemplo, cerca de 50% do bacalhau nasce com deficiências genéticas.

Hoje em dia o peixe não é um alimento saudável

Salmão com cancro

À medida que muitas espécies se tornaram raras ou entraram em extinção, o homem resolveu “facilitar o processo de pesca” e a alternativa mais conveniente foi a criação de peixes em cativeiro. No entanto, essa não é a opção mais saudável.

A abordagem é bem crítica e revela como funciona a indústria de peixes com imagens exclusivas de cativeiros aquáticos espalhados por vários pontos do mundo.

O filme começa por apresentar a realidade em algumas aquiculturas na Noruega, onde há grande contaminação de produtos químicos. Kurt Oddekalv, um respeitado activista ambiental norueguês é o primeiro interlocutor de Nicholas Daniel e afirma que a criação de salmão é um desastre tanto para o ambiente como para nossa saúde.

É possível ver camadas de resíduos de pelo menos 15 metros de altura ao longos dos fiordes noruegueses – isso inclui excrementos, excreções, bactérias, drogas e pesticidas.

O fundo do mar foi destruído

mortalidade no salmão de cativeiro
Uma “fábrica” de salmão pode conter 2 milhões de peixes num espaço relativamente pequeno, o que resulta em doenças nos animais. Por isso, os criadores utilizam pesticidas perigosos, nomeadamente da Monsanto inicialmente produzido para actuar em plantas, para evitar as pragas causadoras de doenças e não perderem a mercadoria. Os pesticidas diminuem a imunidade do peixe que, doente, é tratado com mais drogas, incluindo vários antibióticos.

Ainda segundo Oddekalv, o salmão de cativeiro é um dos alimentos mais prejudiciais do mundo.

Uma pesquisa muito interessante foi realizada com ratos: os que consumiram salmão de cativeiro cresceram obesos, com grossas camadas de gordura em torno dos órgãos e desenvolveram diabetes. Outro problema dos pesticidas utilizados é que eles afetam o DNA do peixe, causando mutações genéticas.

O salmão apresenta mutações menos visíveis, mas igualmente preocupantes

salmao

O documentário apresenta alguns peixes deformados por este motivo, como o bacalhau. E paranos assustarmos ainda mais, ficamos a saber que mais da metade dos bacalhaus de cativeiro sofre deformações.

As fábricas de aquicultura do mar Báltico produzem os espécimes com níveis de toxicidade mais elevados. Para além de toda a mixórdia química (medicamentos e pesticida) utilizados noutros pontos do mundo, as águas do Báltico apresentam elevadíssimos índices de poluição incluindo lixos tóxicos.

Polpa de peixes em vez de peixe

Veja o documentário até ao fim e veja como o resíduo de peixe se torna um alimento muito valorizado, mas péssimo para a saúde. Nomeadamente, o aproveitamento industrial de partes do peixe que antes iriam para o lixo; a cabeça, o rabo e mesmo a pele do peixe. Tudo é lavado e moído, resultando em uma “polpa” que serve de alimento para … humanos e outros animais.

As melhores opções de peixes são os selvagens, como salmão selvagem do Alasca, sardinhas e anchovas. Como é dito no documentário, por um médico oncologista, quanto mais pequeno for o peixe menor riscos corremos e o consumo deve reduzir-se a 2 refeições por semana.

Infelizmente, também não podemos confiar na qualidade de todos os peixes selvagens, pois a maioria das águas está contaminada com metais pesados (como mercúrio) e outros produtos químicos, como dioxinas.

Salmonopoly

Um outro documentário muito esclarecedor, “Salmonopoly“, realizado por Wilfried Huismann e Arno Schumann, leva-nos a outras paragens e a outros segredos do “negócio”.

Práticas da aquicultura industrial da empresa Marine Harvest

A Marine Harvest é a maior preocupação mundial no que diz respeito a aquicultura. Produz mais de 100 milhões de salmão de viveiro por ano e fornece os consumidores na Europa, EUA e Japão. Mas a que preço?

Este império global é dirigido por John Fredriksen, um self-made man e um dos mais ricos do mundo. Na sua casa norueguesa, autodenomina-se de “Big Wolf”; “verde”, “duradouro” e “transparente”. Mas a realidade contradiz a filosofia da empresa, especialmente no Chile, onde a Marine Harvest é de longe o maior produtor, com cerca de 70 viveiros de peixe. O Chile, com a sua legislação que deixa a desejar, é um paraíso para os investidores. Tudo o que é proibido aos produtores de salmão na Europa é permitido no Chile, tendo como resultado 18 meses depois, um salmão carregado de químicos.

Em Abril de 2008, para “melhorar a imagem” da aquicultura intensiva em larga escala, a Marine Harvest firmou uma parceria com a WWF – World Wide Fund for Nature (Fundo Mundial para a Natureza). A WWF é uma Organização não governamental (ONG) internacional que actua nas áreas da conservação, investigação e recuperação ambiental, anteriormente chamada World Wildlife Fund, nome oficial ainda em uso nos Estados Unidos e Canadá.

Por um donativo de 100.000 euros por ano, a Marine Harvest pode usar o panda do logótipo da WWF para fazer propaganda do seu salmão de viveiro produzido industrialmente. Totalmente suspeito ecologicamente, mas muito bem sucedido economicamente: após o colapso durante a crise financeira, as acções da companhia subiram 270 por cento no Verão de 2009.

John Fredriksen é o principal protagonista deste “eco-thriller” posicionado no mundo obscuro de um gigante alimentar global.

Visualizar documentário

Dada a sua importância disponibilizamos duas opções de visualização:

Versão em inglês

Versão em espanhol

https://www.youtube.com/watch?v=IdBQ5DFUEUc

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