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João de Sousa

Quinta-feira, Dezembro 9, 2021

São Paulo: ou se estranha ou se entranha

Capital do Estado com o mesmo nome, fundada em 1554, é a maior cidade do Brasil e a segunda de toda a América Latina (a primeira é a Cidade do México, capital do México). Com uma população de cerca de doze milhões de habitantes, é a cidade brasileira mais populosa e a segunda da América do Sul. É o maior centro financeiro do Brasil e dos maiores da América Latina, sendo a sede principal de empresas, bancos, agências financeiras. As principais sedes estão localizadas na célebre Avenida Paulista, outrora Avenida de enormes, majestosos e sublimes casarões, palacetes e mansões de uma época áurea dos senhores do café. Hoje apenas três desses casarões sobrevivem. Todos os demais foram sendo demolidos para dar lugar a grandes prédios de bancos, seguradoras, empresas, escritórios. São muitos os paulistanos – nome dado aos naturais da cidade – (paulistas é a denominação dada aos naturais do Estado) que sentem e reclamam de saudade e nostalgia desses velhos tempos onde esses casarões eram um marco da cidade. Defendem que ao invés de terem dado lugar aos empreendimentos e edifícios que os substituíram, deveriam ter sido tombados como património histórico, mesmo que transformados em bancos, empresas ou escritórios.
São Paulo é das cidades mais multiculturais, não só do Brasil mas de toda a América do Sul. Uma grande parte é de ascendência italiana; mas as comunidades lá existentes são de praticamente de toda a parte do mundo.


Avenida Paulista pelos seus casarões antigos


site archdaily


São Paulo possui uma medicina de alto nível, de primeiro mundo, com hospitais de nível mundial, como os hospitais Albert Einstein ou o Sírio Libanês.

Possui polos universitários igualmente de primeiro mundo, onde a USP (Universidade de São Paulo) é de referência, nacional e internacionalmente.

É uma cidade com uma dinâmica cultural de fazer inveja a muitas cidades europeias.

A gastronomia, de toda a parte do mundo, fazendo jus às suas colónias de emigrantes, é de excelência. Os seus restaurantes são extraordinários, tanto na qualidade do seu serviço como na abundância da sua culinária. A voga da culinária gourmet de modo algum lá sobrevive.

Quem a estranha, alega que São Paulo é uma cidade sem beleza natural alguma. Feia mesmo, alegam outros. Os seus arranha-céus, a falta de mais parques, o seu trânsito intenso, de dia ou de noite, a agitação constante e a toda a hora, tudo contribui para esse estranhamento. E a violência. O maior dos flagelos. Mas ela está presente hoje em todo o Brasil. Em belas cidades, como o caso do Rio de Janeiro ou de outras, mais, ou menos atrativas, e de dimensão maior ou menor.

De tudo, porém, o que se possa dizer de São Paulo, foi o genial Caetano Veloso que melhor a descreveu em “Sampa”, canção eternizada, e que mais ninguém a conseguiu até hoje tão bem retratar.

Tal como Caetano, eu que vivi em São Paulo, além de a entranhar, há alguma coisa que acontece no meu coração sempre que penso, falo, ou sei dela.

 

Sampa

Caetano Veloso/1978
Interpretes: Caetano Veloso

Alguma coisa acontece no meu coração
Que só quando cruza a Ipiranga e Av. São João
É que quando eu cheguei por aqui eu nada entendi
Da dura poesia concreta de tuas esquinas
Da deselegância discreta de tuas meninas

Ainda não havia para mim Rita Lee
A tua mais completa tradução
Alguma coisa acontece no meu coração
Que só quando cruza a Ipiranga e avenida São João

Quando eu te encarei frente a frente e não vi o meu rosto
Chamei de mau gosto o que vi, de mau gosto, mau gosto
É que Narciso acha feio o que não é espelho
E à mente apavora o que ainda não é mesmo velho
Nada do que não era antes quando não somos mutantes

E foste um difícil começo
Afasto o que não conheço
E quem vem de outro sonho feliz de cidade
Aprende depressa a chamar-te de realidade
Porque és o avesso do avesso do avesso do avesso

Do povo oprimido nas filas, nas vilas, favelas
Da força da grana que ergue e destrói coisas belas
Da feia fumaça que sobe, apagando as estrelas
Eu vejo surgir teus poetas de campos, espaços
Tuas oficinas de florestas, teus deuses da chuva

Pan-Américas de Áfricas utópicas, túmulo do samba
Mais possível novo quilombo de Zumbi
E os Novos Baianos passeiam na tua garoa
E novos baianos te podem curtir numa boa


Por opção do autor, este artigo respeita o AO90


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