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João de Sousa

Quinta-feira, Dezembro 9, 2021

A semana de Sanders e Trump

Sanders e Trump ganharam as primárias na Virgínia Ocidental, o que dá novo fôlego para o senador do Vermont. Um delegado incómodo está a causar problemas na campanha de Donald Trump: trata-se de um supremacista branco que quer retirar a todos os não-brancos a cidadania americana. Uma reunião em Washington marca a aproximação entre o empresário e os altos representantes do Partido Republicano.

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Virgínia Ocidental dá a vitória a Sanders

As primárias da passada terça-feira no estado da Virgínia Ocidental deram a vitória ao democrata Bernie Sanders e ao republicano Donald Trump. Bernie Sanders conquistou 51,4% dos votos (contra os 36% da sua rival directa, Hillary Clinton) enquanto Trump teve 76,9% dos votos, muito à frente de Ted Cruz (9%) e John Kasich (6,8%). Trump também teve uma vitória expressiva nas primárias, apenas republicanas, no estado do Nebraska.

Num comício no estado do Oregon, Bernie Sanders evocou a insatisfação dos trabalhadores para explicar o seu bom resultado eleitoral. “O que as pessoas da Virgínia Ocidental disseram esta noite, e acredito que o povo do Oregon dirá na próxima semana, é que precisamos de uma economia que trabalhe para todos, e não apenas para 1%”, numa alusão aos mais ricos do país. Uma sondagem da CNN afirma que o senador de Vermont beneficiou dos eleitores democratas que se proclamam independentes, bem como daqueles que dizem que iriam votar em Trump ao invés de Clinton ou deste em eleições gerais.

Por sua vez, Hillary Clinton tem insistido na promessa de continuar as políticas de Obama se for eleita para a Casa Branca, e tem conquistado votos dos que apoiam a agenda do ainda presidente dos EUA. A ex-senadora de Nova York preferiu, ao invés de atacar o seu adversário, criticar as propostas de Donald Trump. Durante a campanha para as primárias, uma das conselheiras de Clinton acusou o empresário de usar uma proposta fiscal para “ficar do lado dos super-ricos e das corporações às custas da classe média e das famílias trabalhadoras”.

Donald Trump pediu aos apoiantes: “poupem o vosso voto para a eleição geral, pode ser? Esqueçam esta. As primárias passaram”, disse num comício na cidade de Charleston a passada semana. O empresário aproveitou para atacar Hillary Clinton, a quem continua a chamar de “Hillary Trapaceira”, criticou as suas visões sobre política externa e acordos internacionais de comércio; foi mais longe e falou da vida pessoal da pré-candidata à Casa Branca, chegando a dizer que ela “permitiu” as infidelidades do marido, Bill Clinton.

 

Advogado que defende supremacia branca é delegado de Trump e causa incómodos na campanha

Os responsáveis de campanha de Donald Trump não poderão excluir da lista de delegados para a convenção nacional do Partido Republicano um líder nacionalista branco. Ao início, a campanha do empresário negou com insistência que entre esses delegados estivesse William Daniel Johnson, um advogado que defendeu numa ocasião a retirada da cidadania americana a todos os americanos não-brancos. A campanha optou mais tarde por atribuir esse lugar a “um erro da base de dados”.

O próprio Johnson confirmou ao jornal The Guardian que era delegado da convenção, mas que não iria falar mais “porque eles não querem que eu o faça”, numa alusão à equipa da campanha de Trump. Quando soube que o director de campanha para a Califórnia Tim Clark afirmou que  o convite para delegado foi um “erro”, Johnson ofereceu-se para sair do posto de delegado. Apesar da tentativa dos responsáveis da campanha de Trump em rever a lista, o prazo já tinha passado, pelo que o advogado vai continuar nas listas.

Caso o empresário e candidato republicano esteja ligado a nacionalistas brancos, isso pode trazer sérios danos à campanha, já criticada por acusações de racismo. Recorde-se que em Fevereiro deste ano, Trump foi criticado por não rejeitar à primeira vista o apoio de David Duke, ex-líder do Ku Klux Klan.

 

Donald Trump e Partido Republicano: tréguas?

A CNN revelou que Donald Trump teve um encontro fora do comum com líderes republicanos, em Capitol Hill, Washington, na passada quinta-feira, no que o correspondente da estação televisiva Jim Acosta descreveu como “um circo”. As altas instâncias do Partido Republicano terão decidido dar tréguas ao polémico candidato à presidência dos EUA, depois das críticas e recriminações, algumas bastante drásticas, durante boa parte do calendário das primárias no país.

“Fomos honestos sobre as nossas discordâncias, mas reconhecemos que também existem muitas áreas importantes que são comuns a ambos”, afirmou Paul Ryan, o principal porta-voz do Partido. Apesar da tentativa de unificação do partido em torno do candidato “de facto” à Casa Branca, Ryan não declarou formalmente apoiar Trump. O porta-voz deixou subentendido que essa declaração poderia ocorrer em futuros encontros, destinados a aprofundar os entendimentos políticos.

Ryan assumiu perante os jornalistas as divergências com Trump, e que as mesmas foram abordadas na reunião. “Isso é do conhecimento comum”, insistiu o porta-voz, acrescentando que “ele tem uma personalidade muito boa, é uma pessoa genuína e calorosa”.

Fora do que é habitual no seu comportamento, Trump não tentou ser o centro das atenções com frases polémicas, preferindo dar espaço a Paul Ryan e limitando-se a falar do assunto na sua conta de Twitter com optimismo.

A cobertura mediática desta ida de Trump a Washington testemunhou uma manifestação, perto do Comité Nacional Republicano: a CNN relata que protestantes anti-Trump ergueram cartazes a acusá-lo de racismo, enquanto o músico Ben Williams tocou “Amazing Grace” na sua gaita-de-foles.

Fontes: Washington Post, The Guardian, CNN

 

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