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Terça-feira, Maio 24, 2022

Sinais Fracos e… Fortes

José Mateus
José Mateus
Analista e conferencista de Geo-estratégia e Inteligência Económica

ege_harbulot “Visão Estratégica e Militar França-Rússia”, conferência organizada pelo Círculo Pouchkine, no próximo dia 11, terá como orador o meu amigo Christian Harbulot, ‘patrão’ da École de Guerre Économique, de Paris. O anúncio foi feito no passado Domingo, em simultâneo, nos sites do Círculo Pouchkine e da École de Guerre Économique. O tema é, na actual conjuntura geopolítica, o mais pertinente. Christian Harbulot conhece a matéria como poucos mais a conhecerão e tem uma assertividade muito própria… A noite, portanto, promete.

Produtividade… Estrangeira! As empresas estrangeiras em Portugal (5.521) representam 1,5% do universo empresarial e são responsáveis por 8% (364.000) dos empregos existentes e por 20% (15,3 mil milhões €) do VAB (valor acrescentado bruto) nacional! E pagam, em média, aos seus trabalhadores mais 5 mil euros anuais que as empresas portuguesas! A França (presente em força nos transportes, logística e telecomunicações) lidera este ranking das empresas estrangeiras, seguida da Espanha (construção e comércio) e da Alemanha (Siemens e AutoEuropa, etc). Estes são excelentes números para uma reflexão sobre produtividade, competitividade e, sobretudo, a tão esquecida FBCF (formação bruta de capital fixo)…

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net workDo que são os “Mercados” o nome… Confesso, estou cansado de ouvir “papagaios” falar de “mercados”… Sem saberem, claro, do que falam, sem saberem do que são, hoje, os “mercados” o nome, sem saberem de que realidade falamos quando falamos de mercados. No Verão de 2011, o meu amigo John Robb (“Military and Economic Strategist. Best selling author. Entrepreneur. Pilot. Tier one special ops.”) chamou-me a atenção para um “paper” suíço cujos autores procediam a uma investigação inédita, inovadora e esclarecedora, com o belo título de  The Network of Global Corporate Control (aqui em pdf: http://arxiv.org/pdf/1107.5728v1). Para o John, o que o paper revela é um paradoxal “Capitalism’s central planners”, coisa que o deixou convencido da proximidade de um colapso do sistema pois, como ele frisou, “Central planning is the underlying reason the Soviet Union collapsed so quickly”. Antes, John havia já concluído que “One of the most interesting underlying reasons for the decline of the Soviet Union is misallocation of resources due to a reliance on central planning”. Pouco depois, em Outubro, o ‘New Scientist’ chamou o assunto à capa mas, por cá, os “papagaios” do costume fizeram-se o favor de o ignorar… O paper suíço não perdeu nada da sua actualidade (bem pelo contrário…) e o tempo despendido na sua leitura é muito bem empregue e pode ter um elevado ROI (Return on Investment). E, pelo menos, fica-se a saber do que “mercados” é hoje o nome…

Cobiçada Bauxite das Guinés. De repente, a uma modorra dos últimos anos, sucede uma frenética guerra de movimento à volta da bauxite das Guinés. Chineses, indianos, africanos e alguns europeus querem a bauxite e os negócios que extracção e transporte geram. Até uma das mais globais e poderosas sociedades de advogados já entrou em cena. Luanda mantém um olho neste ‘filme’ de grandes aventuras mas em Lisboa ninguém parece interessado…

O Futuro do Terrorismo. Pronto a sair, “L’Avenir du Terrorisme”, de Alain Bauer, editado pelo Institut Diderot, é um imprescindível ponto da situação nesta guerra prolongada em que a Europa está envolvida. Ex-dirigente estudantil, ex-assessor do primeiro-ministro Michel Rocard para a área da Segurança, professor de universidades (França, China, EUA…), responsável pela equipa que em 2008 elaborou o ‘livro branco de segurança e defesa’ de França, consultor e autor de dezenas de obras, Bauer é um grão-mestre nestas matérias e a sua leitura recomenda-se vivamente a todos a quem o assunto interesse. Para o registo de interesses: não é por sermos amigos, há muitos anos, que o digo. É porque o ‘filme’ desta guerra está todo nesta impecável síntese. Merci, Alain.

avenir du terrorisme

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