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Segunda-feira, Agosto 8, 2022

Steve Bannon, ideólogo de Trump, é condenado por desacato ao Congresso dos EUA

O júri dos EUA considera Bannon culpado por desafiar os pedidos de informação do painel do Congresso que investiga o motim de 6 de janeiro.

Um júri dos EUA considerou o ideólogo de Donald Trump, Steve Bannon, culpado de desacato ao Congresso, que investiga o envolvimento do ex-presidente na invasão ao Capitólio. Após um julgamento de quatro dias, o júri considerou que Bannon desafiou os pedidos de informações do comitê do Congresso. Ele simplesmente ignorou os prazos de pedidos deliberadamente. A defesa alegou que Bannon acreditava que os prazos eram flexíveis e sujeitos a negociação.

Em uma audiência nesta quinta-feira (21), o painel examinou o que chamou de “recusa” de Trump em agir para acabar com o tumulto em 6 de janeiro. A audiência contou com uma gravação de áudio de Bannon, vazada no início deste ano, na qual o aliado de Trump diz antes das eleições de 2020 que o ex-presidente deve declarar vitória mesmo que não vença.

A situação de Bannon reafirma o risco que Trump corre durante a investigação. Bennie Thompson, presidente do comitê de investigação do Congresso sobre a invasão do Capitólio, declarou ontem (21) que o ex-presidente abriu o caminho para “a anarquia e a corrupção” e deve prestar contas pelo ataque ao Capitólio. O ex-presidente republicano “tentou destruir nossas instituições democráticas”, declarou Thompson durante a audiência.

Segundo Thompson, todos os responsáveis pelo ataque, inclusive na Casa Branca, terão que “responder por seus atos perante a Justiça”. “Isso terá sérias consequências, caso contrário, temo que nossa democracia não se recupere.”

Trump demorou mais de três horas para pedir aos apoiadores para que deixassem o Capitólio. “Eu entendo sua dor”, declarou o então presidente dos Estados Unidos em um vídeo postado no Twitter. “Mas vocês têm que voltar pra casa agora”.

Primeira condenação

O veredicto de culpado nesta sexta-feira (22) para Bannon é a primeira condenação relacionada à recusa em cooperar com a investigação do incidente em 6 de janeiro de 2021. Bannon estava servindo como consultor não oficial de Trump no momento do tumulto no início de 2021. Ele enfrentou duas acusações de desacato criminal por se recusar a comparecer perante o comitê. Cada contagem carrega um mínimo de 30 dias e até um ano de prisão.

Ele deve ser sentenciado em 21 de outubro.

Os advogados de Bannon disseram que pretendem apelar do veredicto e ele bravateou que vai vencer. Eles afirmam que Bannon é tratado como um “bode expiatório” do julgamento, a pessoa fácil de culpar por algo feito por gente mais importante. No entanto, Bannon era figura importante do governo, por orientar a estratégia de desinformação criada por Trump e se beneficiou internacionalmente disso, se tornando o ideólogo de outros candidatos da extrema direita europeia.

A promotoria diz que Bannon tenta dificultar o processo com burocracia processual, mas não consegue mais que duas testemunhas frágeis.

Bannon se recusou a testemunhar na quinta-feira, e seus advogados não chamaram nenhuma testemunha. Em vez disso, eles argumentaram que o juiz deveria rejeitar as acusações como não provadas. O juiz distrital dos EUA Carl Nichols, indicado por Trump, não se pronunciou imediatamente sobre o pedido.

A equipe de Bannon disse ao juiz que Bannon não via sentido em testemunhar em seu julgamento, já que as decisões anteriores de Nichols destruíram suas vias de defesa. Entre outras coisas, a equipe de Bannon foi impedida de convocar como testemunhas a presidente da Câmara, Nancy Pelosi, ou membros do painel da Câmara.

O comitê queria falar com Bannon porque tinha informações de que ele estava ativamente envolvido no planejamento, logística e captação de recursos para os esforços de Trump para derrubar a eleição de 2020 e impedir o Congresso de certificar a vitória do democrata Joe Biden.

A intimação do painel exigia quaisquer documentos ou comunicações relacionadas a Trump e outros em sua órbita, incluindo o advogado Rudy Giuliani e grupos como os Proud Boys e os Oath Keepers.

O comitê não ouviu nada de Bannon até que o primeiro prazo tenha passado, quando seu advogado enviou uma carta ao comitê afirmando que Bannon estava protegido pela alegação de privilégio executivo de Trump e não forneceria documentos ou compareceria.

O comitê respondeu por escrito que a alegação era inválida – Trump não era mais presidente e Bannon não estava empregado na Casa Branca no momento do tumulto.

Vaughn disse aos jurados na quinta-feira que a intimação emitida para Bannon “não era opcional. Não era um pedido, e não era um convite. Era obrigatório.

No mês passado, o Departamento de Justiça também acusou Peter Navarro , ex-assessor de Trump, de duas acusações de desacato ao Congresso por não cooperar com o comitê.

A condenação de Bannon ocorre quando o comitê do Congresso apresenta suas conclusões sobre os distúrbios de 6 de janeiro em uma série de audiências públicas que tentaram vincular Trump ao ataque.


Texto em português do Brasil

Exclusivo Editorial PV / Tornad

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