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Quarta-feira, Dezembro 8, 2021

Terrorismo: a importância da Super Bock

João Vasco Almeida Segundo a repórter Magali Pinto, o alegado terrorista Salah Abdeslam, cabecilha da rede que explodiu Paris e Bruxelas,  era visita frequente do Café Cox, na capital belga, onde foi várias vezes. “Dizia ‘bom dia’, bebia café e jogava nas máquinas”, relata um cliente à reportagem.

Este pequeno texto é de suprema importância. O que ele revela é que Salah se importou com a saudação em português para ir beber a bica, no café dos imigrantes que tem o reclamo da cerveja à porta. Dizer “bom dia” é estar com os outros, é um passo importante. Ao Cox o mouro não fazia impressão: entre os bigodes das mulheres do Minho e o metro e sessenta e dois do sr. Arlindo, Salah jogava “nas máquinas”, enquanto o Benfica jogava na tela.

Portugal tem este bom costume de se estar marimbando para o “outro” enquanto este não quer casar com a nossa filha. Ao contrário, diz-se que “o rapaz arranjou uma gaja das arábias – e é boa, a gaja!”, e a marinha segue.

Ontem, pela noitinha, Nuno Melo, do CDS, berrava nos ecrãs da SIC Notícias umas barbaridades securitárias que põem em causa até a presunção da inocência. Movidos pelo medo do banal, a PSP fechou uma avenida e uma rotunda em Lisboa para tratar de um saco de lixo. Os cães anti-bomba da PSP, mostravam as reportagens, iam ao saco, cheiravam e só não alçavam a perna porque estavam a ser filmados…

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Café Cox, Bruxelas, DR Google

Portugal tem, naturalmente, casas onde canalhas combinam as piores atrocidades. O SEF, o SIS, a PJ e a PSP e GNR devem ter todo o alerta e atenção para que o país continue a gozar dos míticos fama e proveito de ser uma plataforma de passagem e não um alvo. É assim há centenas de anos.

Para isso contribui naturalmente o que dizia Abdul Vakil, o líder da comunidade muçulmana: “A diferença é que os portugueses viveram centenas de anos ‘lá’, de Moçambique à Índia, do Brasil a Angola. Além de poder colonial, eram das terras e aprenderam a conviver com várias culturas e distintas religiões”.

É essencial que os Nuno Melo portugueses se acalmem e percebam que, desta vez, Portugal pode ir a Bruxelas lamentar os mortos e condenar os atentados, mas acima de tudo explicar que a integração é a melhor arma. Quando sabemos que 86 por cento das pessoas “radicalizadas”, tendo elas em média 26 anos, são contra o status quo e vivem em guetos sem empregos e sobrevivem da pequena criminalidade, passamos a ter uma noção clara da origem do problema.

Podemos até acusar os segregacionistas de cegueira, mas só resolvemos o problema quando dissermos aos Turcos e a alguns homens e mulheres cheios de medo que é na Super Bock e na Delta que está a solução. E, quem sabe, na Sport TV e no frango na púcara. Estas são as verdadeiras armas contra o terror.

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