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João de Sousa

Sexta-feira, Julho 1, 2022

The Hunger Games: A Revolta

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Parte 2: A luta de classes chega ao fim

Cai o pano sobre os cinco anos de The Hunger Games, a saga distópica de carga adolescente recriada a partir dos bestsellers de Suzanne Collins. Sai também de cena a mais recente heroína da juvenil, Katniss Everdeen, defendida com a intensidade natural de Jennifer Lawrence. E já que estamos em jeito de balanço, teremos mesmo de homenagear miss Lawrence, que soube carregar nos ombros esta odisseia levemente baseada no filme de terror japonês Battle Royale, em que adolescentes embarcam num jogo em que ganha apenas aquele que sair com vida. É claro que por detrás está uma eficaz mensagem de política totalitária, e respectiva luta de classes, que pode, e deve, ser interpretada e adaptada a todos os cenários que bem conhecemos. Uma palavra ainda para o trabalho eficaz de Francis Lawrence, timoneiro de três dos quatro filmes da saga.

Percebe-se o estatuto de culto gerado, não só pela presença de Lawrence, mas também pelo pretty boy Josh Hutcherson, gerador de uma tremenda legião de fãs. Uma outra realidade foi a necessidade sentida por parte dos produtores em fazer esticar (reciclar?) o pano no canto de cisne de franchises bem-sucedidas. Ainda que na esmagadora maioria dos casos, com resultados de um arrastamento da narrativa com repercussões inevitáveis num resultado final. É um pouco essa a limitação que assalta A Revolta.THE HUNGEER GAMES A REVOLTA 2 POSTER FINAL

É que a partir da premissa do filme inicial, o segundo volume Em Chamas já não se livrou de um certo arrastar de uma acção destinada a justificar os valores de produção. Algo que perpassa para A Revolta, seguindo a dinâmica e lógica da tese-antítese-síntese. Mas com a agravante de um prolongar de uma acção que ficara em pausa durante estes doze meses que dividiram as duas partes de A Revolta dedicadas ao Distrito 13. Na verdade, ao começar a Parte 2 o acompanhamento da história não se apresenta de imediato claro.

Com a presença de Katniss Everdeen rebaixada diante a presença da revolucionária Alma Coin (Julianne Moore) de modo a enfrentar o regime fascista imposto na Capital Panem pelo Presidente Snow (Donald Sutherland). Embora nesse processo se aperceba de que existem outras forças que poderão desviá-la da sua missão em assassinar Snow. Entretanto, da mesma forma, os seus romances com Gale (Chris Hemsworth) e Peeta (Josh Hutcherson), mas sem que isso alguma vez assuma um relevo decisivo.

Após uma demasiado longa parte que antecede os combates pelo assalto à Capital, o filme como que ganha uma outra coesão e textura aproximando os destinos das várias personagens – Jana Malone, Elizabeth Banks, Philip Seymour Hoffman, San Caflin, Jeffrey Wright ou Woody Harrelson. Ainda assim, sem possibilidade de resgatar parte desse entusiasmo perdido. Seja como for, com um final que se aceita, ainda assim bem adiante daquele proposto pela saga Twilight.

 

 

Paulo Portugal, em Cannes

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