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Domingo, Julho 21, 2024

Trump promete anistiar golpistas do Capitólio, se eleito

O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, participou nesta quarta-feira (10) de uma sabatina da CNN, onde respondeu questões de eleitores republicanos e de indecisos. Ele voltou a insistir no tom golpista de que não perdeu a eleição, acenou aos extremistas e prometeu uma eleição turbulenta, caso seja o candidato em 2024.

Ao longo da sabatina, o empresário prometeu anistiar os invasores do Capitólio que foram presos ou processados e voltou a falar em fraude na eleição de 2020, quando perdeu para o adversário Joe Biden. Embora aposte no discurso extremista, seu partido avalia se prefere um candidato mais moderado, sem as controvérsias de Trump.

O empresário começou posando de vítima de fraude eleitoral na campanha presidencial de 2020 e disse que Biden levou os EUA “ao inferno”, devido à inflação. Ameaçou, inclusive, que novamente vai colocar em questão a mecânica do pleito, caso não seja eleito.

O republicano chamou o presidente Joe Biden de “o rosto do fracasso da esquerda e da corrupção do governo” e disse que seu governo trouxe um “tempo de dor, ansiedade e desespero” aos norte-americanos. Na avaliação do ex-presidente, seria mais fácil vencer seu rival em 2024, pois “todo mundo vê o trabalho ruim que foi feito”.

Com a certeza de que será o candidato do Partido Republicanos à presidência, em 2024, Trump disse que, caso perca, só aceitará o resultado “se for uma eleição honesta”. Resta saber se a sociedade americana não estaria exausta das polemizações estéreis de Trump.

Capitólio

Ele culpou Nancy Pelosi pela invasão ao Capitólio, ao repercutir uma fake news comum de que a presidenta da Câmara seria responsável pela polícia da Casa. “Um dos grandes problemas foi aquela Nancy Pelosi – a louca Nancy, como eu a chamo carinhosamente. A louca Nancy e o prefeito de Washington foram acusados, como você sabe, pela segurança. E eles não fizeram o trabalho deles”, disse.

Em seguida, prometeu anistiar os golpistas do Capitólio. “Estou inclinado a perdoar a muitos deles. Não serei capaz de perdoar cada um, mas será uma grande parte deles”, prometeu. Com isso, acena para os segmentos mais polarizados do Partido Republicano.

Segundo o governo, desde 6 de janeiro de 2021, mais de 950 pessoas foram presas e, entre elas, mais de 284 foram condenadas pelo episódio.

Trump alegou falsamente que convocou a Guarda Nacional para intervir durante o motim, o que Collins, da CNN, rejeitou e observou que, de acordo com o ex-secretário interino de Defesa Chris Miller, nunca teria havido ordem formal para enviar a Guarda Nacional.

A ação terrorista no Capitólio foi comandada por apoiadores do ex-presidente que não aceitaram a derrota dele na corrida presidencial e tentaram impedir a diplomação de Joe Biden, que superou o republicano.

Cinco pessoas, incluindo um policial, morreram devido ao conflito aberto naquele dia e mais de 140 policiais ficaram feridos. À época, a imprensa noticiou que os custos com os vidros quebrados, portas, móveis e pichações, além do restauro de obras de arte, superaram a marca de US$ 30 milhões.

O então vice-presidente dos EUA, Mike Pence, acusou Trump de colocar sua vida em risco com o ataque ao Capitólio, o que ele reafirma que não deve “desculpas” e ainda acusa seu ex-vice. Para ele, Pence deveria rejeitar o resultado eleitoral e reiniciar a contagem de votos. Collins o corrigiu, explicando que Pence não tinha autoridade para rejeitar os resultados das eleições.

Sequestro de documentos

Trump defendeu que tinha todo o direito de levar documentos confidenciais depois de deixar a Casa Branca, “de acordo com a Lei de Registros Presidenciais” e insultou a jornalista, quando ela o contestou. Os documentos foram apreendidos pelo FBI em sua casa na Flórida.

Collins corrigiu Trump destacando que a Lei de Registros Presidenciais não diz que um ex-presidente pode levar documentos para casa, mas que eles são propriedade do governo federal quando um presidente está fora do cargo.

Ela perguntou várias vezes por que Trump esperou para devolver documentos confidenciais quando sabia que o governo federal os estava procurando e intimou-o a devolvê-los. Donald Trump, porém, não respondeu à pergunta e insultou Collins. “É muito simples – você é uma pessoa desagradável, vou te dizer”, colocou. Somente o desespero por espaço positivo na imprensa explica que Donald Trump se submeta à entrevista na CNN, com quem não falava desde 2016.

Imigração, armas, aborto e economia

Trump reafirmou sua política de imigração draconiana. Exagerou ao dizer que construiu o muro que prometeu entre EUA e México, embora tenha feito apenas 83 km. Ele também não se arrepende da controversa política de separação familiar. “Quando você diz a uma família que ‘se você vier, vamos separá-los’, eles não vêm”.

Os Estados Unidos registraram mais de 200 tiroteios em massa até o momento em 2023, de acordo com o Gun Violence Archive. Apesar disso, Trump ressaltou que garantirá o direito ao porte de armas, mas que investirá no tratamento dos problemas de saúde mental como forma de combater os tiroteios em massa, além de pagar mais policiais.

Ele chegou a citar o Brasil, falando que havia uma política de porte de armas muito rígida e muita criminalidade. Com a liberação do porte no Brasil, ele diz que “o crime caiu muito”, embora não haja dados sobre isso.

Os Estados Unidos passam por uma disputa legal quanto ao aborto, depois que a Suprema Corte decidiu que não há direito constitucional ao aborto. Isso foi feito com a mobilização do Partido Republicano e do governo Trump.

Como muitos estados passaram a restringir o direito ao aborto após a decisão da Suprema Corte, o ex-presidente não especificou se apoiaria uma proibição federal ou com quantas semanas de gravidez ele apoiaria a proibição. Com isso, revelou que está intimidado diante da controvérsia que se tornou o tema no país.

Trump considera que a solução para a inflação no país, é produzir mais petróleo nos EUA. Afirmou que, durante o período em que comandou os Estados Unidos, o país era independente quanto à geração de energia e que o custo do gás caiu para níveis recordes. Ele ignorou que os maiores efeitos da inflação de combustíveis ocorreram devido à guerra na Ucrânia.

Sobre os EUA terem atingido o teto da dívida estabelecida pelo Congresso em janeiro e o impasse para resolver o problema, a solução do empresário é promover cortes de gastos e pagar as dívidas. “Estamos gastando dinheiro como marinheiros bêbados”, disse Trump, defendendo que o governo deveria declarar default (moratória).

“Nosso país está sendo destruído por pessoas estúpidas, por pessoas muito estúpidas”, destacou.

Desgaste judicial

A conversa ocorreu um dia após o ex-presidente ter sido condenado por um júri em Nova York a pagar 4,7 milhões de dólares à escritora E. Jean Carroll por abuso sexual. Trump é o primeiro presidente americano que já foi acusado criminalmente.

O empresário enfrenta uma série de problemas legais que ameaçam suas aspirações à Casa Branca. Cerca de dez mulheres já acusaram-no de conduta sexual inapropriada. Sobre os eleitores que entendem que isso o desqualifica para a corrida eleitoral, Trump disse que o caso foi inventado e que tudo foi motivado politicamente.

No início de abril, um grande júri o acusou formalmente por 34 delitos pelo suposto pagamento oculto, em dinheiro, para comprar o silêncio da atriz pornô Stormy Daniels, na reta final da campanha eleitoral de 2016.

Ele também é investigado por tentar reverter sua derrota nas eleições de 2020 no estado da Geórgia, por uma suposta má gestão de documentos oficiais retirados da Casa Branca e por um possível envolvimento no ataque ao Capitólio.


por Cezar Xavier | Texto em português do Brasil

Exclusivo Editorial PV / Tornado

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