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João de Sousa

Sexta-feira, Outubro 22, 2021

Um debate faz de conta

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Ao longo de várias horas, o Parlamento debateu um programa de Governo que todos os protagonistas sabiam ir ser chumbado. Em linguagem futebolística, os 230 deputados e os membros do Governo estiveram apenas a jogar para cumprir calendário.

AR DEB 11Consciente disso mesmo, António Costa acabou por deixar-se ficar no ‘banco’, reservando apenas para amanhã, Terça-feira, a sua intervenção. Em determinada altura, o deputado social-democrata Carlos Abreu Amorim procurou chamá-lo ao debate, acusando-o de estar a provocar um “silêncio ensurdecedor”, mas, nem mesmo assim, o convenceu a modificar a estratégia previamente definida.

Passos Coelho aproveitou a oportunidade para fazer um balanço do trabalho realizado pelo Governo por si dirigido, ao longo dos últimos quatro anos, e para dar o mote do que será, daqui para a frente, a estratégia de combate de PSD e CDS, ao previsível governo socialista.

AR DEB XX 5Desde logo, procurou rebater a ideia de que era um adepto da austeridade. Nada mais falso. A austeridade levada a cabo, defendeu, “nunca foi escolha, foi uma necessidade”. Uma necessidade, lembrou, imposta pela situação em que PSD e CDS encontraram o país, depois de seis anos de governação socialista.

Esse esforço fez com que a situação do país tenha melhorado e, a manter-se o rumo, iria melhorar bastante mais nos próximos anos. No entanto, todo esse trabalho e os sacrifícios feitos correm o risco de se perder, uma vez que, na sua opinião, as medidas acordadas entre os partidos de esquerda e o programa de Governo que daí resultará será de “ruína para Portugal”.

Nas suas intervenções procurou pôr a nu as divergências que entende existirem entre PS, PCP e Bloco, lembrando que só este fim-de-semana conseguiram chegar a um entendimento, o que revela a fragilidade política que não augura nada de bom para o país.

AR DEB 13Com António Costa apenas a ‘ver o jogo’, o papel principal do combate político deste primeiro dia, por parte do PS, coube a Carlos César, que defendeu ter o PS toda a legitimidade para formar Governo, uma vez que a coligação PSD/CDS não conseguiu maioria absoluta, nem obter um acordo com outros partidos para conseguirem um apoio maioritário no Parlamento. Assim sendo, mais do que legitimidade, o PS tem a responsabilidade de dar um passo em frente para “garantir que o país não fique sem Governo”.

AR DEB XX 7Uma ideia apoiada por Catarina Martins, que referiu ir ser a mudança de Governo apenas a consequência lógica de uma “mudança exigida nas urnas”. Uma mudança que o país precisa, uma vez que, acusou, o Governo liderado por Passos Coelho mais não tem sido do que uma “central de negócios”.

AR DEB 9Jerónimo de Sousa elencou os motivos que, do seu ponto de vista, justificam a queda do poder por parte do PSD e CDS, a bem do país. É que, ao longo destes anos, assistiu-se à implementação de uma política que “agravou a exploração, o empobrecimento e o desemprego” dos portugueses, enquanto que não se mexia nos “privilégios e lucros dos grandes grupos económicos”.

Foi assim, com argumentos para todos os gostos, que teve lugar a primeira ronda de aquecimento de uma eliminatória que amanhã é que é a doer, com a mais do que certa rejeição do programa que Passos Coelho hoje apresentou e o início de uma nova fase política.

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