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Terça-feira, Maio 24, 2022

Vacinas de contrabando

Paulo Casaca, em Bruxelas
Paulo Casaca, em Bruxelas
Foi deputado no Parlamento Europeu de 1999 a 2009, na Assembleia da República em 1992-1993 e na Assembleia Regional dos Açores em 1990-1991. Foi professor convidado no ISEG 1995-1996, bem como no ISCAL. É autor de alguns livros em economia e relações internacionais.

Dia 2 de dezembro, a Interpol emitiu um comunicado a alertar para a ameaça colocada pelo crime organizado no tráfico de vacinas, tanto para a Covid-19 como para a gripe sazonal, que inclui o contrabando de vacinas falsificadas, tornando ainda mais gritante o que se esconde por trás do convite feito pela candidata populista.

A corrida às vacinas está aberta, e pode-se adivinhar o que nos espera para o vírus mais famoso de 2019 pelo que se passa já com a vacina sazonal da gripe. A corrida foi de tal ordem que aqui em Bruxelas ou em França, ela esgotou por todo o lado, sendo que mesmo com receitas médicas, e com reconhecidas fragilidades de saúde, só a custo se obtém a almejada vacina, após meses em listas de espera e peregrinações pelas farmácias. Pelo que leio nas redes sociais, a situação é semelhante em Portugal, com longas listas de espera, os responsáveis da saúde pública a avisar que nem todos poderão obter a vacina, e várias manifestações de exasperação.

Deixando de lado por ora o que tudo isto significa no ano da grande loucura colectiva, porque o debate está entregue a conspirativismos de sinal contrário, abunda a precipitação, o facciosismo, e o raciocínio binário, num ambiente em que a censura impera e os direitos constitucionais estão postos em causa, comecemos pelo impacto mais óbvio na corrupção e criminalidade informais que prosperam ao abrigo da corrida às vacinas.

No dia 1 de Dezembro, a candidata presidencial populista portuguesa publica um tweet em que se diz ‘farta de esperar’ pela vacina e ter recorrido a ‘uma amiga’ que a ‘trouxe de França’ numa aparente manobra demagógica para dizer mal do Governo fazendo crer que o problema só existe em Portugal, e que nomeadamente não existe em França, o que é falso, e pode de resto ser atestado quer quem, como eu, segue de perto o que se passa em França ou quem se limite a ler o que dizem os franceses nas redes sociais. As listas de espera, a dificuldade em obter vacinas estão generalizadas.

Se a intenção era de mera manobra demagógica, ela é reveladora da irresponsabilidade da candidata que fez aqui objectivamente um convite a que os portugueses lhe seguissem os passos envolvendo-se no contrabando de vacinas.

O convite não foi bem recebido, tendo numerosos cidadãos criticado a candidata, sendo que esta respondeu contrariada, por exemplo, exortando um crítico a ‘desanuviar, por exemplo contemplando o Bugio’.

No dia seguinte, dia 2 de dezembro, a Interpol emitiu um comunicado a alertar para a ameaça colocada pelo crime organizado no tráfico de vacinas, tanto para a Covid-19 como para a gripe sazonal, que inclui o contrabando de vacinas falsificadas, tornando ainda mais gritante o que se esconde por trás do convite feito pela candidata populista.

Aquilo de que temos de estar conscientes é que, seja essa ou não a intenção, este tipo de desinformação não impulsiona só o crime organizado do contrabando de vacinas falsificadas, ele desestabiliza uma sociedade já submetida ao pânico por via dos canais oficiais, e serve por isso os interesses geopolíticos dos que querem ver naufragar os nossos sistemas democráticos.

Portugal precisa de líderes que estejam comprometidos com a defesa do seu país, que tenham sólidos princípios de defesa da liberdade e da democracia, e precisa também de cidadãos que façam frente a manobras de desestabilização como esta.


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