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Domingo, Fevereiro 25, 2024

40 anos de Sustentabilidade

Alexandre Mello
Alexandre Mello
Pesquisador em inovação aberta e tecnologias sociais

Três atores sociais nos permitem visualizar mais concretamente a sustentabilidade em ação: governos na articulação de pautas, leis e políticas púbicas; empresas na inovação da gestão e proposição de novas tecnologias; e a sociedade civil que, em tempos de internet, desperta a cidadania ativa latente, capaz de se auto-organizar e se empoderar, para enfim pautar governos e empresas.

Sustentabilidade na teoria

Até à Eco92, para a mídia em geral e mesmo para governos, sustentabilidade era sinônimo de Ecologia. Ocorre que a crise ambiental não pode ser compreendida por si só. Se esta agravou-se nos últimos tempos, como hoje se sabe, como efeito de outras crises, a crise civilizatória, a própria crise do modelo produtivo ocidental, que tendo se globalizado, é geradora de passivos mundo afora.

O modelo socioeconômico fortemente ancorado no capital e na energia barata, herdado da industrialização, que ressurge com mais força no pós guerra, vê sinais de seu esgotamento já nos anos 70 com os choques do petróleo, e mesmo antes disso, nos estudos da economia ecológica de Georgescu-Roegen e do Clube de Roma sobre limites para o crescimento na década de 1960, e os estudos de ecodesenvolvimento e bioeconomia na década de 1970, culminando com a definição do termo desenvolvimento sustentável no memorável relatório Brundltland (1987).

A despeito do esforço da ONU nos últimos 40 anos em protagonizar a árdua tarefa de conduzir os lideres ao pensamento mais sustentável e economia verde – as conferências de Estocolmo72, Rio92 e a Rio+20, com suas inúmeras prévias e conferências intermediárias –, o mundo ainda vive de queimar hidrocarbonetos, a economia ainda é majoritariamente de ciclo aberto.

A economia ainda é geradora de poluição, passivos e resíduos, o consumo de matérias primas é desproporcional à taxa de reposição dos ecossistemas, o que agrava a crise ambiental, a incerteza é imposta pelo clima e até a pobreza aumentou consideravelmente com a explosão demográfica do século XX proporcionalmente maior nos países mais pobres.Sustentabilidade na prática

As revoluções se impõem pela força das novas ideias e não pelo número de cabeças sacrificadas. E a próxima etapa do vigoroso ciclo evolutivo é o conhecimento acerca de nós mesmos – quem somos, de onde viemos, para onde vamos – e nossa relação com o meio, o planeta, os ecossistemas onde habitamos. Está claro que o desafio do século é a transição Ego –> Eco.

“O novo e radical sistema econômico emergirá do colapso do capitalismo” Rifkin.

O registro das novas práticas tem de ser no contexto dos territórios sustentáveis, trazendo o tema para o plano do concreto. Há inúmeros cases de ações dos atores sociais que se integram para viabilizar a sustentabilidade no território. Vistos isoladamente, parecem sem significado, mas organizados e vistos no seu conjunto, com o poder de replicação e compartilhamento que a Internet oferece, em poucos meses ou anos, os novos modelos se multiplicam.

Como o assunto está em evidência, também os comparativos permitem atualizar as pesquisas e o conhecimento atual no tema. Contrapondo o cenário nacional com o internacional, temos condições de saber se o Brasil anda bem em termos de políticas e práticas de sustentabilidade ou se está marcando passo.

Que ninguém se engane: a matrix que marca o “mundo como o conhecemos” é apenas uma etapa a mais dos grandes ciclos históricos, e que estão sempre mudando. A sustentabilidade é um tema apaixonante, e que merece muitos desdobramentos. A mensagem que quero passar: Humanos, soltem o freio de mão. É preciso renovar o sentimento de que juntos, podemos mais.

O autor escreve em português do Brasil

As opiniões expressas nos artigos de Opinião apenas vinculam os respectivos autores.

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