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João de Sousa

Quinta-feira, Janeiro 20, 2022

Conflito entre a Rússia e a Turquia

Tudo a postos para a entrada de tropas especiais no terreno

Aquece o ambiente de “guerra” entre a Turquia e a Rússia. Os jihadistas do Estado Islâmico (EI) rejubilam de alegria por causa deste conflito. Forças aliadas ocidentais procuram meter água fria para resfriar os ânimos e pedem tolerância ao Presidente russo, Vladimir Putin. Pressente-se que está tudo a postos para as tropas especiais entrarem no terreno. Mas paira o medo sobre os militares ocidentais, porque há quem afiance que os ‘jihadistas’ possuem armas químicas e bacteriológicas

FRANCA
Um caça francês levanta vôo do porta-aviões Charles de Gaulle

Um dia depois das forças turcas abaterem um avião militar russo, que segundo alguns observadores internacionais, terá entrado, sem autorização, no espaço aéreo da Turquia, o Presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, defendeu o ataque – mas garantiu que não quer que as tensões aumentem entre os dois países. Só que Erdogan não tem que querer nada. E muito menos poderá continuar a “jogar” com um pau de dois bicos. Dizer que apoia os bombardeamentos franceses e russos na Síria. E depois, aparecer no teatro de guerra, a dar apoio aos ‘jihadistas’ e a permitir a entrada de toneladas de petróleo clandestinamente na Turquia.

O Presidente norte-americano, Barack Obama e os dirigentes da NATO até já admitiram que aceitavam as justificações da Turquia. Mas pedem calma a Erdogan e a Putin. Só que o primeiro-ministro russo, Dmitri Medvedev, garantiu esta manhã, que “as relações entre a Rússia e a Turquia nunca mais vão ser as mesmas e que ficavam suspensas todas as relações que estavam em andamento entre os dois países”.

O que os jornalistas sabem é o seguinte: que ontem de manhã (terça feira), perto das 07h00 (hora de Lisboa), um caça russo foi abatido por dois F-16 turcos e acabou por cair em território sírio. Estes são os factos. E quanto a factos não existem argumentos. Ponto final.

No entanto a Turquia diz que o caça russo ignorou repetidamente os avisos das forças turcas – 10 avisos em cinco minutos, afiançam os militares turcos – e que invadiu o espaço aéreo turco, o que não foi a primeira vez que aconteceu nas últimas duas semanas.

A história russa é bem diferente: “O caça russo nunca entrou em território turco, os militares estariam a combater membros do Estado Islâmico, em especial combatentes estrangeiros russos, e foi abatido pelos F-16 turcos em território da Síria”.

O Presidente russo, Vladimir Putin (ex-KGB) foi mais longe no seu discurso, acusando a Turquia de “ser cúmplice dos terroristas do Estado Islâmico (EI)” e de todo o tráfico de petróleo clandestino que chega ao mercado negro do país. Isso constitui a principal fonte de receitas dos ‘jihadistas’.

Indiferente ao que se passou na Turquia, o primeiro-ministro David Cameron, esteve em visita oficial na França e prometeu ao Presidente François Hollande, todo o apoio logístico e militar aos franceses. “Chegou o momento de nós unirmos forças para combater um grupo terrorista que está a espalhar o pânico e o medo na nossa sociedade. Por isso, este problema não afecta apenas e só a França mas sim todos os países ocidentais. Nesse sentido vamos ter que ajudar a França”, esclareceu David Cameron, em Paris.

Le soir du 17 novembre 2015, une patrouille composée de trois Mirage 2000 D et trois Mirage 2000 N décolle de la base aérienne projetée en Jordanie pour une mission de bombardement à Raqqah en Syrie. Quatre avions sont équipés d'une bombe guidée laser GBU 16 de 500 kg et deux avions sont équipés chacun de deux bombes guidées laser GBU 49 de 250 Kg. Lancée depuis le 19 septembre 2014, l’opération Chammal mobilise 900 militaires. Elle vise à la demande du gouvernement irakien et en coordination avec les alliés de la France présents dans la région, à assurer un soutien aérien aux forces irakiennes dans la lutte contre le groupe terroriste Daech. Le dispositif complet est actuellement structuré autour de douze avions de chasse de l’armée de l’air (six Rafale, trois Mirage 2000 D et trois Mirage 2000 N) et d’un avion de patrouille maritime Atlantique 2, basés aux Emirats Arabes Unis et en Jordanie. Il comprend également des militaires projetés à Bagdad et Erbil pour la formation et le conseil des militaires irakiens. Depuis le 24 septembre 2015, la frégate anti-aérienne (FAA) Cassard a rejoint les forces françaises engagées au Levant.
Aviões franceses prontos a bombardear posições estratégicas do Estado Islâmico

Os ingleses já disponibilizaram uma base aérea no Chipre aos franceses e prometem entrar no teatro de guerra ainda esta semana. O que não é novidade para ninguém, o porta-aviões Charles de Gaulle está a ser protegido por navios de guerra britânicos. Só é pena que não haja ninguém que seja capaz de fornecer aos jornalistas, qual o número de cidadãos iraquianos e sírios inocentes, mortos na sequência dos bombardeamentos russos e franceses

Estados Unidos, França, Inglaterra e os responsáveis militares da NATO tentam pôr água na fervura, mas os russos têm vontade de acertar contas com os turcos. E este acerto de contas não é de agora. Vamos ver o que se vai passar nos próximos dias do ponto de vista diplomático.

Os bombardeamentos levados a cabo pela Força Aérea Francesa e pelos russos têm enfraquecido os ‘jihadistas’ do Estado Islâmico (EI). Mas mesmo assim, os mais fanáticos ainda fazem questão de sair às ruas de Raqqa para fazer publicidade à causa e prometem vingança. Triste mas Real. Uma pena não se encontrar uma solução para esta guerra absurda

A segurança para os jornalistas profissionais que estão na Turquia, Curdistão, Chipre e no Mediterrâneo oriental é igual a zero. Ou seja, quem se afoita demais põe em causa a sua própria vida. Aconteceu o mesmo nos outros conflitos internacionais.

Todos aguardam uma oportunidade para entrar na Síria ou no Iraque para fazer registos fotográficos únicos. Escutar a versão dos civis que estão a ser vítimas dos ataques russos e franceses. Fazer reportagens que possam clarificar a situação que se vive no terreno. Mas não está fácil.

Os militares franceses falam em ataques cirúrgicos. Conversa fiada. Música celestial. Mas a esperança é a última a morrer pelo menos para quem ambiciona mais do ponto de vista jornalístico.

Aguardemos pelos próximos capítulos.

 

José Peixe, a bordo do porta-aviões Charles de Gaulle

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