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Sábado, Outubro 23, 2021

A 65ª SEMINCI continua apesar do “recolher obrigatório”

José M. Bastos
Crítico de cinema

No sábado passado começou a edição de 2020 da SEMINCI – Semana Internacional de Cine de Valladolid. Uma edição presencial apesar de todas as dificuldades que estamos a atravessar.

Pois bem, ainda antes do festival começar o governo da Comunidade de Castilla y León decretou o recolher obrigatório a partir das 22 horas. E o que fez a organização do festival, em colaboração com os responsáveis e pessoal dos cinemas? Num esforço notável, da noite para o dia, refez toda a programação, com todos os filmes previstos, mas fazendo com que durante todo o certame as últimas sessões terminem  antes das nove da noite.

Em conclusão: os espectadores ficaram com intervalos mais curtos entre as projecções, com muito menos tempo para comer, mas com muito mais tempo para dormir… apesar de a primeira sessão da manhã ser às 8h30 (7h30 em Portugal). Enfim, não se pode ter tudo!

Depois desta nota sobre as condicionamentos em que está a ser feito o festival (anoto que em todas as sessões a que assisti até agora num tive ninguém sentado a menos de dois metros de mim) falemos um pouco do cinema que por aqui passa.

 

Punto de Encuentro’, um espaço para descobrir cineastas do futuro

A presença de obras de novos realizadores é uma das imagens de marca habitual da SEMINCI.

Primeiras ou segundas obras estão presentes em todas as secções do certame mas é a área ‘Punto de Encuentro’ aquela que é expressamente assumida como o espaço de revelação de jovens talentos. Sempre integrados na matriz fundamental desta mostra espanhola: o cinema de autor. E será curioso notar a quantidade de cineastas que têm visto obras suas serem selecionadas para a secção oficial deste e doutros festivais e que aqui começaram, precisamente em ‘Punto de Encuentro’.

Recorde-se que o vencedor desta secção na edição de 2019 foi o excelente filme luso-suíço “O Fim do Mundo” de Basil da Cunha, há pouco estreado nas salas portuguesas.

Na presente edição, três das dez longas-metragens vêm da China. O Irão, a Índia, a Nigéria, os Estados Unidos, a França e o Reino Unido são os cenários das 7 restantes, várias delas resultado de co-produções.

O sonho da emigração como um meio para encontrar uma vida melhor, a condição feminina em sociedades marcadamente patriarcais, a revisitação de tradições ancestrais, crises existenciais associadas (ou não) à doença, negócios pouco claros no mundo dos cuidados médicos, são alguns dos temas dos trabalhos apresentados. Temas variados desenvolvidos em cenários de geografias muito diversas. Filmes nos quais é suposto encontrar alguma originalidade tanto na forma como no conteúdo.

 

Dois destaques

Bu Zhi Bu Xiu

(Lo mejor está por llegar / The Best Is Yet To Come), de Jing Wang (China)

Na China, em 2003, vivem-se as sequelas da epidemia do SARS. Numa altura em que são os jornais, e ainda não a internet, o meio de comunicação dominante, um jovem obtém um lugar de estagiário num dos diários mais importantes de Pequim. Depois de ganhar o respeito e a confiança do editor começa uma investigação sobre o mundo da ‘fraude médica’. Acaba por se ver perante um dilema: publicar um trabalho de grande impacto mediático que lhe poderá valer um emprego permanente ou calar-se para não pôr em causa o tratamento de milhões de pessoas.

 

Eyimofe

de Arie Esiri, Chuko Esiri (Nigéria / Estados Unidos)

O sonho de um homem e uma mulher que procuram sair da Nigéria com o objectivo de melhorarem a vida dos seus familiares é desfeito por vicissitudes várias. À medida que o tempo passa e a resignação chega, aprendem que o futuro que procuram desesperadamente pode ser construído sem saírem do seu país.

 

Outros filmes em competição

  • Eeb Allay Ooo! de Prateek Vats (Índia)
  • Khate farzi / A Regra dos 180 º de Farnoosh Samadi (Irão)
  • Mainstream de Gia Coppola (Estados Unidos)
  • Mogul, Mowgli de Basam Tariq (Reino Unido)
  • Piedra Sola ,de Alejandro Telémaco Tarraf (Argentina / México / Qatar / Reino Unido)
  • Ri Guang Zhi,(La Muela del juicio), de Liang Ming (China)
  • Shao Nv Jia He (El verano es la estación más fría / Summer is the Coldest Season), de Zhou Sun (China)
  • Slalom, de Charlène Favier (França / Bélgica)

 

As curtas de “Punto de Encuentro”

São oito as curtas-metragens em competição nesta secção:

 

As curtas-metragens de produção espanhola são exibidas no âmbito de ‘La Noche del Corto Español‘.

São elas:

  • Ascenso de Juanjo Giménez Peña
  • L´estranyab Them de Oriol Guanyabens Pous
  • Si amanece, nos vamos de Álvaro Feldman e Laura Obradors
  • Sintra III de Iván Casajus e Aitor Echeverría
  • Stanbrook  de Óscar Bernàcer

 

O júri de “Punto de Encuentro”

O júri de ‘Punto de Encuentro’ é formado pelo cineasta e escritor argentino Enrique Gabriel, pelo produtor romeno Razvan Lazarovici e pelo produtor e distribuidor espanhol Paco Poch.

 

Homenagem a Goran Paskaljevic

No passado dia 25 de Setembro morreu em Paris, aos 73 anos, o cineasta sérvio Goran Paskaljevic, realizador premiado em variadíssimos festivais incluindo o nosso saudoso FESTROIA.  No primeiro dia desta 65ª edição, a SEMINCI homenageou o autor que participou oito vezes na secção oficial e por três vezes foi distinguido com a “Espiga de Ouro” do certame de Valladolid (em 1995 com Someone Else’s América, em 2006 com Optimisti,  e em 2009).

Na circunstância foi exibido o seu filme Honeymoons (Medeni mesec), de 2009, o grande vencedor da 54ª SEMINCI.

Honeymoons (Medeni mesec), de 2009


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