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João de Sousa

Sexta-feira, Julho 19, 2024

A entrevista a António Costa

Uma entrevista não pode passar disso mesmo. Uma entrevista!

Acontece com regularidade haver uma confrangedora vulgaridade nas entrevistas efetuadas pelos meios de comunicação social a entrevistados escolhidos a olho e entrevistadores com deficits vários.

Não raramente, um qualquer espectador que liga a sua TV, se depara com dois indivíduos que dirimem argumentos, ficando sem saber quem é quem. Ou seja; quem é o entrevistador e, quem é o entrevistado.

E quando no ecrã aparece o usual painel de comentadores de ocasião selecionados a gosto, está o caldo entornado porque, o principio de “cada cabeça sua sentença” é obliterado uma vez que o resultado é sempre a discordância ou a descontextualização daquilo que foi dito pelo entrevistado para passar a vómito de um chorrilho de opiniões pessoais sobre o não dito porque o contexto é desconexo.

Atravessamos um tempo em que a capacitação jornalística não acontece e a matriz linguística sofre atentados recorrentes associados a um comportamento inadequado ao exercício profissional que é exigente e que por isso devia ser responsável. Na informação; na analise; nas abordagens; e, sobre tudo, nas entrevistas.

Os entreteiners fazem falta mas, para isso, há espaços adequados. Não são todos. Muito menos aqueles em que são previamente anunciadas entrevistas.

Assim como não são todos os jornalistas medíocres. Também os há com capacidade identitária na isenção e no respeito pela opinião alheia.

É neste contexto que acontece uma entrevista feita a António Costa, Primeiro Ministro de Portugal demitido, num quadro de interesses obscuros que vão muito para além dos risórios motivos anunciados.

(Escutas a terceiros; dinheiro propriedade de outros; suposta influência que afinal envolvem outros intervenientes; ministros em permanente vigilância com custos que nunca nos serão apresentados redundantes em autênticos fiascos; e outros motivos que colocam alguns funcionários da justiça, ao seu nível superior, na raia do ridículo.)

António Costa em 2015 teve a coragem de afrontar interesses instalados e fazer acordos sibilinos com a direita política que lhe custaram as mágoas e os enxovalhos porque está a passar.

Houvesse matéria consistente e, o Secretário Geral do Partido Socialista seria politicamente crucificado e socialmente espezinhado.

Não houve, nem há,  matéria, e por isso António Costa deixa o Governo de cabeça erguida e com o seu prestigio reforçado por muito que os papagaios que vivem da politica e os seu acólitos o tentem denegrir.

Ajuízam sermos nós,  os Portugueses, todos parvos que engolimos o que nos impingem por não sermos capazes de discernir o certo e o errado e por isso o disco que tocam é sempre o mesmo acusando António Costa daquilo que Passos Coelho fez dando continuidade a politicas neoliberais dos Governos do seu partido.

  • O SNS que querem destruir.
  • A educação que reverteram;
  • O roubo do tempo de serviço aos  professores e demais funcionários públicos.
  • As pensões que congelaram
  • O salario mínimo que minimizaram.
  • A falta de habitação.
  • A juventude que mandaram emigrar,
  • Os subsídios que extorquiram.
  • Os feriados que eliminaram.
  • O desemprego que aumentaram.
  • O macro investimento estrangeiro que menorizaram.
  • A TAP que saldaram.
  • A EFACEC que descartaram.
  • Entre um conjunto de medidas politicas e sociais que delapidaram o Estado e empurraram para a pobreza as populações.

Tudo a pretexto da diminuição da divida publica e de cumprir as imposições do Fundo Monetário Internacional que transcenderam em prejuízo dos cidadãos o que o próprio exigia.

É obvio que num mandato da Geringonça era impossível restaurar tudo aquilo que havia sido destruído e que depois a maioria absoluta do PS para conseguir equilibrar compromissos com o Centro Direita, descambou.

Mesmo assim, António Costa, na entrevista que deu à CNN, deu uma lição superior de estratégia política e de postura de figura de Estado que deixa a anos luz todos os líderes da oposição sendo que, obrigou a que os seus principais rivais tivessem de recorrer ao trivial que não consegue vencer a mediocridade e o baixo nível na argumentação.

Foi uma entrevista em que nada ficou por dizer com um à vontade e uma vontade forte em pugnar por um modelo de Estado Social que dignifica os movimentos Socialistas e seus congéneres em Portugal e no mundo.

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