Diário
Director

Independente
João de Sousa

Quarta-feira, Outubro 5, 2022

A exploração da África, da mulher, do negro e a luta por igualdade

Marcos Aurélio Ruy, em São Paulo
Marcos Aurélio Ruy, em São Paulo
Jornalista, assessor do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo

Dois clássicos na música fazem parte desta seleção de canções que de alguma forma tratam o tema trabalho. Woman Is the Nigger of the World (A Mulher É o Negro do Mundo), de John Lennon e Yoko Ono une dois personagens que sofreram e sofrem coma exploração de seus corpos e força de trabalho com o surgimento da propriedade privada e com ela, a intenção de acumulação de riquezas.

A população negra foi escravizada durante séculos pelos brancos europeus e seus remanescentes e a mulher sofreu e ainda sofre a opressão do patriarcado, como mostra Friedrich Engels no livro A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado.

John Lennon e Yoko Ono

Por isso, é necessário pensar a respeito dessas discriminações, afirmam Lennon e Yoko (foto) para compreender porque a sociedade machista pretende submeter a mulher aos caprichos do homem com reflexos no mercado de trabalho e na vida.

Também é importante entender e refletir, como o historiador Clóvis Moura nos mostra, sobre a escravização de seres humanos trazidos à força da África por quase 4 séculos no Brasil. Moura nos mostra que eram trabalhadoras e trabalhadores que lutavam contra o regime que os oprimia e explorava, o escravismo.

Lennon e Yoko cantam os males e espantam os fantasmas da opressão.

“A mulher é o negro do mundo,
Sim ela é
Se não acredita em mim,
Olhe para a que está com você
A mulher é escrava dos escravos
Ah, melhor gritar a respeito disto.”

A Mulher É O Negro do Mundo

A mulher é o negro do mundo
Sim, ela é,
Pense a respeito
A mulher é o negro do mundo
Pense a respeito…
Faça algo contra isso

Nós fazemos ela pintar o rosto e dançar
Se ela não quer ser nossa escrava, dizemos que não nos ama
Se ela é sincera, nós dizemos que ela está tentando ser um homem
Enquanto botamos ela para baixo, fingindo que ela está acima de nós

A mulher é o negro do mundo,
Sim ela é
Se não acredita em mim,
Olhe para a que está com você
A mulher é escrava dos escravos
Ah, melhor gritar a respeito disto

Nós fazemos ela parir e criar nossos filhos
E depois a deixamos feito uma velha e gorda mãe galinha
Nós dizemos a ela que o único lugar onde ela deveria estar é em casa
E depois reclamamos que ela é provinciana demais para ser nossa amiga

A mulher é o negro do mundo,
Sim ela é
Se não acredita em mim, olhe para a que está com você
A mulher é o escravo dos escravos
Sim (Pense a respeito)

Nós insultamos ela todo dia na TV
E maravilhosamente perguntamos porque ela não tem coragem e confiança
Quando ela é jovem, nós matamos seu desejo de ser livre
Enquanto dizemos para ela para não ser tão esperta
A botamos para baixo por ser tão boba.

A mulher é o negro do mundo,
Sim ela é
Se não acredita em mim, olhe para a que está com você
A mulher é o escravo dos escravos
Sim, ela é
Se você não acredita em mim, é melhor gritar a respeito

Nós a fazemos pintar seu rosto e dançar

 

Lewis Allan (Abel Meeropol)

Strange Fruit (Fruta Estranha), de Lewis Allan, pseudônimo de Abel Meeropol, interpretada por Billie Holiday, é um clássico da música de protesto. Assusta pelo realismo e pelo canto em tom de lamento, forte, profundo, impossível ficar indiferente.

A grande cantora norte-americana conta em sua biografia que a primeira vez que interpretou essa canção num clube noturno de Nova York, assim que terminou fez-se profundo silêncio. “Então uma pessoa começou a aplaudir nervosamente e, de repente, todo mundo estava aplaudindo.”

As frutas estranhas da música eram os corpos dos negros linchados e pendurados em árvores no Sul – escravista – dos Estados Unidos.

“Sangue nas folhas e sangue nas raízes,
Corpos negros balançando na brisa do sul,
Frutas estranhas penduradas nos álamos.”

Fruta Estranha

Árvores do sul produzem uma fruta estranha,
Sangue nas folhas e sangue nas raízes,
Corpos negros balançando na brisa do sul,
Frutas estranhas penduradas nos álamos.

Cena pastoril do heróico sul,
Os olhos inchados e a boca torcida,
Perfume de magnólias, doce e fresco,
E de repente o cheiro de carne queimada.

Aqui está a fruta para os corvos puxarem,
Para a chuva colher, para o vento sugar,
Para o sol secar, para a árvore pingar,
Aqui está a estranha e amarga colheita

 

Izy Mistura e Opai BigBig (Dois Africanos)

A banda Dois Africanos surge em 2012, na Paraíba, para misturar o som de seus países com a música popular brasileira. Se autodefinem como cantores de Afro POP (Pop Rap e R&B com várias influências musicais de origem africana). A dupla é formada por Opai Bigbig, de Benin, e Izy Mistura, do Togo.

Primeiro Passo, de Izy Mistura e Opai BigBig, retrata bem essa disposição de mostrar ao mundo que o continente africano é bem mais do que selva, miséria e sofrimento. Nela habitam seres humanos que lutam para superar a pobreza, a escravização e também para serem respitados.

“África no coração com o izy mistura
Tô mudando a visão do mundo sobre áfrica
Sangue de escravo
Filhos de homens bravos
A gente tá se batendo pra conseguir um sonho, olha!”

Primeiro Passo

Opai bigbig, izy mistura
Dois africanos, izy!
Cara você sabe, algumas vezes, tenho vontade de deixar tudo isso
Vamos voltar né?
Ok esperamos pra ver, quem sabe?
Um dia, se Deus quiser, a gente vai conseguir o sonho aqui no brasil
Dois africanos, isso é nosso primeiro passo
La ilaha ill allah muhammadur rasool allah
Mawu la woè
Lets go, dois africanos, uh!

Se for pra te contar uma história, me deixa te falar de mim
Cada dia é uma nova etapa agora ‘tamos aqui
Isso é o primeiro passo

África no coração com o izy mistura
Tô mudando a visão do mundo sobre áfrica
Sangue de escravo
Filhos de homens bravos
A gente tá se batendo pra conseguir um sonho, olha!
Dinheiro não tem pra mim nenhum valor
Minha África, cara, é uma casa do amor
No caminho do sucesso a vida não é fácil
É triste que mesmo a lei seja ilegal
O que tenho não devo isso pra ninguém
Cada meu hoje é melhor que meu ontem
Estudante da vida, tô sozinho na rua
Minha memória está cheia da história

Se for pra te contar uma história, me deixa te falar de mim
Cada dia é uma nova etapa agora ‘tamos aqui
Isso é o primeiro passo

From words to images, from wills to dreams to realities
From fights to victory
Music chasin’ away my tears
Deixamos pais e amigos pra estar aqui
Porque um dia entendemos que devemos sair
De lá pra cantar nossas vidas verdadeiras
O sonho é tão grande que a gente não dorme
Aqui, aprendi a acreditar
Aqui, vi que sonhar é de graça
A vida pertence aos lutadores
A rua, o melhor dos professores

Se for pra te contar uma história, me deixa te falar de mim
Cada dia é uma nova etapa agora ‘tamos aqui
Isso é o primeiro passo

Se for pra te contar uma história, me deixa te falar de mim
Cada dia é uma nova etapa agora ‘tamos aqui
Isso é o primeiro passo


Texto em português do Brasil


Receba a nossa newsletter

Contorne o cinzentismo dominante subscrevendo a Newsletter do Jornal Tornado. Oferecemos-lhe ângulos de visão e análise que não encontrará disponíveis na imprensa mainstream.

 

Receba a nossa newsletter

Contorne o cinzentismo dominante subscrevendo a nossa Newsletter. Oferecemos-lhe ângulos de visão e análise que não encontrará disponíveis na imprensa mainstream.

- Publicidade -

Outros artigos

- Publicidade -

Últimas notícias

Mais lidos

- Publicidade -