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João de Sousa

Terça-feira, Outubro 26, 2021

A geringonça de Pedro em busca de Aliança

É suposto uma geringonça ser algo sem nexo, de razoabilidade e racionalidade nula. E sem condições de articulação dos seus movimentos possível, por inexequível.

Uma coisa complicada, de tal forma complexa em que ninguém acredita porque nunca funcionará.

Este rótulo, o de uma geringonça, foi um rótulo depreciativo com que a dupla: Passos Coelho e Paulo Portas, este ultimo, entretanto desaparecido, sem que se saiba se de forma “irrevogável”, uma vez que Assunção Cristas não tem dado conta do recado perdendo credibilidade junto do seu eleitorado tradicional que a olha de viés face ao nível das propostas apresentadas no Parlamento e das sugestões completamente à toa com que os tem brindado sem qualquer sustentação credível de viabilidade social em seu beneficio salvo o dos interesses de uma minoria que se serve do partido para segurar um espaço que diminui a sua influencia politica mas também económica.

Paulo Portas, conjuntamente com os seus pares no tempo, rotularam a viabilidade de um acordo Parlamentar entre o Partido Socialista, o Bloco de Esquerda, Os Verdes e o Partido Comunista no sentido de que o Partido Socialista apresentasse uma solução de Governo da República liderada pelo seu Secretario Geral, António Costa, de ser uma autêntica “geringonça” que duraria três meses na melhor das hipóteses.

Esqueceu-se Paulo Portas de que a dinâmica política e social não se compadece com vaidades saloias e muito menos com comentários de cordel numa qualquer estação de televisão que só promovem o próprio enquanto que o seu partido ao passar para segundo plano da contenda politica sem uma liderança forte ficou condenado a implodir numa outra qualquer solução politica de direita que viesse a surgir.

Pedro Passos Coelho, derrotado no Parlamento e dentro do seu Partido, “cobrou” o estatuto de Professor Universitário deixando boquiaberto o meio académico, docentes e alunos, mas também a sociedade em geral, ao “passar a imagem” de que afinal qualquer um pode exercer tão distinto cargo desde que tenha os apoios necessários para o efeito sem que seja necessária formação especifica para o efeito. “Queimar as pestanas” como se diz na gíria do meio.

E, assim, mudou de ares como a quase totalidades dos seus antecessores com responsabilidades políticas neste espaço do centro direita que navega entre a social democracia da direita conservadora e o neoliberalismo da direita mais retrógrada. Algo de comum neste espaço político de onde quase todos somem porque lhes serviu de trampolim para outros voos melhor remunerados a troco das benesses que tiveram de conceder.

É neste cenário de orfandade que surge um “salvador” quiçá, bem aconselhado e sem nada a perder na sua esfera de influência privada, a tentar reunir os cacos em que toda a direita se fragmentou.

Pedro Santana Lopes. Mais um Pedro.

Um Pedro que funda um partido político de nome Aliança.

Uma Aliança que tenta agregar à sua volta toda a direita transitada do Estado Novo em sintonia com a direita emergente mais a direita que se autointitula de a direita dos valores, assim como a direita que se rotula de ser social democrata até à franja da direita escondida na aba politica da direita socialista.

Rui Rio que se cuide porque o seu espaço minga e o PS de António Costa que se cuide também porque a esquerda social e política concentra sinergias e cada vez mais é exigente no que toca a soluções políticas conducentes a um modelo de Estado Social.

Uma nova conjuntura a considerar em profundidade nas próximas Eleições Legislativas.

Entretanto, a geringonça do rótulo inicial aposto por Paulo Portas, esse que os detratores internos aproveitaram de imediato para uso de critica fácil e que foi coisa que não conseguiram, uns e outros, porque a execução política das mediadas acordadas entre as partes tem trazido ao País resultados positivos em todas as frentes do combate político, económico, financeiro e social nomeadamente nos domínios:

  • execução orçamental;
  • estabilização da divida externa com redução pontual;
  • recuperação do emprego diminuindo a taxa do desemprego;
  • aumento do investimento externo e interno;
  • reposição do poder de compra generalizado;
  • reposição de regalias retiradas aos funcionários do Estado;
  • reposição dos direitos inferidos aos feriados nacionais retirados;
  • aumento do salário mínimo nacional:
  • aumento das pensões de reforma;
  • entre um conjunto de medidas mais alargadas como o são o Serviço Nacional de Saúde, a Escola Pública e muitas outras não enumeradas;

Virou-se o feitiço contra o feiticeiro e, afinal, o que ficou em formato geringonça foi:

  • o acordo PSD/CDS que colapsou;
  • o perfil Paulo Portas que Implodiu;
  • a figura de Passos Coelho que se remeteu à insignificância intelectual de que é dotada;
  • o bluff monstruoso de que a comunicação social é capaz ao forjar a mediocridade em sapiência e a sapiência em mediocridade.

Abortaram também as “barrigas de aluguer” internas que tudo fizeram para que o Partido Socialista não assumisse a sua vocação ideológica liderando uma alternativa de Governo de esquerda ao ponto de juntarem a sua voz às intenções da direita mais radical de que há memória que defendiam um Governo PSD só porque esse foi o partido mais votado.

Votando ao desinteresse a vontade do eleitorado que elegeu uma maioria Parlamentar de esquerda representativa, e que um Governo da Nação deve refletir essa vontade política porque a eleição legislativa é uma eleição para o Parlamento e não uma eleição direta num partido para que forme governo.

O nosso sistema político tem regras a que os partidos políticos concorrentes estão obrigados sendo que, dispor do apoio de uma maioria Parlamentar é incontornável para que se forme Governo; aprove o Orçamento Geral do Estado; aprovem medidas legislativas de sustentação politica; demais medidas e propostas de âmbito e influencia social que também necessitam dessa maioria para que sejam aprovadas.

Por isso, ao invés da geringonça que se solidificou, a direita esboroou-se e tornou-se ela próprio em uma geringonça desalmada à procura de soluções em fase de desespero.

Com Pedro, sem Pedro. Com Rui, sem Rio, ou coisa que lhes valha.

 

Por opção do autor, este artigo respeita o AO90

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