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João de Sousa

Quarta-feira, Outubro 27, 2021

A intolerância

A intolerância não é circunstancial, ocasional ou sequer, condicional.

A intolerância corre nas células cerebrais que emanam sinais de conduta depois de, aquando do seu crescimento e desenvolvimento intelectual, terem sido moldadas para a vida em sociedades competitivas por uma educação que é uma fraude em cadeia circular influenciando todos os atos com premeditação. A arquitetura social está impregnada de fatores corrosivos assentes em princípios desadequados ao tempo em que ocorrem.

Tanto nos efeitos mais vulgares como nos efeitos mais complexos da espiral social que segrega, marginaliza e exclui, todos os que tenha por obstáculos. Individual; de grupo social; de confissão religiosa; de minoria étnica; e outros; mas, é mais incisiva e contundente sobre os indivíduos tidos por diferentes na sua compleição física ou de conduta mental.

Se, no princípio a sobrevivência assim o ditava instintivamente porque o instinto é um dom natural para que uma espécie sobreviva. Séculos depois, em que o planeta já passou por várias metamorfoses e o Ser Humano desde o seu desenvolvimento como espécie, por vários estádios civilizacionais, seria de esperar o esbatimento do instinto em favor da educação e posterior formação em prol do desanuviar da organização tribal inicial.

Infelizmente, ao longo dos estádios Históricos citados, o Ser Humano manteve o cerne intuitivo do instinto e a educação e a formação como complementares. Este trajeto teve repercussões dantescas no meio ambiente e fratricidas entre as diversas comunidades muitas vezes de uma só nação para vir a desembocar em confrontos à escala mundial.

O comércio foi a mola propulsora da relação intercultural no tempo a par da implantação das religiões que ocuparam o espaço até então ocupado por outras crenças contribuindo para o desenvolvimento civilizacional e de organização social das diversas comunidades. O comando assumiu preponderância operacional desde sempre e a organização dos exércitos uma hierarquia distinta dividida por estatuto social de propriedade. A riqueza diferenciadora da pobreza e da escravatura.

É neste puzzle que a formatação do poder surge e chega ao tempo presente mesmo que de forma diferenciada e de rosto mais ou menos humanizado. A intolerância nunca foi combatida no cerne da formatação do Homem por ser um imperativo primário de todos os sistemas de organização política e social existentes.

Bem podem os diversos órgãos de comunicação audiovisual tentar mascarar de notícia os acontecimentos pontuais no mundo onde a intolerância atinge elos do poder instituído quiçá resultado de uma outra intolerância residente que alastrando se transforma em levantamento insurrecional sem qualquer controlo em que cada um acaba vítima de si próprio num contexto de organização politica e social no atual estádio civilizacional em que as diversas civilizações se encontram, no mundo.

Importa por isso frisar que, enquanto não houver coragem política para proceder a uma autêntica revolução na forma e no método do ensino publico alterando-lhe os conceitos sobre as matérias primárias de suporte à formatação do intelecto individual nada mudará e a intolerância permanecerá ativa no intelecto dos indivíduos trazendo sempre ao de cima os ódios que ao longo das gerações e dos seculos lhes foram incutidos.


Por opção do autor, este artigo respeita o AO90


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