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Quinta-feira, Agosto 5, 2021

A luta não cessa até todos terem acesso aos frutos do seu trabalho

Marcos Aurélio Ruy, em São Paulo
Jornalista, assessor do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo

A música leva a lugares inimagináveis como canta o grande compositor Lupicínio Rodrigues (1914-1974) na canção Felicidade: “O pensamento parece uma coisa à toa, mas como a gente voa quando começa a pensar”.

A seleção desta semana traz quatro nomes da música popular brasileira, de diferentes gerações e o trabalho de resistência ao apartheid e em defesa dos direitos humanos da grande cantora e compositora sul-africana Miriam Makeba.

Lirinha, Antônio Nóbrega e Paulinho Timor, de maneira diversa cantam o sonho de construção de uma civilização voltada para o amor e o respeito. Tema presente nas obras de Dolores Duran, gigante da música popular brasileira. Vale conferir as obras desses talentos.

 

Antônio Nóbrega

O pernambucano Antônio Nóbrega chegou a participar do Quinteto Armorial, de Ariano Suassuna (1927-2014). Desenvolveu concepções próprias criando um som singular. Em “Ninguém Solta a Mão, Ninguém” traduz o sentimento de milhões de brasileiros em defesa da unidade contra o nazifascismo.

Antônio Nóbrega durante a cerimônia de recebimento de entrega do Título de Cidadão Paulistano na Câmara Municipal de São Paulo (Henrique Boney)

“Demos as mãos
nesta roda virtual;
a ciranda contra o mal,
ela não pode parar.
Pois de mãos dadas
a corrente não se parte.
Contra o ódio, viva a arte,
nossa voz não vão calar”

 

Ninguém Solta a Mão, Ninguém (2020), de Antônio Nóbrega e Wilson Freire

 

 

Miriam Makeba

Importantíssima voz contra o apartheid – regime segregacionista, implantado em 1948 na África do Sul e só acabou em 1994 com a eleição de Nelson Mandela (1918-2013) para a presidência do país -, a cantora e compositora  Miriam Makeba (1932-2008), conhecida como  Mama África, homenageada na  música de mesmo nome de Chico César.

Nos anos 1960 foi viver nos Estados Unidos, onde enfrentou problemas após casar com o porta-voz do movimento Panteras Negras, Stokely Carmichael (1941-1998). Sua voz ainda ecoa em defesa da igualdade e da liberdade.

“Todos os teus filhos
Devem colher o que você plantou
Este continente é o lar
Meus irmãos e irmãs
Levantem-se e cantem”

 

A Luta Continua (1975), de Miriam Makeba

 

 

Paulinho Timor

O sambista paulistano, Paulinho Timor canta a resistência da cultura popular aos desmandos do capital, que destrói a natureza e a vida das pessoas.

“O samba sempre foi a voz do povo
E vem de novo com muita força e vigor
O samba ainda tem a sua magia, perfume e fantasia
E mania de revolução”

 

O Samba Chegou (2019), de Paulino Timor

 

 

Lirinha

O também pernambucano Lirinha tem um trabalho voltado para as questões sociais na música, no teatro e na literatura. Integrou o grupo Fogo do Cordel Encantado do início em 1999 até 2010, quando partiu para carreira solo. Além de misturar sons regionais com rock e MPB, a atuação cênica é uma constante em seus shows.

“O trabalho é um processo entre a natureza e os homens
Realiza, regula, controla
Toda força é usada pra controlar e depois se divide pra produzir
Ninguém está só
Todos trabalham, e todos tem acesso aos frutos do seu trabalho?”

 

Mercadorias e Futuro (2008), de Buguinha Dub e Lirinha

 

 

Dolores Duran

A carioca Dolores Duran (1930-1959) estreou em disco em 1952, mas já cantava nas noites da capital fluminense. Suas composições são antológicas e traduzem o sentimento das mulheres na intenção de suplantar as barreiras do patriarcado.

Cantou e compôs boleros, salsas, choros e sambas, com grande destaque para o samba-canção. Inovou a música popular brasileira e se impôs num mercado amplamente machista.

“Ai, a solidão vai acabar comigo
Ai, eu já nem sei o que faço e o que digo
Vivendo na esperança de encontrar
Um dia um amor sem sofrimento
Vivendo para o sonho de esperar
Alguém que ponha fim ao meu tormento”

 

Solidão (1958), de Dolores Duran


Texto em português do Brasil


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