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João de Sousa

Terça-feira, Outubro 4, 2022

A pandemia criou um novo bilionário a cada 30 horas

A Oxfam reportou que durante a pandemia, o mundo teve a adição de 573 novos bilionários, em um total de 5.668. Desses, 62 foram na indústria alimentícia e 40 em grande farmacêutica. Enquanto isso, a combinação de coronavírus, desigualdade de renda crescente e aumento dos preços dos alimentos empurrou 263 milhões de pessoas no mundo todo para a extrema pobreza em 2021.

Os bilionários do mundo – tanto indivíduos quanto corporações – colheram dólares adicionais da batalha contra a pandemia do coronavírus, mesmo quando aumento de preços, controle de monopólios e ganância absoluta empurraram milhões de pessoas no mundo todo para a fome, diz um recente relatório da ong Oxfam. O resultado: um novo bilionário criado pela pandemia a cada 30 horas, a Oxfam calcula em seu relatório, lucrando com a Dor.

E esse contraste e sofrimento por sua vez tem implicações para os EUA e seus trabalhadores. Não apenas a nação deve tentar alimentar o mundo, apesar das ações de tais plutocratas, mas ela deve também lidar com o crescente fluxo internacional de refugiados de guerra, seca, doenças e fome.

Usando a multinacional produtora de alimentos Cargill como apenas um exemplo, a Oxfam afirma que “durante a pandemia de COVID-19 (coronavírus), a montanha de riqueza” fluindo para bilionários individuais “alcançou alturas sem precedentes e vertiginosas. A pandemia foi um dos melhores tempos na história registrada para a classe bilionária.”

Foi uma bonança para James Cargill II e outros membros da família que possuem a gigante do agronegócio, a Oxfam diz. Combinada, “sua fortuna cresceu em $20 milhões por dia desde que a pandemia começou” e subiu de $28 bilhões em 2020 para $43 bilhões em 2021. A parte da Cargill de um oligopólio de quatro empresas, controlando 70% das commodities de alimentos do mundo, capaz de aumentar os preços à vontade.

“Em 2021, a Cargill fez quase $5 bilhões em resultado líquido, o maior lucro em sua história.” Em 2020, ela pagou $1,13 bilhões em dividendos, “a maioria dos quais foram para membros da família estendida (Cargill). A empresa espera bater seu recorde de lucros novamente em 2022.”

E, ecoando um ponto comum da Campanha das Pessoas Pobres nos EUA, mesmo quando os governos entraram com ajuda para a pandemia, muito disso flui para os bolsos das corporações e dos ricos.

Enquanto isso, os preços dos alimentos no mundo todo aumentaram em um terço em 2021, quando a pandemia produziu escassez em quase todos os continentes. A Oxfam prevê que os preços devem crescer em 23% esse ano – impulsionados por gastos militares e guerra e pela escassez de alimentos que resulta deles. A manipulação de preços, é claro, contribuiu enormemente para os aumentos tanto no preço dos alimentos quanto no número de bilionários. Países em desenvolvimento na África Subsaariana e na Ásia, já sofrendo com os efeitos das mudanças climáticas e guerra, estão entre os mais atingidos.

A Oxfam reportou que durante a pandemia, o mundo teve a adição de 573 novos bilionários, em um total de 5.668. Desses, 62 foram na indústria alimentícia e 40 em grande farmacêutica. Enquanto isso, a combinação de coronavírus, desigualdade de renda crescente e aumento dos preços dos alimentos empurrou 263 milhões de pessoas no mundo todo para a extrema pobreza em 2021.

“Os bilionários dos setores de alimentos e energia viram suas fortunas crescerem em $1 bilhão a cada dois dias enquanto os preços dos alimentos e da energia cresceram para os seus níveis mais altos em décadas,” a Oxfam reporta. A grande farmacêutica atingiu grande, também. Assim fez a alta tecnologia. Ou, como a Oxfam aponta, Elon Musk, “que pode perder 99% de sua riqueza e ainda estar nos 0,0001% das pessoas mais ricas do mundo.

Mais o Wal-Mart. No fim de 2021, os Walton que o possuem valiam coletivamente $238 bilhões, um número que cresceu $8,8 bilhões em um ano, ou $503.000 a cada hora. A maioria dessa riqueza é o valor crescente da empresa, mesmo como os Walton acumularam $15 bilhões em dividendos, combinados, nos últimos cinco anos. Mas o Wal-Mart ainda relutantemente abaixa o pagamento de seus trabalhadores.

A grande farmacêutica ganhou muito

A grande farmacêutica particularmente se beneficiou da pandemia, quando os governos, notavelmente nos EUA e na Europa, forneceram bilhões de dólares em subsídios para as empresas para produzirem vacinas de COVID-19, equipamentos protetores individuais, tratamentos e testes.

A Moderna, por exemplo, usando $10 bilhões a Lei de Resgate Americano, mas também da legislação promulgada sob o anterior regime Republicano de Trump, o converteu “em cerca de $12 bilhões em lucros de vacinas até a presente data. A Moderna criou quatro novos bilionários da vacina que valem um combinado de $10 bilhões, enquanto apenas 1% de seu total de vacinas foi para as pessoas nos países mais pobres.”

Então, há o outro fim do espectro: o resto de nós.

De novo, olhe para o Wal-Mart, que é notório não apenas por seus preços baixos e pagamento mais baixos, mas por suas desenfreadas, organizadas e administradas de cima práticas anti-sindicais.

“A pesquisa da Oxfam descobriu que os trabalhadores na cadeia de suprimentos” – em outras palavras, depósitos e super-centros do Wal-Mart – “são os que sofrem quando as corporações protegem seus lucros, e que apenas 5,9% do valor de uma cesta média de mantimentos alcança os pequenos agricultores.” Para onde o resto do dinheiro vai? Para os chefes da Cargill, do Wal-Mart e os monopolistas afins.

E a classe bilionária e as empresas gigantes usam sua riqueza para pressionar e fazer lobby para legisladores e governos para proteger seus lucros, via patentes longas e preservando o monopólio de direitos de propriedade intelectual – quando eles não estão temperando seus ganhos ilícitos em paraísos fiscais.

Enquanto isso, “através do mundo, de Nova York a Nova Delhi, as pessoas comuns estão sofrendo. Os preços em todos os lugares estão crescendo – por farinha, óleo de cozinha, combustível e eletricidade. As pessoas em todos os lugares estão sendo forçadas a cortar, forçadas a encarar o frio ao invés de aquecer suas casas. Forçadas a pular cuidados médicos para assegurar que haja comida na mesa.

“Os pais forçados a escolher qual – se algum – de seus filhos eles podem se dar ao luxo de mandar para a escola,” particularmente em nações em desenvolvimento onde as famílias devem despachar o pagamento das propinas mesmo para escolas públicas. “Através do mundo, cada dimensão da desigualdade disparou.”

Os mais prejudicados: mulheres trabalhadoras, trabalhadores de cor e os pobres, que viram suas já baixas rendas caírem em uma média de 6,7% desde que a pandemia começou. Isso é verdade nos EUA, também.

As lacunas de expectativa de vida entre negros e brancos nos EUA aumentaram. “Em 2021, 3,4 milhões a mais de negros americanos estariam vivos hoje se suas expectativas de vida fossem as mesmas das pessoas brancas. Antes da COVID-19, esse número alarmante já era de 2,1 milhões. E metade de todas as mulheres trabalhadoras de cor nos EUA ganham menos de $15 por hora.”

A Oxfam reportou que a renda de 99% dos mais de sete bilhões de pessoas no mundo caiu desde que a pandemia começou, incluindo 125 milhões e contando que perderam permanentemente seus empregos. Os números dos EUA, embora não sejam tão ruins quanto os números do mundo, teriam sido muito piores se o Presidente Democrata Joe Biden e os congressistas Democratas não tivessem promulgado a Lei de Resgate Americano, embora a Oxfam não diga isso.

Esse gasto – que os Republicanos agora gritam como gatos que produz inflação e ao qual todos eles se opõem – reduziu o desemprego nos EUA de uma alta a pandemia de 16% (oficialmente) e a faixa percentual baixa de 20, contando todos os cheques de desemprego, para seu presente 3,6%.

Adicione desigualdade vacinal

No topo da crescente desigualdade de renda está a desigualdade vacinal. Uma razão porque a pandemia persiste é que nações desenvolvidas compraram a maioria das vacinas disponíveis em uma guerra de lances precoce. Desde então, a grande farmacêutica restringe a disponibilidade de vacinas em nações em desenvolvimento sob o pretexto de proteger os diretos de propriedade intelectual.

O resultado, a Oxfam diz: “As taxas de vacinação estão atualmente em apenas 13% em nações de baixa renda.” Elas estão acima de dois terços nos EUA, apesar da resistência desesperada de raivosos Republicanos trumpistas, alimentados por promessas de que desinfetante mataria o vírus.

“Essa é uma desigualdade que mata, contribuindo para a morte de pelo menos uma pessoa a cada quatro segundos,” seu estudo declara.

Um grupo de políticos progressistas, liderado pelas senadoras Elizabeth Warren (Distrito de Massachussetts) e Tammy Baldwin (Distrito de Wisconsin), com Bernie Sanders (Ind-Vt) como um dos vários copatrocinadores, introduziu uma legislação para fazer algo sobre a manipulação de preços e a tomada de lucros. Eles não vão tão longe quanto a principal proposta da Oxfam: um imposto de 99% sobre o excesso de lucros e taxas similares nas bonanças dos bilionários.

Sua Lei de Prevenção a Manipulação de Preços, também introduzida na Casa dos Representantes pelo Republicano Jan Schakowisky (Distrito de Illinois), “proibiria a prática de manipulação durante todas as perturbações de mercado anormais – incluindo a pandemia – autorizando a Comissão Federal de Comércio (FTC, na sigla em inglês) e os procuradores gerais do estado a impor uma proibição federal contra aumento de preços inconscientemente excessivos, sem considerar a posição de um vendedor na cadeia de suprimentos,” diz um resumo.

“Essa legislação também fortalece e expande exigências para empresas públicas para divulgar suas estratégias de preços em seus arquivamentos com a Comissão de Segurança e Câmbio e concede novo financiamento para a FTC,” ele adiciona.

“Os preços estão subindo, e os consumidores estão pagando mais, enquanto corporações gigantes estão usando a inflação como uma cobertura para expandir seus lucros,” disse Warren.

Schakowsky adicionou: “As margens de lucro corporativo alcançaram uma alta de 70 por ano em 2021. Apenas nesse ano, a grande farmacêutica aumentou os preços de 742 drogas.

E os preços na bomba continuam altos, apesar do custo do petróleo estar baixando. Isso é ganância corporativa. Durante a Segunda Guerra Mundial, quem lucrou com a guerra foi responsabilizado. A mesma regra devia se aplicar aqui.”


por Mark Gruenberg, Editor do People’s World em Washington, D.C. e editor do serviço de notícias do sindicato Press Associates Inc. (PAI) (People’s World) | Texto em português do Brasil, com tradução de Luciana Cristina Ruy

Exclusivo Editorial Rádio Peão Brasil / Tornado

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