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Quarta-feira, Julho 6, 2022

A Revolução dos Corpos Celestes

A estreia da nova versão de “A Revolução dos Corpos Celestes”, no âmbito das comemorações do 20.º aniversário da Marionet, é o grande destaque da programação de Março do Teatro da Cerca de São Bernardo, em Coimbra. A temporada decorre entre os dias 12 e 15 deste mês, de quinta a domingo.

O teatro de Nelson Rodrigues, a poesia de António Arnaut e um debate sobre a Baixa de Coimbra completam as propostas do espaço habitado pel’A Escola da Noite.

 

Propagar o perguntar

“A Revolução dos Corpos Celestes”, estreado em 2001 no extinto Museu Nacional da Ciência e da Técnica, foi a primeira peça de teatro de tema científico da Marionet, companhia fundada pelo actor e encenador Mário Montenegro. No âmbito das celebrações dos seus 20 anos, o grupo apresenta agora uma remontagem, com texto e encenação de Mário Montenegro e interpretações de Miguel Lança, Filipe Eusébio e Safire ScArlet Hikari.

O espectáculo tem como tema a evolução do conhecimento sobre a nossa posição no universo e é construído a partir dos “avanços científicos de três dos homens responsáveis pelo que hoje conhecemos nesse campo – Ptolomeu, Copérnico e Galileu”. Este trabalho – adianta a Marionet – “interroga-se sobre as questões pessoais, sociais, políticas, religiosas e científicas que inundaram as suas buscas da verdade”. Assumindo que “a busca continua hoje e sempre – O que somos nós? Qual o nosso papel? Onde foi o princípio? E como? Será que estamos sozinhos no universo?” -, a Marionet questiona o próprio lugar do Teatro: “Será esse o nosso papel? O de questionar e partilhar essas perguntas com os outros? O de propagar o perguntar?”.

Com estreia marcada para 12 de Março, a criação da Marionet cumpre uma temporada de 4 sessões no TCSB, até dia 15 – de quinta a sábado às 21h30 e aos domingos às 16h00. Os bilhetes já podem ser adquiridos ou reservados pelos contactos habituais do Teatro.

 

Nelson Rodrigues no Clube de Leitura Teatral

O autor de “A Serpente”, espectáculo estreado pel’A Escola da Noite em 1998, é pela primeira vez abordado no Clube de Leitura Teatral, numa sessão orientada pelo encenador José Caldas.

José Caldas

A peça escolhida é “A Falecida”, definida pelo crítico e ensaísta Sábato Magaldi como a primeira das “tragédias cariocas”. Escrita e estreada em 1953, a peça “conta a história da tuberculosa Zulmira, mulher frustrada e sem expectativas do subúrbio carioca. Pobre e doente, a sua única ambição é ter um enterro luxuoso, para se vingar de uma sociedade abastada à qual não pertence e, principalmente, de Glorinha, a prima e vizinha com quem tem uma relação de competição. Foi a primeira de muitas peças em que Nelson Rodrigues criou protagonistas suburbanos frustrados e fracassados.” – afirma o encenador brasileiro, há várias décadas radicado em Portugal.

A leitura terá lugar na Sala Brincante da Cena Lusófona, no Pátio da Inquisição, na primeira terça-feira do mês, dia 3 de Março, pelas 18h30 e tem entrada gratuita. O Clube de Leitura Teatral é uma iniciativa conjunta do TCSB e do TAGV que tem como objectivo promover e divulgar o texto dramático. Aberto a qualquer pessoa, independentemente da sua experiência, o Clube tem na temporada 2019/2020 três eixos fundamentais: os grandes clássicos da dramaturgia universal, a dramaturgia contemporânea e a dramaturgia brasileira dos séculos XX e XXI, no qual se insere a leitura de “A Falecida”.

 

Debate sobre a Baixa e poesia de António Arnaut

Ainda em Março, A Escola da Noite acolhe no TCSB duas iniciativas propostas por outras instituições da cidade. No Bar/Livraria do Teatro, dia 14 (sábado, às 16h00), terá lugar o debate “Habitar, circular, fruir: que Baixa queremos para a cidade?”, organizado pela Agência para a Baixa de Coimbra, com as intervenções de Alexandra Gesta, Assunção Ataíde, João Mendes Ribeiro, Cláudia Pato de Carvalho e a moderação de Rui Lobo.

A 22 de Março (domingo, 16h00) acontece o espectáculo musical “Outros Sinais – um tributo à poesia de António Arnaut”, com o Coimbra Gospel Choir e Banda ArNovo. Trata-se de uma iniciativa da Amazing Arts e da Câmara Municipal de Coimbra, integrada numa homenagem ao médico, falecido em 2018, que ajudou a criar o Serviço Nacional de Saúde.

Ambas as iniciativas têm entrada gratuita, sendo que para o concerto é necessário levantar bilhete nas instalações do Teatro.


Os assinantes solidários do Jornal TORNADO têm Desconto de 50%, em dois bilhetes para cada um destes nos espectáculos.


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