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João de Sousa

Domingo, Novembro 28, 2021

A verdade sobre a crise humanitária na Venezuela

Um grupo de jornalistas e pesquisadores independentes do grupo Misión Verdad, que se dedicam ao estudo da guerra contra a Venezuela e o conflito global publicou um alentado material, recheado de dados fidedignos, demonstrando que na Venezuela não existe crise humanitária.

Um grupo de jornalistas e pesquisadores independentes do grupo Misión Verdad, similar ao Jornalistas pela Democracia, que tem entre seus membros Pepe Escobar e Emir Sader e que se dedicam ao estudo da guerra contra a Venezuela e o conflito global, publicou um alentado material, recheado de dados fidedignos, demonstrando que na Venezuela não existe crise humanitária. Publicado em espanhol, Brasil 247 apresenta um resumo em português.

O anúncio da tentativa de fazer ingressar na Venezuela uma “ajuda humanitária”, através das fronteiras da Colômbia e do Brasil, avaliada em 20 milhões de dólares – irrisória se contrastada com os prejuízos que o cerco financeiro, quantificados em 30 bilhões de dólares – não chegam a hegemonizar a opinião pública, sobretudo pelas ameaças de intervenção militar provenientes da Casa Branca, aponta o material, publicado em Misión Verdad.

Além disso, os dados reais sobre a situação política e econômica venezuelana destoam com os dos países que sofrem profundos estragos sociais, aponta a publicação.

A crise humanitária é uma categoria do Direito Internacional Humanitário, que se refere tanto a desastres naturais como a conflitos bélicos de alta densidade e dá à ajuda transnacional operada por governos e organismos internacionais, um argumento para intervir nas decisões que preocupam os Estados nacionais, violando suas soberanas. Haiti, Somália e Sudão do Sul são os precedentes da Venezuela, o atual objetivo das cruzadas humanitárias”.

Contudo, prossegue o estudo do Misión Verdad, a Organização das Nações Unidas “define que, para existir una emergência desta natureza, os níveis de violência, fome e enfermidades devem afetar milhões de pessoas sem que o Estado encarregado possa exercer um controle efetivo dos problemas”.

(…)

Insegurança alimentar induzida e a contraofensiva dos CLAP

Desde 2016, começou a surgir a posição sobre a “crise humanitária” desde a Assembleia Nacional (parlamento), tribuna da oposição e nos espaços da Organização dos Estados Americanos (OEA) com Luís Almagro à frente da operação, prevendo que os efeitos do Decreto Obama e sua ratificação pelo presidente Donald Trump se fariam sentir na vida cotidiana da população”.

É inegável a deterioração das condições econômicas na população venezuelana produto das violentas agressões econômicas, que ademais alentaram a proliferação da economia paralela e a especulação, mas continua inexistente um ponto de comparação com verdadeiros colapsos estruturais de regiões asiáticas e africanas”.

Os últimos informes da FAO estimam que entre os anos de 2016 e 2018 houve um aumento de 11% de subalimentação, sendo insuficiente para somá-lo a emergências alimentares que sofrem países subsaarianos, onde a proporção de pessoas subnutridas se situa em 30% do total da população”.

O boicote premeditado da indústria privada para exercer pressão econômica, junto com o ataque à moeda a partir de máfias de operadores de câmbio, prejudicaram o acesso do cidadão comum a produtos essenciais da cesta básica”.

Simultaneamente, as sanções financeiras aplicadas ao Banco Central da Venezuela e à estatal PDVSA limitaram a capacidade de manobra do governo venezuelano para dar resposta à precarização da alimentação”.

Mas a política de distribuição de alimentos a preços subsidiados, que o Estado venezuelano articula através dos CLAP, conteve em grande parte os efeitos dessas agressões voltadas diretamente contra a população. O ataque e o descrédito internacional a uma estrutura que, atualmente, garante a alimentação básica a mais de 6 milhões de famílias, reafirma as intenções de instrumentalizar a narrativa de fome como elemento da suposta “crise humanitária” na Venezuela, pela qual se tenta justificar uma intervenção militar”.

(…)

O material de Misión Verdad demonstra com dados as consequências desastrosas para o país e o povo venezuelano das agressões financeiras ao setor da saúde pública e os prejuízos causados pelos diferentes tipos de boicote ao abastecimento de medicamentos.

O material relata os esforços realizados pelo governo do presidente Nicolás Maduro para minorar esses problemas, com a ativação de vários planos e políticas públicas.

Uma atenção especial é dedicada no relatório do Misión Verdad ao problema dos refugiados

Um traço elementar dos países com crises humanitárias são os deslocamentos forçados internos e para outros países, em busca de resguardar-se dos enfrentamentos violentos. No informe anual de 2018, o ACNUR especificou que dois terços das 68 milhões de pessoas deslocadas pela guerra e conflitos, provêm de cinco países: Síria, Afeganistão, Sudão do Sul, Myanmar e Somália. Por outro lado, a Colômbia tem 7,7 milhões de vítimas do conflito fugindo pelo território nacional, sendo o país latino-americano com maiores deslocados internos”.

Na Venezuela não existe registro de deslocamentos forçados no interior do país, mas o uso descontextualizado de cifras sobre migrações e refugiados pelos meios de comunicação internacionais”.

O material conclui evidenciando os esforços do Estado venezuelano junto a outros atores estatais e organismos internacionais, como a FAO, a Unicef, a Cruz Vermelha Internacional e a Organização Panamericana de Saúde, para enfrentar os problemas sociais e desmontar a cena montada da “crise humanitária”.

Leia a íntegra em Espanhol


Texto em português do Brasil

Exclusivo Editorial Brasil247 / Tornado


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