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Quinta-feira, Junho 13, 2024

A vida como ela é em livro de Elder Vieira renova os sonhos e a luta por outro país

Marcos Aurélio Ruy, em São Paulo
Marcos Aurélio Ruy, em São Paulo
Jornalista, assessor do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo

Uma grata surpresa ao receber o e-book “Os Anos Verdes de Lindaura”, de Elder Vieira. Eu que prefiro ler livros físicos, li essa obra de crônicas e contos de uma vez só.

Nestes tempos de isolamento social precisamos de atividades eu nos distraiam. No caso deste livro, a distração acontece permeada de profundas reflexões sobre os anseios, desejos, necessidades e vontades das gentes que vivem de vender a sua força de trabalho para o capital e vivem na dureza.

Com simplicidade e candura, a obra retrata a vida de pessoas comuns e com isso apresenta um cenário do que é este país e este povo, sem grandes pretensões. Descreve “com delicadeza os dramas, dificuldades, sonhos e esperanças de personagens representativos da melhor índole do povo brasileiro. Para leitor especializado, o livro é um manancial de pesquisa sociolinguística e de filologia, uma vez que o autor registra por escrito as formas reais hodiernas das palavras pronunciadas por seus personagens representativos”, diz texto de apresentação do livro.


Para comprar acesse o site:  Os anos verdes de Lindaura


Um claro exemplo da ligação intrínseca entre as questões sociais e individuais. “A metade do seu olhar/Está chamando pra luta, aflita/E metade quer madrugar/Na bodeguita”, como canta Chico Buarque em “Tanto Amar”, que poderia muito bem ilustrar o livro de Elder Vieira.

 

Como consta no conto “Planejamento Estratégico”, com uma fina ironia e recato:

– “Nastácia, que é aquele monte de embrulho na cama?

– Presente.

– Pra quem?

– Pra todo mundo, ué. Tem sua mãe, suas irmãs, o povo lá de casa, os meninos… Natal, meu filho; tá pensando o quê?

– Mas que Natal, Nastácia? Natal foi ano passado.

Que ano passado, Berto. Mané ano passado. É pra esse ano mesmo.

– Mas nós tamo em janeiro!

– E daí? Cê não tá vendo a inflação, não? Me admira você, bancário, não prestar atenção nessas coisas. Prevenir, meu filho”.

Já em “O homem que calculava”, uma falha de cálculo e humor sempre presente para mostrar que a vida vale a pena:

“Saiu de lá com uma promessa e já pensava no tamanho dos cômodos, no número de filhos e onde poderia arrumar um emprego e plantar sua esperança – medida de seu sonho. Não era de altas aritméticas, mas sabia o quanto valia aquele sorriso, aquelas cadeiras e aquele coração pulsando no peito”.

E o conto que dá título à obra:

“Dos olhos de Lindaura, sobram poucas lembranças. Ficam os quadris fartos, as lágrimas muitas, minadas de tantos filhos perdidos; ficam as festas pelas conquistas – poucas, mas significativas – e as perplexidades de tantos caminhos cruzados. Ficam também as revoltas, os passos atrás e as resignações. E ficam os eternos começos, frutos das marchas interrompidas.

Disso tudo, resta Lindaura, inteira, una e múltipla como uma multidão. E pronta para ser tudo aquilo que, um dia, sonharam que fosse”.

O livro “Os Anos Verdes de Lindaura” renova os sonhos e a vontade de permanecer firme na luta por um outro país, mais singelo, generoso e igual.

 

Serviço:

Os Anos Verdes de Lindaura, de Elder Vieira

Editora Serra Azul

E-book, 162 páginas,  R$ 25


Texto em português do Brasil


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