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Quarta-feira, Setembro 29, 2021

A viola enluarada pra enfrentar o dia a dia e encontrar uma nova saída para o mundo

Marcos Aurélio Ruy, em São Paulo
Jornalista, assessor do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo

Cinco canções selecionadas. Cinco visões do mundo e da vida. Cinco canções para dar ânimo a quem pensa em desistir de resistir. Cinco músicas para a ternura necessária para construir o mundo novo mesmo com todos os “bolsonaros” que insistem em ficar no caminho.

O tempo não para e a vida segue em frente. Cinco canções com a diversidade cultural, social e étnica brasileira. Pode apreciar sem nenhuma moderação. Semana que vem tem mais.

 

Mestrinho

O cantor, compositor e sanfoneiro sergipano, Mestrinho se destaca com um trabalho talhado nos ritmos nordestinos com uma pegada pop. Ele e a irmã Thaís Nogueira, que é cantora, moram em São Paulo e batalham por um merecido espaço no cenário da música popular brasileira. Tem influências diversas em suas obras. Notadamente de Dominguinhos (1942-2013), Sivuca (1930-2006), Hermeto Pascoal, Jacob do Bandolim (1918-1969), Pixinguinha (1897-1973), Gilberto Gil, Milton Nascimento, entre outros.

“Somos o coração do universo
Somos estrelas brilhando no céu
Da vida na luta, enfrentando o dia a dia
E perfeitos sonhadores
Ansiosos pra viver”

 

Ansiosos pra Viver (2019), de Mestrinho

 

 

Lan Lanh

A compositora e cantora baiana Lan Lanh forma dupla coma a cantora e atriz Nanda Costa, com quem vive. Já acompanhou Cássia Eller (1962-2001) como percussionista. Sua música aparentemente simples leva a reflexões sobre o mundo que queremos.

“Aqui não tem bandeira
Só realidade
Terias que escutar os dinossauros da praça
Soltando alma
E se não tem onde buscar
E não encontra, os acrobatas da rua da praça”

 

Delaveraveraboom (2003), versão de Lan Lanh para a canção de Daniel Monoloco

 

 

Motor City Five

Motor City Five (MC5) é uma banda de Detroit, Estados Unidos formada em 1964 e durou até 1972. Composta por Wayne Kramer (guitarra), Pat Burrows (baixo), Rob Tyner (vocais), Bob Gaspar (bateria) e Fred “Sonic” Smith (guitarra). A banda teve como empresário nada menos do que o poeta estadunidense John Sinclair, o líder do White Panther Party, um grupo de contracultura, formado por socialistas brancos em apoio aos Panteras Negras no movimento antirracista.

Considerado um dos precursores do punk rock, o MC5 enfrentou muitos problemas com a censura em seu país. De origem operária, as poesias do grupo erem recheadas de ideias revolucionárias e muitos palavrões, que feriam amoral puritana dos governantes estadunidenses, como a canção “Kick Out The Jams, Mother Fuckers” (Vamos Detonar, Filhos da Puta”), a gravadora obrigou a mudança para “Kick Out The Jams, Brothers and Sisters” (“Vamos Detonar, Irmãos e Irmãs”).

“Os líderes loucos de poder que controlam seu próprio destino
Eles roubam sua vontade, distorcem sua vida e vendem sua alma
Se você está vagando ou vagando perdido,
Você é o alvo perfeito para a traição
A liberdade é sua agora”

 

Future Now (Futuro Agora, 1971), de Rob Tyner; canta MC5

 

 

Marcos Valle

Compositor de centenas de canções, a maioria em parceria com seu irmão Paulo Sérgio Valle, o carioca Marcos Valle é um dos nomes da bossa nova com incursão pela música de protesto. “Samba de Verão” (1965), dele colmo p irmão, é uma das canções brasileiras mais executadas no mundo.

“Quem tem de noite a companheira
Sabe que a paz é passageira
Pra defendê-la se levanta
E grita: Eu vou!
Mão, violão, canção e espada
E viola enluarada
Pelo campo e cidade
Porta bandeira, capoeira
Desfilando vão cantando
Liberdade. Liberdade”

 

Viola Enluarada (1968), de Marcos Valle; participação especial de Milton Nascimento

 

 

Rita Lee

A paulista Rita Lee se destaca no rock brasileiro e mantém um estilo singular com lugar garantido o acervo da música popular brasileira. Começou a carreira com a banda Os Mutantes nos anos 1960 e se firmou na carreira como uma das mais importantes cantoras e compositoras brasileiras.

“É o fim da picada
Depois da estrada começa
Uma grande avenida

No fim da avenida
Existe uma chance, uma sorte
Uma nova saída”

 

Coisas da Vida (1976), de Rita Lee

 


Texto em português do Brasil


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