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Domingo, Fevereiro 25, 2024

Albaluna apresenta novo disco “Nau dos corvos”

Joaquim Ribeiro
Joaquim Ribeiro
Jornalista

A banda Albaluna, de Torres Vedras, vai apresentar o seu novo trabalho discográfico no próximo dia 4 de Março, num concerto no Teatro-Cine local, às 21h30. O disco chama-se “Nau dos corvos” e foi editado em Julho do ano passado.

É um disco totalmente produzido pela própria banda, nos estúdios da Associação Musicálareira, de onde saiu este e muitos outros projectos musicais. A capa é da autoria de Pedro Fortunato. A banda Albaluna, constituída maioritariamente por músicos torrienses, desenvolve um trabalho de composição em resultado de pesquisas numa área que se pode enquadrar nas “músicas do mundo”.

Todos os temas de “Nau dos corvos”, o terceiro álbum do grupo, têm música e letra de Ruben Monteiro, excepto o tema “Amura”, que é de Carla Costa. O disco tem ainda um medley com três temas dos judeus sefarditas da Península Ibérica. Aliás, o tema do novo disco é todo ele virado para a relação física e espiritual do povo ibérico com o mar.

As influências musicais vêm das três culturas que definem a cultura ibérica: judeus, muçulmanos e cristãos.

De acordo com Ruben Monteiro, houve um longo trabalho de investigação histórica e musical para a composição dos 15 temas que compõem este CD. Uma investigação para a qual contribuiu o facto de o próprio Ruben ser arqueólogo e outro músico da banda, Christian Marrs’s, ser historiador.

Há também um trabalho de pesquisa de instrumentos musicais tradicionais, os quais foi preciso adquirir e aprender a tocá-los. Ruben Monteiro tem uma ligação forte com a Turquia e Istambul e com a música tradicional búlgara.

Estas influências marcaram uma viragem no percurso da banda, que já existe há sete anos e começou por se dedicar mais à música tradicional portuguesa. “Existe uma forte ligação com o Médio Oriente e o Mediterrâneo, que torna a cultura ibérica única no mundo”, sublinha Ruben Monteiro.

O resultado final da música dos Albaluna reflecte também todo o trabalho de investigação realizado até agora, assim como as acções de formação com o espanhol Efren Lopez, que já tocou com os Albaluna num concerto em Torres Vedras. Ruben Monteiro é o único português a marcar presença assídua nos encontros internacionais deste tipo de música, tendo já feito uma formação com o mestre da música modal, o irlandês Ross Daly.

O disco “Nau dos corvos” é o resultado de toda essa experiência, para além da paixão pessoal de Ruben pelo rock progressivo. Conta com a participação especial de Pedro Estevam, que toca “taksin” num instrumento chamado ney (flauta árabe).

No disco Ruben Monteiro também canta e toca vários instrumentos de cordas, nomeadamente: bouzouki (instrumento grego), sanfona (ibérico), rabab afegão, lavta (instrumento de Istambul em vias de extinção) e várias baglamas da Turquia (cura, kisa, uzum e kopuz).

Dinis Coelho é percussionista da banda e toca daf (antepassado do adufe), davul (bombo turco), tombak (Irão), dahola (Turquia) e djambé. Raquel Monteiro canta e toca violino e rabeca. Carla Costa é a responsável pelas sonoridades produzidas pelas gaitas-de-foles galega e transmontana, gaida búlgara, tin whistel e flauta doce. O historiador e músico holandês radicado em Santa Cruz, Christian Marr’s, toca guitarra baixo e bouzouki. Finalmente Hugo Gomes toca bateria e davul.

No concerto do dia 4 de Março vão já ser apresentadas algumas canções do próximo disco, ainda sem data marcada para sair. Quanto a concertos, os Albaluna têm a agenda completamente cheia este ano, em Portugal e no estrangeiro.

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