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João de Sousa

Segunda-feira, Setembro 20, 2021

Alckmin, Bolsonaro e Marina: três candidatos e um programa

São mais do que evidentes os laços que unem as dificuldades eleitorais da direita com a conjuntura de crises nacional e internacional. Por mais que se esquivem, por mais que sejam “contorcionistas” não podem ocultar que os programas de suas candidaturas derivam do receituário que o levou o mundo e o Brasil à recessão econômica, corte de direitos, grande desemprego, mutilação da democracia e ataque à soberania das nações.O que se vê, nesse cenário, é a ofensiva da mídia para projetar candidatos da direita, especialmente Geraldo Alckmin, Jair Bolsonaro e Marina Silva. Mas não são poucas as dificuldades, especialmente pela persistência da alta popularidade de Lula que cresce, conforme atestam as últimas pesquisas de intenção de voto.

Alckmin festejou o apoio do chamado “Centrão”, mas sobretudo no Nordeste líderes e candidatos das legendas que o integram estão apoiando Lula. Além das infidelidades à sua candidatura, ele se depara com denúncias de corrupção que chamuscam a sua imagem de “paladino da moralidade”. À sua volta também há um vendaval de notícias sobre mal feito, como são os casos dos senadores Aécio Neves e José Serra. Além do cenário de crise, ao qual ele está associado de fato e no imaginário popular, pesa esses flagrantes de imoralidades a céu aberto.

A soma desses fatores resulta no seu sofrível desempenho nas pesquisas de intenções de voto. Elas demonstram que nem o seu largo espectro de apoio partidário, com a atração para a sua órbita do chamado “Centrão”, conseguiu reverter essa tendência à estagnação. Ele jura ao “mercado” que vai decolar com a propagada em rede nacional no rádio e na televisão, que abrange 40% do total do tempo do horário eleitoral, mas não há nenhuma garantia de que isso vai se cumprir.

Diante da incerteza, o grande empresariado e os banqueiros trabalham com outras possibilidades. Formam-se, assim, as condições para a entrada em cena das candidaturas de Jair Bolsonaro e Marina Silva. O primeiro usufruiu de certa blindagem da mídia que, diante da volatilidade no campo conservador, contemporizou e até abanou a sua candidatura. Outro fator ponderável nessa tática da direita é a utilidades dos seus ataques agressivos à esquerda e principalmente a Lula.

Com essa complacência, Bolsonaro cresceu nas pesquisas, mas, quando teve de vir à luz do dia, com os debates na televisão, sua imagem começou a aparecer sem máscaras e suas ideias começam a se desdunar. A pauta ultraliberal para a economia e reacionária no âmbito da democracia e dos direitos humanos foi abertamente estampada. Ao pregar pontos como a privatização da Petrobras, por exemplo, ele angaria apoio de setores da mídia, mas é obrigado a explicar as consequências de suas propostas. Outro fator: sua posição frontal contra às mulheres, maioria do eleitorado. Resultado: aumento de sua rejeição nas pesquisas.

Essas incertezas faz a mídia adotar a prática de ensaios para testar as viabilidades. Nesse rol de possibilidades entra a aposta Marina Silva. Basta ver a repercussão da sua performance no debate da Rede TV na sexta-feira (17). Há uma evidente tentativa de inflar a sua candidatura, mas ela também tem pela frente grandes dificuldades. Ainda está viva na memória do país seu apoio a Aécio Neves no segundo turno das eleições presidenciais de 2014 e ao impeachment golpista da presidenta Dilma Rousseff em 2016. Outro fator importante é o seu programa fundado num “ambientalismo neoliberal”, uma miscelânea que na essência não se diferencia dos demais do campo conservador.

A fotografia do momento, como se vê, mostra a clara divisão na disputa entre dois campos bem demarcados. O jogo segue, mas com a chegada do horário eleitoral no rádio e na televisão a tendência é de novos cenários. Para o campo progressista, os desafios tendem a ser mais complexos, o que exigirá grande disposição de luta para enfrentar a reta de chegada da batalha pelos votos em outubro.

Texto em português do Brasil

Exclusivo Editorial PV / Tornado

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