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Segunda-feira, Outubro 25, 2021

Highway 1

Beatriz Lamas Oliveira
Médica Especialista em Saúde Publica e Medicina Tropical. Editora na "Escrivaninha". Autora e ilustradora.

Há cerca de 15 anos fiz a estrada que liga Los Angeles a São Francisco, na Califórnia. A famosa Highway 1.

Passei, parei, jantei e dormi em Carmel, esperando que a qualquer momento a porta se abrisse para deixar entrar Clint Eastwood, na altura mayor lá da vila.

Passei por Monterey, San Luiz Obispo, Santa Bárbara. Comigo um dos meus melhores amigos, um americano, psiquiatra, gay, border line que durante dois anos lutou para ser admitido na Faculdade de Medicina de Los Angeles.

A paisagem é de cortar o fôlego. Vi as sequoias gigantes. A imponência das árvores deve ter inspirado o autor de O Senhor dos Anéis.

Encontrei agora, nas minhas pesquisas e estudos, um artigo preparado por três jornalistas de investigação. O primeiro, Pedro Armando Aparício é de origem salvadorenha e tem nacionalidade americana. O segundo é David Zlutnick, americano, diretor e produtor de filmes, residente em San Francisco e já bem conhecido por sequências que filmou  sobre catástrofes como o post Katrina em New Orleans, no West Bank palestiniano ou no Malawi. Ou seja é um activista. O terceiro e não menos importante é Leighton Woodhouse, doutorado em sociologia por Berkeley, realizador e produtor de documentários dedicados a questões ambientais.

Todos estes autores, ativistas  e defensores lúcidos e empenhados da defesa do ambiente para impedir uma catástrofe, chamam a atenção para o seguinte:

A desflorestação da Amazónia é reconhecida em todo o mundo como uma catástrofe que influencia as mudanças climáticas globais. Muito menos reconhecida é a ameaça de  desflorestação de florestas tropicais temperadas, como a enorme floresta costeira que se estende do norte da Califórnia ao Alasca. Calcula-se que essas  florestas tropicais temperadas captam de 2 a 7 vezes mais carbono por ha do que as florestas tropicais como a Amazónia. Manter esses ecossistemas saudáveis e intactos é uma parte imperativa para evitar o aquecimento global catastrófico.”

Na Califórnia, muitos ativistas lutam há décadas para preservar as florestas. Não começaram agora só porque Greta Thurneberg se zangou com os dirigentes políticos mundiais nas nações Unidas. Usam de todos os meios possíveis e imagináveis para impedir as empresas madeireiras de derrubar sequóias e abetos, usando o próprio corpo como marco de defesa da floresta. Há plataformas de 30 metros de altura construídas no topo das árvores e os ativistas vivem nelas semanas, meses ou mesmo anos a fio. Bloqueiam estradas, acorrentam-se a escavadoras. Pergunto-me se terão todos síndrome de Asperger, se serão autistas, ou se não têm uma vida familiar digna, como por exemplo cozinhar para os filhos e enviá-los bem vestidos para a escola. Enfrentam madeireiras como a Sierra Pacific Industries, a Green Diamond Resource Company e a Humboldt Redwood Company, e essa luta vem dos anos 80 e 90.

Julia Lorraine Hill, atualmente com 45 anos, é uma ativista ambiental americana que também começou cedo e não fez um percurso escolar clássico e pacífico. Tornou-se famosa por ter vivido numa sequoia de 55 metros de altura, árvore com cerca de 1.500 anos de idade, durante 738 dias entre 10 de dezembro de 1997 e 18 de dezembro de 1999, para impedir que esta fosse abatida. Tinha então 23 anos e não sei se alguém tentou chamar-lhe louca, autista, malcriada, ou personalidade desviante e outros epítetos com que é mimoseada Greta hoje em dia.

Aqueles que continuam a querer fechar os olhos às alterações climáticas, ao risco dos gases com efeito de estufa, aos mares de plástico que invadiram os oceanos e que parecem mais interessados no seu bifinho no prato do que no futuro da geração de hoje, aqueles que não investem uma horinha de estudo nas questões do ambiente, mas gostariam que Greta fosse à escolinha todos os dias, a esses podemos pedir que pensem no seguinte:

Será melhor acompanhar a par e passo o que disseram os “politicos” ou os aspirantes “a” naquele debate triste presidido pela Maria Flor Pedroso, será melhor continuar a acompanhar a caterva de crimes de CMTV, ou seria melhor repensar que educação ambiental deveriam ter os nossos jovens para em vez de serem alforrecas a brincarem nas praxes se tornarem em Joanas d’Arc da floresta?

Ilustração de Beatriz Lamas Oliveira


Por opção do autor, este artigo respeita o AO90


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