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Sexta-feira, Setembro 17, 2021

Penso, logo – não – existo

Eduardo Águaboa
Escritor, Ensaísta, Comentador político especializado em ideias gerais

ausonia

Sendo insonsa a imagem, sendo insonsa a protagonista, sendo insonso o produto, o Penso que a Ausonia publicita só promove o vómito.

Não tendo a bolinha vermelha no canto superior direito, por quase insolente, por insinuações que permitem todo o tipo de interpretação e pelo incómodo que causa aos pais ter de explicar aos miúdos sobre que «coisa» é aquela e «onde é que ela diz que mete o coiso?» e ainda porque no fim mostra o rabo empinado!?, desse anúncio só saem mensagens negras, e obrigam a que as reuniões de família passem a ter acta.

Ia dizer porra para este anúncio e, como se vê, digo-o mesmo. Não consegui resistir.

Se eu fosse mulher jamais usaria aquele produto, receando, pelo menos, ficar com aquele ar tonto da protagonista e ficar (por contágio) a ser capaz de identificar com os dedos a expressura, já não sei se do Penso se de «lá» onde ela pretende dizer que se deve colocar.

O anúncio da Ausonia, incapaz de inspirar alguém, põe gradualmente desordem no bom gosto e por isso apetece-me qualificá-lo de cavalo.

Depois, passa tantas vezes em antena que até parece ser um dos propósitos da Ausonia ter prazer em ser incompreendida, prazer em não dar expressão nem utilidade ao produto.

A Ausonia criou um pesadelo e parece desconhecer como curá-lo.

No entanto é simples. Retire o anúncio das televisões, acalme as famílias, sossegue as mulheres e crie um novo que pode começar assim:

-La commedia é finita! – Sim, assim mesmo, em italiano. Coloque uma mulher que atire ao público umas chicotadas sorridentes, utilize espelhos, apresente o produto à custa de alguma inocência, (o medo cura-se à custa de alguma inocência )…ou seja…PENSE no Penso, como uma diversão para os mais inquietantes pensamentos.

Ou então mude a marca de Ausonia para INSÓNIA.

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