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Sábado, Dezembro 4, 2021

Autoridades russas na Crimeia propõem alternativa turística ao Egipto

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Face à decisão do Kremlin de suspender todos os voos para o Egipto, as autoridades russas na Crimeia reagiram, no sábado, propondo uma alternativa turística às estâncias egípcias. Encerrada a opção de férias no Egipto para os cidadãos russos, o representante do Kremlin no território anexado da Crimeia, Sergei Aksenov, anunciou a intenção de fazer da Crimeia uma alternativa, com programas de alojamento turístico “em nada inferiores, em termos de qualidade e de preço”.

A informação foi publicada no site do governo russo da Crimeia. Aksenov encarregou desta missão o responsável pelo Turismo na península anexada, que sublinhou as “vantagens do clima seco subtropical da costa sul da Crimeia para a prevenção e tratamento de várias doenças”.

egyptO acidente que no dia 31 de Outubro matou as 224 pessoas que viajavam a bordo do Airbus 321 levou as autoridades a tomar medidas de urgência. Sob recomendação do chefe dos serviços secretos russos (FSB), Alexander Bortnikov, o presidente Vladimir Putin ordenou na sexta-feira a suspensão de todos os voos de passageiros da Rússia para o Egipto e operadores turísticos começaram a alterar todas as reservas com destinos no Egipto.

A Rússia vai também enviar para o Egipto 44 aviões, para iniciar o repatriamento dos cerca de 79 mil russos que estão no país. Entretanto, os operadores turísticos russos receiam “prejuízos colossais” em consequência da suspensão dos voos de passageiros com destino ao Egipto. Segundo a porta-voz da Associação das Agências de Turismo da Rússia, Irina Tuirina, “A situação é muito difícil, pois o Egipto é o destino turístico mais próximo, mais quente e com preços mais em conta e 80% dos russos que fazem férias no estrangeiro escolhem estâncias de praia em países quentes”.

crimea-945781_1920Com a anexação da Crimeia em 21 de Março de 2014, foram lançadas pela Rússia várias iniciativas de incentivo ao turismo russo na península. Antes do Verão de 2014, multiplicaram-se os apelos e a Agência Federal do Turismo pediu às maiores empresas que comprassem férias na Crimeia para os seus empregados, evocando o dever de “realizar as ordens do presidente”. O turismo é vital para a economia da península. Antes da anexação, cerca de seis milhões de ucranianos passavam ali as férias (foi assim em 2013), o que representava 30% do PIB da Crimeia. O problema é que, quando podem escolher, os russos preferem marcar férias na Turquia, Grécia ou Bulgária, onde o serviço nunca é de inferior qualidade e é pago pelo mesmo preço.

Nelson Rodrigo Pereira, em Genebra, Suíça

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