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Sábado, Novembro 27, 2021

Batalha Bilionária desmonta imagem de bondade do Google

Carolina Maria Ruy, em São Paulo
Pesquisadora, coordenadora do Centro de Memória Sindical e jornalista do site Radio Peão Brasil. Escreveu o livro "O mundo do trabalho no cinema", editou o livro de fotos "Arte de Rua" e, em 2017, a revista sobre os 100 anos da Greve Geral de 1917

A utopia de uma nova era se abriu com a derrubada do Muro de Berlim. Claro que isso não passou de um marketing vendido no fim da Guerra Fria. Mas não faltaram, naqueles tempos, teorias e ideias que vislumbravam diferentes versões de um mundo sem fronteiras.

Como as dos jovens Juri Müller e Carsten Schlüter, que uniram arte e tecnologia para criar o Terra Vision, um programa que se propunha a mostrar no computador detalhes de todos os lugares do planeta.

Foi na mesma California, entretanto, aquela terra disputada por cowboys à base do bang bang no final do século 19, que o admirável novo mundo se revelou um faroeste digital onde os melhores atiradores fincavam suas bandeiras nas terras desbravadas por jovens sonhadores.

É o que mostra a série Batalha Bilionária, o caso do Google Earth, de Oliver Ziegenbalg e Robert Thalheim, que estreou no dia 7 de outubro de 2021 na Netflix.

Ao aterrizar do outro lado do Atlântico Juri e Carsten não imaginavam que a ideia de projetar a Terra assumiria um caráter muito mais pragmático e competitivo do que idealista.

Envolvidos na aura mítica do Vale do Silício, eles tiveram suas ideias usurpadas. Anos depois recorreram à justiça para serem reconhecidos como criadores do algoritmo do Google Earth, iniciando uma batalha inglória.

O foco do liberalismo não era, enfim, criar um mundo sem fronteiras, mas sim acumular capital, produzindo desigualdade e pobreza. E a falta desse entendimento, que ressalta a ingenuidade dos programadores artistas, é a linha condutora da série.

O Terravision em 1994 e o Google Earth em 2011

Os personagens fictícios Juri Müller e Carsten Schlüter representaram a história real dos programadores alemães que tiveram o projeto surrupiado pelo Google.

Existem semelhanças com os casos mostrados nos filmes A Rede Social (2010), de David Fincher, que revela as traições envolvidas na criação do Facebook, e Fome de poder (2017), de John Lee Hancock, que mostra como o empresário Ray Kroc passou a perna nos verdadeiros criadores do McDonald’s. Mas aqui a ideia é também destacar a contradição do lema “não seja mau” sobre o qual o Google construiu sua imagem.

A série dá uma pista, no fim, de como seria se a empresa realmente colocasse em prática esse lema, com os autores de diversas ideias roubadas pelas Big Techs conhecendo a justiça.

Mas a máxima não passa de propaganda enganosa. O Google ao contrário do que prega, passa por cima de tudo e de todos em nome de interesses particulares.

A conclusão é que a alta conta do liberalismo chegou para todos os descapitalizados da Terra e a utopia da globalização, depois de 32 anos da queda do Muro, está mais para distopia da dominação.

E ainda, empresas que controlam os nossos passos e ações, usam seu poder para detratar, marginalizar e criminalizar seus críticos. É o caso dos programadores alemães representados na série. É o caso do jornalista Julian Assange. Pode ser o caso de qualquer um de nós.

Assista o trailer de Batalha Bilionária, o caso do Google Earth


Texto em português do Brasil

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