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João de Sousa

Segunda-feira, Agosto 15, 2022

Bolsonaro, traidor da pátria

As comemorações do Dia da Independência do Brasil, em 7 de setembro, evocam os princípios que fizeram deste país uma das mais importantes nações da contemporaneidade. São traços que se desenvolveram como características do povo brasileiro, forjado em grandes lutas transformadas em saltos civilizatórios.

Como desdobramento da Independência, vieram a Abolição, a República e os pactos democráticos cujo símbolo maior na atualidade é a Constituição de 1988.

Tudo isso está em questão na passagem dessa data. A tendência autoritária do projeto ultraliberal e neocolonial do governo Bolsonaro triunfou como produto da ofensiva política, econômica e ideológica do grande capital financeiro internacional contra o desenvolvimento como premissa de uma estratégia nacional. Os movimentos que permitiram a chegada desse projeto ao poder se deram no curso de ações essencialmente antidemocráticas, atentatórias ao Estado Democrático de Direito.

A ofensiva golpista que precedeu as eleições de 2018 marchou, na verdade, contra o pacto democrático de 1988. Uma vez instalado no poder, esse projeto iniciou a sua escalada autoritária, muitas vezes reeditando atos da ditadura militar, que vestia-se de verde e amarela para perseguir a resistência democrática e praticar o mais deslavado entreguismo. Assim como naqueles tempos, hoje o governo Bolsonaro, apesar da falsa roupagem com cores patrióticas, está completamente divorciado das aspirações nacionais.

Na prática, o que se tem é o aviltamento da soberania nacional, como o alinhamento subalterno ao governo dos Estados Unidos, ao passo que as organizações que garantiram a inserção recente do país no cenário mundial com independência são ignoradas. O Brasil, que até há pouco tempo era um dos protagonistas na cena internacional, atualmente é uma figura meramente decorativa no grupo dos grandes países em desenvolvimento, o BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), e totalmente ausente do bloco de união da América do Sul, a Unasul (União de Nações Sul-Americanas).

Essa postura confere ao Brasil a categoria de nação entregue a um governo servil, com uma política externa totalmente submissa aos interesses e ditames do imperialismo estadunidense. Uma condição que permite a entrega das riquezas nacionais, do patrimônio público e de uma generosa fatia do orçamento do Estado aos interesses financeiros internacionais, ao mesmo tempo em que tira do país a condição de protagonista no cenário internacional com poder para uma inserção soberana nos organismos de comércio e de ator relevante na geopolítica.

Com esse perfil, o governo Bolsonaro se caracteriza como antipovo e antinacional. As instituições do Estado, que deveriam estar a serviço de um projeto que atendesse às necessidades da população como prioridade absoluta, estão sendo ameaçadas e o patrimônio público que garantiu ao país um nível médio de desenvolvimento passa por um processo de dilapidação.

Não escapa dessa sanha entreguista nem os setores estratégicos da soberania e do desenvolvimento nacional, como a Petrobras, a Eletrobras, os Correios, o BNDES, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal. O mesmo ocorre com o setor de pesquisa, com os ataques às universidades e a todas as áreas de ciência e tecnologia. Com essa prática, o bolsonarismo leva de roldão toda a construção nacional. Até a Embraer, que mesmo privatizada tem papel fundamental na soberania do país, esteve perto de ser entregue.

Com Bolsonaro é impossível imaginar o Brasil soberano, historicamente ligado aos fatos que fizeram a grandeza deste país. Ele é a negação dos saltos civilizatórios que põem o povo brasileiro entre os que mais lutaram por sua independência. Bolsonaro, um vassalo que bate continência à bandeira dos Estados Unidos e ajoelha-se para o seu presidente, Dolnald Trump, não reúne nenhuma condição para representar o país nessa data tão importante para os brasileiros.


Texto original em português do Brasil

Exclusivo Editorial PV / Tornado

 

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