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Quinta-feira, Julho 7, 2022

Bufão do Planalto

Marcelo Brettas
Marcelo Brettas
Marcelo Brettas é jornalista, editor, romancista, cronista, contista e poeta. Já editou mais de mil publicações periódicas. Escreveu ainda para jornais e revistas de diversos países. Tem diversos livros publicados, sendo Tô Levitando e Florestas Imaginárias os mais recentes.

Tinha prometido pra mim mesmo que não voltaria a escrever e dar holofote a esse ser desprezível, que juntamente com a sua família de medíocres, está instalado na principal cadeira do poder em Brasília.

Esse cidadão é o tal que em uma entrevista concedida a uma emissora de TV em verões passados e que agora voltou a circular pelas redes sociais, basta pesquisar, garantiu que se vivesse na Alemanha nazista, na época de Hitler, engrossaria as suas fileiras e, nessa mesma entrevista, disse ainda que se orgulha do avô que perdeu um braço defendendo o exército nazista alemão. É o mesmo cidadão que já reverenciou torturadores, que defendeu o paredão de fuzilamento para os seus opositores, teve falas e ações racistas, homofóbicas, xenófobas, gordofóbicas… Ele vem agora se dizer contra a existência de um partido nazista (só no discurso, é claro), mas, apenas para aproveitar e pedir (como existe em projeto de seu filho Eduardo) a proibição também de partidos comunistas no Brasil, por serem, segundo ele, totalitários como o nazismo.

Antes de alguma ponderação vale lembrar que essa família, amiga das milícias e de todo e qualquer pensamento retrógrado, defende que qualquer um que se oponha a eles, em qualquer momento, seja STF, Moro, Globo, Joyce ou outro dissidente, logo será enquadrado como comunista e, no caso da aprovação desse projeto de lei de um dos filhinhos herdeiros, qualquer opositor será candidato à prisão ou extradição.

Como existem muitos cientistas políticos no mundo, não vou aqui justificar as claras diferenças entre o nazismo, que pregou e praticou a extinção do povo judeu, e o comunismo, que em sua raiz defende um estado forte e igualdade entre os povos. Não vou também fazer a defesa do comunismo e nem negar as atrocidades cometidas em diferentes fases, como no stalinismo, por exemplo, ou negar seus erros históricos. Mas, querer comparar uma ideologia ou um regime, qualquer que seja ele, com uma política e um ideário genocida como o nazismo, é uma aberração.

Criminosos em todos os regimes sempre existiram e devem ser punidos com rigor. Mas, defender a proibição do comunismo sob alegação de crimes cometidos, seria o mesmo que proibir as igrejas, referenciando as Cruzadas ou as tantas Guerras “Santas”. Seria acabar com as Monarquias pelas atrocidades cometidas em suas incursões expansionistas e pela sua responsabilidade na extinção de grande parte da população indígena. Talvez, devêssemos também proibir os regimes democráticos, pois em seu nome, entre tantos crimes, explodiram as bombas de Hiroshima e Nagasaki… E por aí vai.

Todos os limites já foram ultrapassados… e ainda resta um ano para que partam. Para sempre, espero!


Texto em português do Brasil

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