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Quinta-feira, Maio 26, 2022

Campanha contra a violência doméstica viraliza na internet em meio à pandemia

Marcos Aurélio Ruy, em São Paulo
Marcos Aurélio Ruy, em São Paulo
Jornalista, assessor do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo

O isolamento social causado pela pandemia do coronavírus tornou ainda mais difícil a vida das mulheres no Brasil. A violência doméstica que já é assustadora cresce ainda mais.

Mas as mulheres reagem e buscam soluções no enfrentamento ao machismo e ao ódio. “Em toda a história do Brasil, o patriarcado tem agido para submeter as mulheres”, afirma Celina Arêas, secretária da Mulher Trabalhadora da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

De acordo com ela, a luta por igualdade entre os sexos faz parte “da história de construção de um país livre, soberano, menos desigual e mais justo. Muitas mulheres enfrentaram com determinação as imposições do machismo e continuam enfrentando”.

Por isso, a CTB exibe nesta terça-feira (5), às 10h a Sala Virtual com o debate “Mulheres no Enfrentamento à Pandemia” sobre o que fazer para impedir o aumento de agressões no país.

A sindicalista mineira destaca ações da sociedade civil contra o crescimento da violência de gênero em meio à maior pandemia da história do país e do mundo. “Todos os dias mulheres são agredidas físicas e psicologicamente, são estupradas, assediadas e agora em quarentena esses crimes aumentam porque os homens descontam toda a sua raiva nas mulheres e o Estado permanece omisso”, por isso, “a nossa organização é essencial”.

Preocupada com o aumento de casos de violência doméstica no mundo, a Organização das Nações Unidas (ONU) cobra dos governos uma atuação mais efetiva ao combate a esse crime hediondo e propõe medidas de prevenção.





Por causa disso, três empresas de produtos de beleza (Avon, Natura e The Body Shop) criaram a campanha “Isoladas Sim, Sozinhas Não” para incentivar a organização e mobilização feminina, mesmo em meio ao confinamento.

Segundo as organizadoras, “a ideia é ajudar a criar uma rede de apoio entre vizinhos, amigos e familiares, oferecendo informações e ferramentas para que saibam como agir diante de um caso de violência”.

Para Celina, “ser mulher no Brasil é um desafio constante” ainda mais agora “com esse governo misógino, LGBTfóbico e racista”. Isso tudo acontecendo no quinto país mais violento contra a mulher e onde mais ocorre assassinatos de LGBTs.

Já Vanja Andréa Santos, presidenta da União Brasileira de Mulheres (UBM), em entrevista ao Roda de Conversa, do blog O Outro Lado a Notícia, diz que “esse crescimento exige medidas”, que o desgoverno de Jair Bolsonaro se recusa. Aliás, para ela, Bolsonaro incentiva a violência de gênero.

A feminista relata os cortes de verbas destinadas às políticas públicas de prevenção desses crimes e de atendimento às vítimas resultando em crescimento da violência e dos abusos que sofrem as mulheres e as meninas.

Assista Roda de Conversa, de O Outro Lado da Notícia

A campanha faz parte de um movimento global com a hashtag #IsoladasSimSozinhasNão.

Para Vânia Marques Pinto, secretária de Políticas Sociais da CTB, “precisamos estar mais unidas do que nunca e, mesmo isoladas, juntas formular meios de impedir a violência dentro de nossas casas. Todas juntas podemos muito mais”.

Levantamento do Ligue 180 – Central de Atendimento à Mulher – mostra que apenas nos primeiros dias do isolamento, houve um aumento de 9% no número de denúncias. Em uma semana, entre os dias 17 e 25 de março, foram 3.303 ligações recebidas e 978 denúncias de violência doméstica.

“Em confinamento, as mulheres têm ainda maiores dificuldades para registrar suas denúncias e sem apoio ficam sem saber como agir”, relata Gicélia Bitencourt, secretária da Mulher da CTB-SP. “Sem poder contar com os órgãos que deveriam agir, cabe ao movimento feminista encontrar os caminhos de coibir a violência e conseguir que as mulheres fiquem longe dos agressores”.

Além disso, “é fundamental o funcionamento de delegacias da mulher 24 horas também em plataformas virtuais, ampliar a atuação do Ministério Público e da rede de atendimento às vítimas”, reforça Celina.

Mas nada supera a mobilização das vizinhas e vizinhos para impedir a violência. “Em briga de marido e mulher se mete a colher sim para salvar vidas”, acentua Vânia.

Proteja-se e proteja suas vizinhas

Denuncie pelo Ligue 180, pelo Disque 100 ou telefone para o 190


Texto em português do Brasil


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