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Sexta-feira, Setembro 17, 2021

Cavaco Silva promete não desmaiar ao dar posse a António Costa

Cavaco Silva dará posse a António Costa contrariado. Não o escondeu durante as últimas semanas, notoriamente desagradado com a alternativa de Governo PS sustentada pelo apoio parlamentar do Bloco de Esquerda, PCP e PEV. Hoje, o Presidente da República não deverá sorrir muito na cerimónia mas espera-se que não desmaie como aconteceu em 1995 durante a tomada de posse de António Guterres como primeiro-ministro, também no Palácio da Ajuda.

Foi há 20 anos, a 28 de Outubro e nesse dia Cavaco Silva despedia-se de dez anos como primeiro-ministro, dando lugar ao socialista Guterres. A meio da cerimónia Cavaco desmaiou e foi levado em braços. Explicou depois que as últimas horas tinham sido “terríveis” devido a razões pessoais e que estava muito calor na sala cheia de convidados.

Precisamente 20 anos depois, Cavaco Silva está quase a despedir-se da presidência da República e as últimas horas também terão sido “terríveis”. Mesmo assim, Cavaco ainda teve tempo para provocar mais uma polémica. A cerimónia marcada para as 16h00 coincide com os trabalhos agendados no parlamento.

O presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues mostrou desagrado e os deputados do PS também não gostaram nada da coincidência, até porque muitos passam para o Governo. De Belém veio o esclarecimento a dizer que a data e hora foi acertada com António Costa, durante a última audiência.

Certo é que hoje o parlamento discute as medidas extraordinárias apresentadas pelo PS e a maior parte dos deputados socialistas não podem comparecer à posse do líder António Costa no Palácio da Ajuda.

Mário Soares e Jorge SampaioMas também não será esta a primeira vez que uma tomada de posse fica marcada com um incidente. Em 1996, Cavaco Silva não compareceu à tomada de posse de Jorge Sampaio como Presidente da República.

Em 2006 Mário Soares nem foi cumprimentar Cavaco Silva após a tomada de posse do novo presidente. Soares não escondeu o tédio e o semblante aborrecido durante a cerimónia. No final, trocou conversas com alguns amigos e quando olhou para a fila de personalidades já prontas para os cumprimentos a Cavaco, saiu porta fora atravessando a rua rumo à Fundação Mário Soares.

 

Santana Lopes troca papéis do discurso em 2004

Mais recentemente, em Julho de 2004, Pedro Santana Lopes, do PSD, quase desmaiou ao tomar posse como primeiro-ministro e também se queixou do calor. Ao discursar, Santana Lopes baralhou-se com os papéis, trocou as páginas, saltou frases, andou para a frente e para trás com o texto que tinha em mãos. O discurso atabalhoado prolongou-se por mais de 30 minutos.

Paulo PortasMas a cerimónia de posse de Santana Lopes não ficou por aqui. Quando o parceiro de governo Paulo Portas foi anunciado deu-se outra confusão. Paulo Portas não conseguiu esconder o espanto quando ouviu que não era só Ministro da Defesa, mas também dos Assuntos do Mar. Santana terá esquecido de o avisar e a expressão de Portas mostrou a surpresa que disfarçou com uma risada partilhada por Morais Sarmento.

E ainda antes da cerimónia o nome de Teresa Caeiro tinha sido avançado como secretária de Estado adjunta do ministro da Defesa e dos Antigos Combatentes, acabando por tomar posse como secretária de Estado das Artes e do Espectáculo.

 

Sócrates e Passos acabam com o calor e as filas do beija-mão

Com a chegada de José Sócrates ao governo, acabou-se a confusão e o calor. As trocas de cumprimentos entre os novos ministros e os cessantes passaram a ser mais rápidas e formais. Abriram-se salas laterais para convidados se instalarem com écrans de TV a transmitir a cerimónia e sessão de cumprimentos ao novo primeiro-ministro restringiu-se ao oficial, passando as saudações das personalidades convidadas a realizarem-se depois com mais tempo e menos calor.

Pedro Passos Coelho também optou por uma cerimónia menos complicada em 2011 e não se registaram incidentes. A cerimónia só ficou assinalada de forma invulgar no exterior com a cantoria da dupla de humoristas os “Homens da Luta”. Há menos de um mês, Passos Coelho tomou posse pelas 12h00, numa cerimónia singela que já soava também a despedida.

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