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Domingo, Fevereiro 25, 2024

Cem anos de Athos Bulcão, elegância à brasileira

Carolina Maria Ruy, em São Paulo
Carolina Maria Ruy, em São Paulo
Pesquisadora, coordenadora do Centro de Memória Sindical e jornalista do site Radio Peão Brasil. Escreveu o livro "O mundo do trabalho no cinema", editou o livro de fotos "Arte de Rua" e, em 2017, a revista sobre os 100 anos da Greve Geral de 1917

Nascido há 100 anos, em 2 de julho de 1918, no Rio de Janeiro, Athos Bulcão produziu uma arte que expressa um Brasil novo, urbano, autêntico e genuinamente elegante.Logo cedo, em 1939, Bulcão decidiu dedicar-se à arte, após abandonar no curso de medicina. Sua primeira exposição individual viria poucos anos depois, em 1944, na inauguração da sede do Instituto dos Arquitetos do Brasil. Reconhecido, ainda jovem, foi assistente do artista plástico Cândido Portinari na criação do famoso painel de São Francisco de Assis da Igreja da Pampulha, em Belo Horizonte. Depois disso viveu uns poucos anos em Paris, estudando com bolsa concedida pelo governo francês.

Na década de 1950 passou a trabalhar com o arquiteto Oscar Niemeyer, chegando a participar do projeto de construção de Brasília a partir de 1957. Suas obras em azulejo, concreto, madeira policromada e outras técnicas, que hoje ornam corredores do governo em Brasília, como o Salão Verde do Congresso Nacional, casam perfeitamente com a arquitetura modernista de Oscar Niemeyer. Bulcão resumiu o desafio de integrar arte e arquitetura com estas palavras: Artista eu era. Pioneiro eu fiz-me. Devo a Brasília esse sofrido privilégio. Realmente um privilégio: ser pioneiro. Dureza que gera espírito. Um prêmio moral”.

Marília Panitz, Mestre em Teoria e História da Arte pela Universidade de Brasília (UnB), vê a obra do artista como uma subversão e uma atualização do barroco mineiro. Em outras palavras, ela atribui à arte de Bulcão, apropriadamente, o papel de uma “leitura apropriativa da matriz europeia”. “As pinturas dos Carnavais e as Sacras – estranhamente tão próximas – trazem, nas formas simplificadas, uma luz dramática, de cores terrosas, um ambiente de certa aridez, presentes tanto em um Giotto quanto em um De Chirico, embora em intenso diálogo com os pintores populares brasileiros (como um Heitor dos Prazeres, talvez). Já seu namoro com o surrealismo se manifesta em suas fotomontagens, que ao mesmo tempo se aproximam das experiências fotográficas de Geraldo de Barros ou de Oiticica Filho”, afirma Panitiz em texto do catálogo oficial da Fundação Athos Bulcão.

Athos Bulcão faleceu aos 90 anos de idade no dia 30 de julho de 2008, no Hospital Sarah Kubitschek da Asa Sul em Brasília, devido a complicações de Parkinson.

Na cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos Rio 2016, Athos Bulcão foi homenageado durante a tradicional contagem regressiva. A cada segundo da contagem, voluntários formavam obras conhecidas do artista plástico.

Baixe aqui o Catálogo do Acervo da Fundação Athos Bulcão

 

Texto original em português do Brasil

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