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Sábado, Agosto 13, 2022

Chico Science e Nação Zumbi cantam: “A cidade”

João Carlos Gonçalves, Juruna, em São Paulo
João Carlos Gonçalves, Juruna, em São Paulo
Metalúrgico, sindicalista, Secretário Geral da Força Sindical, vice presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo.

A cidade é um local de disputa. Disputa de poder. As grandes cidades exprimem as maiores contradições do sistema capitalista. “O de cima sobe e o de baixo desce” enquanto a cidade cresce. Isso está claro.

Estava claro para o pernambucano Chico Science, que viu Recife e Olinda crescerem à sua frente. A partir da década de 1950 a expansão urbana levou ao enriquecimento de poucos e à ocupação desordenada nas periferias, onde muitos viviam – e vivem, trabalhando muito e ganhando pouco.

Em “A cidade”, Science se refere aos prédios que se erguiam (pedras evoluídas) com o trabalho de (pedreiros suicidas), aos coletivos, automóveis, motos e metrôs, trabalhadores, patrões, policiais, camelôs, mendigos ou ricos, e da segurança que garante a lei a ordem para que a cidade possa ser o centro das ambições. Das ambições do poder e do dinheiro.

O ano de 1993, quando a música foi gravada, foi um ano de recessão e desemprego, marcado pelo fim da Guerra Fria e pela sensação de vitória do neoliberalismo. Deste período de crise e de desemprego emergiu também uma nova onda cultural, o Manguebeat.

Um movimento crítico, mas mais irreverente e com mais influencias regionais do que a fase anterior do rock nacional, muito influenciada por bandas europeias. Chico Science foi o maior representante do Manguebeat, que teve também Mundo Livre S/A, Sheik Tosado, Mestre Ambrósio, DJ Dolores, Jorge Cabeleira entre outros. Ele morreu no auge da fama, em um acidente de carro, em 1997, com apenas 30 anos.

A cidade

Composição: Chico Science/1993
Intérprete: Chico Science e Nação Zumbi

O Sol nasce e ilumina as pedras evoluídas,
Que cresceram com a força de pedreiros suicidas.
Cavaleiros circulam vigiando as pessoas,
Não importa se são ruins, nem importa se são boas.

E a cidade se apresenta centro das ambições,
Para mendigos ou ricos, e outras armações.
Coletivos, automóveis, motos e metrôs,
Trabalhadores, patrões, policiais, camelôs.

A cidade não pára, a cidade só cresce
O de cima sobe e o de baixo desce.
A cidade não pára, a cidade só cresce
O de cima sobe e o de baixo desce.

A cidade se encontra prostituída,
Por aqueles que a usaram em busca de saída.
Ilusora de pessoas e outros lugares,
A cidade e sua fama vai além dos mares.

No meio da esperteza internacional,
A cidade até que não está tão mal.
E a situação sempre mais ou menos,
Sempre uns com mais e outros com menos.

A cidade não pára, a cidade só cresce
E de cima sobe e o de baixo desce.
A cidade não pára, a cidade só cresce
O de cima sobe e o de baixo desce.

Eu vou fazer uma embolada, um samba, um maracatu
Tudo bem envenenado, bom pra mim e bom pra tú.
Pra gente sair da lama e enfrentar os urubus. (haha)
Eu vou fazer uma embolada, um samba, um maracatu
Tudo bem envenenado, bom pra mim e bom pra tú.
Pra gente sair da lama e enfrentar os urubus. (ê)

Num dia de Sol, Recife acordou
Com a mesma fedentina do dia anterior

 


Texto em português do Brasil

Exclusivo Editorial Rádio Peão Brasil / Tornado

 

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