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Terça-feira, Outubro 4, 2022

Congressistas e personalidades dos EUA pedem que Biden reduza sanções a Cuba

Com o fim do incêndio de petróleo em Matanzas, três parlamentares democratas e personalidades escrevem a Joe Biden para ajudar a recuperação de Cuba.

Congressistas democratas dos Estados Unidos pediram ao presidente Joe Biden que ajude Cuba após um recente incêndio em tanques de petróleos e elimine “qualquer sanção relevante”, a fim de acelerar a resposta à catástrofe. Líderes políticos, intelectuais, cientistas, clérigos, artistas, músicos, e ativistas sociais norte-americanos também enviaram uma carta aberta ao presidente Joe Biden, para exigir o fim das sanções contra Cuba.

O incêndio começou na sexta-feira (5), após um relâmpago causar explosões em tanques com capacidade para armazenar 50 milhões de litros de combustível cada, localizados na base de superpetroleiros de Matanzas, no oeste da ilha. Nesta quinta-feira (10), com ajuda da China, do México e da Venezuela, bombeiros, especialistas e militares cubanos conseguiram debelar o incêndio e agora se concentram na recuperação da região.

Os parlamentares Gregory W. Meeks, Barbara Lee e Jim McGovern, presidentes do Comitê de Relações Exteriores, do Subcomitê de Apropriações da Câmara Baixa do Comitê de Regras, respectivamente, afirmaram em um comunicado, nesta quarta-feira (10), que estão “profundamente preocupados com o desastre humanitário” em Matanzas, cidade a 100 quilômetros de Havana e “a menos de 150 milhas de nossa fronteira”, o que corresponde a menos de 241 quilômetros de distância.

“Crises como esta exigem uma resposta urgente e importante dos países vizinhos”, declararam.

Os congressistas pedem que o governo “ofereça imediatamente a ajuda adequada para facilitar os esforços de resposta internacional”,

Cuba é um tema sensível na política interna dos Estados Unidos, que abriga uma importante comunidade de exilados cubanos, especialmente na Flórida.

A vulnerabilidade de Cuba é o resultado principalmente das políticas dos EUA direcionadas a “negar dinheiro e suprimentos a Cuba … para causar fome, desespero e derrubada do governo”. As palavras são as de um memorando do Departamento de Estado de 6 de abril de 1960.

Biden prometeu revisar a política em relação a Cuba, sob embargo americano desde 1962, quando assumiu o cargo, em janeiro de 2021. No entanto, endureceu o discurso após o resultado dos protestos antigovernamentais na ilha, em julho do ano passado.

Em maio, Biden anunciou que levantaria algumas das restrições impostas a Cuba durante o mandato de seu antecessor, Donald Trump, para facilitar procedimentos de imigração, transferências de dinheiro e voos.

Os parlamentares solicitam que o presidente vá mais longe e “suspenda qualquer sanção relevante para acelerar” a resposta ao incêndio e fornecer a ajuda humanitária “de que tanto necessitam as centenas de cidadãos cubanos afetados por esta crise, assim como aos muitos mais que enfrentam crises múltiplas e em cascata em Cuba”. Citaram a escassez de alimentos, energia e remédios.

Eles temem que os “esforços de recuperação necessários em Matanzas levem à beira do precipício uma Cuba já com poucos recursos”.

“Agora é o momento de deixar a política de lado e priorizar o compromisso humanitário, a proteção do meio ambiente e a cooperação regional”, concluíram.

Carta a Biden

“Agora, mais do que nunca, é hora de escrever uma nova página nas relações entre os Estados Unidos e Cuba. Fazemos um apelo público urgente”, dizem as personalidades na carta a Biden, “para que rejeite as políticas cruéis implementadas pela Casa Branca de Trump e mantidas até hoje, que já geraram tanto sofrimento ao povo cubano”, publicaram no site www.letcubalive.org.

“As sanções dos EUA estão alimentando os incêndios que assolam Cuba! Tem sido difícil ou impossível para as organizações norte-americanas fornecer ajuda, apesar das garantias da Embaixada dos EUA em Havana”, acrescentam.

Ressaltam que os EUA não têm nada a perder sendo um bom vizinho e levantando as 243 sanções que impedem Cuba de se recuperar deste trágico momento.

“Quando a casa do seu vizinho está pegando fogo, a reação humana normal é correr para a casa ao lado para ajudar. Para salvar vidas. Para extinguir as chamas. Cuba é nosso vizinho! É inconcebível, especialmente durante um trágico acidente, bloquear as remessas e o uso de instituições financeiras globais a favor de Cuba, já que o acesso a dólares é necessário para importar alimentos e remédios”, afirmaram.

“A administração Biden pode fazer mais do que oferecer assessoria técnica. Pode remover imediatamente Cuba da Lista de Estados Patrocinadores do Terrorismo”, exigiram.

Entre os assinantes do texto se encontram Roger Waters, Cornel West, Judith Butler, Noam Chomsky, Roxanne Dunbar-Ortiz, Jeremy Corbyn, Rev. Liz Theoharis, Seun Kuti, Vijay Prashad e ainda Gail Walker, Brian Becker, Cindy Weisner, Claudia De la Cruz, David Adler, David Harvey, Gabriel Rockhill, Gerald Horne, Gina Belafonte, Helen Yaffe, Jennifer Ponce De Leon, Jeremy Corbyn, Jia Hong, Jodie Evans, Manolo De Los Santos, Manu Karuka, Phillip Agnew, Robin D.G. Kelly, Ruth Wilson Gilmore, Salvatore Engel-Di Mauro, Seun Kuti e Yasemin Zahra.

As sanções

O fluxo de dinheiro para Cuba – empréstimos internacionais e receitas de exportação – tem sido fraco há muito tempo. Bancos internacionais, instituições financeiras e corporações que lidam com dólares em nome de Cuba correm o risco de grandes multas do Departamento do Tesouro dos EUA.

A legislação dos EUA impede Cuba de importar produtos de empresas multinacionais com filiais nos Estados Unidos – até alimentos e suprimentos médicos. Por quase 30 anos, os navios de países terceiros que atracam em Cuba foram proibidos de entrar em um porto dos EUA pelos seis meses seguintes. Desde 2019, o governo dos EUA sanciona navios venezuelanos que transportam petróleo para Cuba.

O governo dos EUA assedia a indústria do turismo de Cuba, fonte da maior parte da moeda estrangeira de Cuba. Restrições, reguladas de forma variável, operam contra as viagens de cidadãos americanos à ilha.

Para desencorajar potenciais investidores, a legislação norte-americana permite que os herdeiros de propriedades nacionalizadas em Cuba ajuizem ações judiciais nos tribunais norte-americanos contra os investidores que fazem uso de tais propriedades.

O comércio de Cuba com os Estados Unidos é nulo há 60 anos, exceto pelas exportações agrícolas cubanas fortemente regulamentadas. O vizinho do norte costumava ser o parceiro comercial mais conveniente de Cuba.


por Cézar Xavier |   Texto em português do Brasil

Exclusivo Editorial PV / Tornado

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