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Quarta-feira, Julho 6, 2022

“Cozinha da Casa de Manhufe”

Guilherme Antunes
Guilherme Antunes
Licenciado em História de Arte | UNL

amadeo

Amadeo é normalmente observado através da interpretação especialmente cultuada do artista, segundo Joana Cunha Leal, Profª de História de Arte. Refere a distinta académica que, tendendo a relegar as suas obras, que lhe sobrechegam, poderá ser desenvolvido, todavia, o ponto de vista favorável à autonomia do artista.

O pintor repudiou totalmente o ensino das Belas Artes, que frequentou por escassos meses. A vida foi-lhe madrasta, sendo rico irá morrer jovem. A primeira guerra mundial marca-o definitivamente de várias formas. Impede-o de sair de Portugal, onde se sente atrofiado, ao mesmo tempo que perde anos essenciais de exploração e (mais) aprendizagem do seu enorme talento.

Tem um ego do tamanho do mundo. Não se encanta com o belo, é o feio que prefere. Não quer pintar bem, antes opta por fazê-lo mal (são os modernistas). Detesta as regras academicistas, aplica contrastes simples que provocam distorções da arte, que a libertará das proporções.

Nesta pintura podemos, facilmente, observar um certo cubismo sobre um espaço liberto, ao arrepio das convenções impostas, professoralmente, nos escuros gabinetes dos mestres parados no tempo.

Esta cozinha exibe uma ilusória perspectiva que lhe confere grandeza territorial numa variedade de espaços a que o cromatismo conseguido não é alheio.

Nota da Edição

amadeo-fotoAmadeo de Souza Cardoso (1887-1918)

Frequentou a Academia de Belas Artes de Lisboa em 1905, tentando seguir o curso de Arquitectura que interrompeu para partir para Paris, em 1906, instalando-se, então, em Montparnasse.

Frequentou ateliers preparatórios para o concurso de admissão às Beaux-Arts parisienses, ainda, com destino a Arquitectura, vindo, no entanto, a dedicar-se exclusivamente à Pintura, tendo frequentado a Academia Viti do pintor espanhol Anglada Camarasa. Nesta primeira época realizou várias caricaturas e algumas pinturas marcadas por aspectos naturalistas e impressionistas.

Em 1910 fez uma estadia de alguns meses em Bruxelas e em 1911 expôs trabalhos no Salon des Indépendants, em Paris, aproximando-se progressivamente das vanguardas e de artistas como Modigliani, Brancusi, Archipenko, Juan Gris, Robert e Sonia Delaunay.

Em 1912 publicou o álbum XX Dessins e expôs no Salon des Indépendants e no Salon d’Automne. Em 1913 tomou parte, com oito trabalhos, nos Estados Unidos da América, no Armory Show, aí restando algumas das obras expostas, hoje patentes ao público nos museus americanos. Nesse ano participou ainda no Herbstsalon da Galeria Der Sturm, em Berlim.

Em 1914 encontrou-se em Barcelona com Gaudi, parte para Madrid onde é surpreendido pela guerra. Regressou a Portugal, instalando-se em Manhufe.

Pintou com grande constância, refez algumas obras no seu atelier da Casa do Ribeiro, cultivou a amizade com Eduardo Viana, Almada Negreiros e os Delaunay (que então se instalaram em Vila do Conde).

Em 1916 expõe no Porto 114 obras com o título Abstraccionismo que serão também expostas em Lisboa, num e noutro caso com novidade e algum escândalo.

Fonte: Museu Municipal Amadeo Souza Cardoso

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