Diário
Director

Independente
João de Sousa

Sábado, Setembro 18, 2021

Daniel Filipe

Helena Pato
Antifascistas da Resistência

(1925 – 1964)

Combatente contra a ditadura de Salazar, perseguido e torturado pela PIDE, é um poeta nascido em Cabo Verde e que faz parte da história da Literatura Portuguesa do século XX. Nem portugueses, nem cabo-verdianos prescindem da memória de Daniel Filipe – ela pertence aos dois países irmãos: a Cabo Verde porque ali nasceu, a Portugal porque aqui viveu, sofreu, amou e escreveu a sua poesia, de enorme grandeza.

Daniel Damásio Ascensão Filipe nasceu em Cabo Verde, Ilha da Boavista, em 11 de Dezembro de 1925 e morreu em Lisboa, a 6 de Abril de 1964. Chegou a Boavista ainda criança – com cerca de 2 anos de idade – levado pelo pai, aí deportado, o Coronel médico, Gonçalo Monteiro Filipe. A mãe, Rita Maria Ascensão, era natural da ilha das Dunas.

Activista cultural e político

Veio para Portugal ainda criança, onde acabaria por concluir o Curso Geral dos Liceus. Foi co-director dos cadernos “Notícias do Bloqueio”, colaborador assíduo da revista “Távola Redonda” e do jornal Diário Ilustrado (1956). Foi também realizador, na Emissora Nacional, do programa literário “Voz do Império”. Trabalhou na extinta Agência-Geral do Ultramar e na área jornalística. Grande parte da poesia de Daniel Filipe destaca-se pelo combate ideológico e pelo comprometimento social.

Além dos livros que nos deixou, foi um activista cultural e político. Cordial, amistoso, grande contador de histórias, depressa se relacionou com o grupo de escritores antifascistas Egito Gonçalves, Papiniano Carlos, Luís Veiga Leitão e outros. Com este grupo ajudou a criar as «Notícias do Bloqueio», título de um poema de Egito Gonçalves e de uma série de nove fascículos de poesia, publicados no Porto entre 1957 e 1961. A PIDE prendeu-o porque animação cultural, para o regime de Salazar, significava agitação social, mas também por outras actividades antifascistas, e sabe-se que foi torturado.

«Invenção do Amor»

Morreu em Lisboa, muito novo, aos 39 anos, mas deixou uma obra consistente marcada por sentimentos de solidão e exílio. Estreou-se em livro no ano de 1946 com “Missiva” e ficou conhecido sobretudo pela «Invenção do Amor», um poema muito declamado nos anos 60 do século XX – ainda que sob censura e ameaças da polícia política – em saraus poéticos e em manifestações nas Universidades portuguesas e nos teatros de intervenção. Foi realmente um dos poemas ícones de protesto contra o regime salazarista.

Para além desse emblemático poema que marcou uma época, e que foi publicado pela primeira vez em 1961, sob forma de opúsculo, Daniel Filipe, deixou extensa e densa obra.

Obteve o Prémio Camilo Pessanha pelo livro “a Ilha e a solidão” (escrito sob o pseudónimo de Raymundo Soares), no ano de 1957.

  • Missiva (1946)
  • Marinheiro em Terra (1949)
  • O Viageiro Solitário (1951)
  • Recado para a Amiga Distante (1956)
  • A Ilha e a Solidão (1957)
  • O Manuscrito na Garrafa (romance, 1960 – censurado pela PIDE)
  • A Invenção do Amor (1961)
  • Pátria, Lugar de Exílio (1963)

Censura – em 12 de Outubro de 1960:

“O Manuscrito na Garrafa” de Daniel Filipe

Carta do actor e realizador Jacinto Ramos (1917 – 2004) a Daniel Filipe

1964 – Luis Cília – “Meu país”

Poema do seu grande amigo e poeta, Daniel Filipe

Dados biográficos:

Receba regularmente a nossa newsletter

Contorne a censura subscrevendo a Newsletter do Jornal Tornado. Oferecemos-lhe ângulos de visão e análise que não encontrará disponíveis na imprensa mainstream.

Receba a nossa newsletter

Contorne o cinzentismo dominante subscrevendo a nossa Newsletter. Oferecemos-lhe ângulos de visão e análise que não encontrará disponíveis na imprensa mainstream.

- Publicidade -

Outros artigos

- Publicidade -

Últimas notícias

Mais lidos

- Publicidade -