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João de Sousa

Quinta-feira, Janeiro 20, 2022

Das sondagens

J. A. Nunes Carneiro, no Porto
Consultor e Formador

DIA 15, FALAMOS

A época de eleições é pródiga na atenção especial que é dada às sondagens e aos seus prognósticos. Nunca percebi bem porquê este interesse, sobretudo depois de várias sondagens terem errado nas previsões.

Neste mundo, há dois tipos de sondagens principais: as sondagens realizadas para serem utilizadas pelos meios de comunicação social; e as sondagens (mais reservadas e inacessíveis ao comum dos eleitores) realizadas para serem estudadas pelas equipas de marketing e estratégia das diversas candidaturas.

Mas, seja qual for o cliente que encomendou a sondagem, são realizadas por empresas especializadas e, por vezes, respaldadas pelo prestígio de uma universidade que assume a sua participação na sua realização e na sistematização da informação. De qualquer modo, espera-se que sejam sempre usados métodos científicos e minimamente testados que permitam olhar para os resultados, sejam eles quais forem, com alguma confiança.

As sondagens têm, salvo raras excepções, acertado na ordenação dos candidatos na preferência dos eleitores sondados. Mais difícil tem sido a tentativa de quantificar em percentagens os resultados. Pior ainda se estivermos a falar dos supostos resultados dos partidos mais pequenos ou dos candidatos menos mediáticos.

Devemos, por tudo isto, ignorar as sondagens? Penso que não. Temos é de relativizar a sua importância e ler com cuidado os sinais que elas vão aportando ao debate. Depois, convém ter consciência de que ainda hoje não estão estudados os efeitos que os resultados das sondagens têm, efectivamente, nas intenções concretas de votos dos eleitores reais.

Será que, se o meu partido tiver uma previsão acima da média, eu não vou votar por achar que a vitória está garantida? Ou, se o meu partido estiver próximo do seu mais directo adversário, vou ser incentivado para não falhar e irei votar de certeza.

Terreno ainda mais escorregadio: o que significa, numa sondagem, estar “indeciso”? Se temos, para só referir os partidos com assento parlamentar, oito partidos, o que quero eu dizer quando digo que estou indeciso: que não sei se vou votar? Que vou votar, mas não sei em qual dos 8 partidos? Que vou votar e a minha indecisão já não oscila entre oito partidos mas sim entre o partido A ou B? (E as respostas podem variar quase infinitamente…)  Muitas vezes, podemos ainda votar em branco, depois de estarmos indecisos e nenhuma das candidaturas nos ter convencido. Outras vezes, votaríamos em branco mas não achamos que valha sequer a pena perder tempo em ir votar. (E as situações podem  também variar quase infinitamente…).

Portanto, quanto maior é o número de indecisos existir, maior a probabilidade de erro.

Finalmente, outro factor que condiciona e muito: a resposta à sondagem não garantir a confidencialidade do voto (por exemplo, as sondagens feitas por telefone). O único método que devia ser válido é o do voto em urna em que o eleitor “vota” de forma secreta numa urna simulando o acto eleitoral.

Perante este cenário menos esclarecedor, só nos resta ver, ouvir, ler e analisar as diversas formas de comunicação dos diversos partidos. Avaliar a sua coerência e consistência. Validar com base nas práticas políticas em períodos anteriores qual foi o partido que, de forma coerente, fez o que prometeu. Analisar com detalhe as propostas (quantas pessoas lerão os programas eleitorais?…) e conferir se essas medidas contribuem ou não para ajudar a construir o país que quero, por exemplo, em matérias cruciais como a educação, a saúde e a justiça. E, já agora, a cultura.

Mas votar sempre. É um dos nossos mais importantes direitos que conquistámos com o 25 de Abril. Não o devemos desperdiçar. Como se dizia em 1974/75: o voto é uma arma.

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