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João de Sousa

Domingo, Julho 14, 2024

Divisões internas entre republicanos favorecem recuperação de Biden

Influência de Donald Trump é sentida e favorece agenda conservadora de Joe Biden rumo a uma reeleição e recuperação de eleitor moderado.

O Partido Republicano tem exposto suas fraturas internas, em vez da tradicional unidade sólida em seus propósitos de proteger os ricos dos impostos, impedir a aprovação de novos programas e direitos sociais, e estimular a disseminação de armas em sua população e nas guerras pelo mundo.

Para os democratas, a discórdia republicana representa uma oportunidade de capitalização. Biden acumulou vitórias bipartidárias significativas em infraestrutura, segurança de armas e fabricação de semicondutores, e avançou em prioridades progressistas como assistência médica e gastos com energia verde. O sucesso inesperado de seu partido nas eleições intermediárias também lhe deu algum espaço de manobra política.

Recuperar o espaço perdido

Mas ele também tem se posicionado de forma marcante, em direção ao centro, criando uma distinção entre sua posição e a da esquerda progressista. Na semana passada, anunciou que não vetaria uma legislação republicanos que aponta para um endurecimento contra o crime. Sobre a imigração, a Casa Branca irritou os ativistas da imigração ao permanecer aberta à reinstituição de algumas das políticas da era Trump que eles condenaram – incluindo a detenção de famílias migrantes que cruzam a fronteira ilegalmente. Biden voltou atrás até em promessas ambientais de sua campanha de 2020. Analistas dizem que o objetivo é recuperar terreno perdido pelos Democratas para a direita.

Biden tem alardeado quantos empregos para trabalhadores sem qualificação tem criado. Um foco no trabalho braçal que o distingue de outros democratas e o aproxima de uma mentalidade republicana, do operariado que foi desmontado em anos de desindustrialização.

São atitudes que vão se acumulando e acuando os republicanos em relação ao que farão para as próximas eleições. Por enquanto, estão focados em causar escândalo com a contabilidade do filho de Biden, farão guerra cultural contra a adoção de terminologia politicamente correta do governo e procurarão erros na relação de Biden com a defesa da Ucrânia contra os russos.

Se Biden vai propor políticas econômicas populares, até mesmo populistas, como gastos com infraestrutura e redução de “taxas inúteis”, o Partido Republicano deve priorizar um programa menos artificial e mais pragmático e criativo rumo à garantia de segurança econômica e moral para a família americana.

Na Flórida, o governador Ron DeSantis (visto como principal substituto de Trump) propôs eliminar os impostos sobre vendas de suprimentos para bebês (fraldas, lenços umedecidos e carrinhos), e estados com legislaturas republicanas, como Texas e Geórgia , estão contemplando projetos de lei semelhantes. Não basta apenas criticar a agenda de Biden, mas partir para a ofensiva programática.

O mergulho no trumpismo

Aparentemente, o divisionismo provocado por Donald Trump e suas fake news, mergulhou o partido numa crise que se expressa nas dificuldades para definir quem será o líder do partido, dificuldades de reunir apoio majoritário em convenções internas, discursos na imprensa que se contradizem, guerra jurídica entre os próprios correligionários e incapacidade de pactuar plataformas programáticas e até valores partidários.

O ponto forte dos republicanos sempre foi sua capacidade de trabalhar em conjunto, capaz de concessões internas para garantir que a ordem continue a mesma para as elites. A esquerda tem dificuldades para abrir mão de valores, a fim de algum ganho para os trabalhadores.

Enquanto isso, a direita reúne muitos eleitores que só se preocupam com uma única questão, geralmente alguma cortina de fumaça criada pelos dirigentes republicanos, como temas religiosos ou teorias da conspiração contra a América.

Na esteira da derrota de Donald Trump nas eleições e do desempenho inferior ao previsto da legenda nas midterms passadas (as eleições de meio de mandato), há brigas internas em torno de como proceder.

Republicanos moderados e da linha-dura estão se enfrentando com cada vez mais frequência por motivos relativamente fúteis, como a validade das eleições, regras das primárias a plataformas básicas. E o enfrentamento não é figura de linguagem, mas uso da força e de armas para impedir que moderados frequentem reuniões com a extrema direita.

Desavenças perigosas que apontam para a força do negacionismo eleitoral e do próprio Donald Trump dentro do partido. O fato de o ex-presidente estar buscando a reeleição é um reflexo não apenas de seu narcisismo e da devoção iludida de seus seguidores, mas também do fracasso de proeminentes republicanos em excluí-lo.

Ser ou não ser Trump

O exemplo brasileiro frequentemente é usado para demonstrar como a política americana agiu mal no caso da invasão do Capitólio. Enquanto Bolsonaro e seus apoiadores são isolados, investigados e presos, nos EUA, republicanos que atacaram Trump após o 6 de janeiro de 2022, depois se ajoelharam em sua defesa.

Foi o caso do presidente da Câmara, Kevin McCarthy, que disse que Trump “tem a responsabilidade” pelo ataque ao Congresso, descreveu o ataque como “antidemocrático, antiamericano e criminoso” e recomendaria que o ex-presidente renunciasse. Depois acusou o The New York Times de reportagens “falsas e errôneas” ao divulgar esse fato, que foi desmentido por exposição da gravação das conversas.

Não durou muito até que o republicano da Califórnia fizesse a peregrinação à mansão de Trump em Mar-a-Lago (Florida), onde numa “conversa cordial”, ele e Trump discutiram a campanha para recuperar o controle da Câmara. Depois, McCarthy forneceu à Fox News, 41.000 horas do vídeo de segurança de 6 de janeiro defender o 6 de janeiro como um evento predominantemente turístico e pacífico. Trump agradeceu ao trabalho da Fox News e pediu a libertação daqueles que foram condenados ou se declararam culpados das acusações do ataque. Se reeleito, prometeu até que poderia perdoar alguns réus de 6 de janeiro.

Mas, à medida que a campanha de 2024 se aproxima, os republicanos mais influentes têm a batata quente na mão de reconhecer e agir para que Trump deixe de empunhar a bandeira do partido. Apesar do que seus apoiadores possam acreditar, Trump perdeu a eleição de 2020, mentiu para milhões e tentou subverter o processo eleitoral constitucional.


por Cezar Xavier | Texto em português do Brasil

Exclusivo Editorial PV / Tornado

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