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Sexta-feira, Dezembro 9, 2022

Emprego no combate às alterações climáticas

empregos climáticos

A Campanha dos Empregos Climáticos começou a ser divulgada em Outubro de 2015, mas só é lançada oficialmente a 1 de Maio, tendo como objectivo combater o desemprego, pela criação de postos de trabalho no combate às alterações climáticas.

A campanha, que chega agora a Portugal, já foi lançada na África do Sul, Canadá, EUA, Filipinas, Maurícias, Noruega e Reino Unido, tendo de ser adaptada à realidade do respectivo país.

A organização já lançou debates sobre a questão no ISEG – Instituto Superior de Economia e Gestão -, no CES – Centro de Estudos Sociais – e no espaço associativo MOB, onde marcou presença o ex-secretário de Estado, João Ferrão.

Entretanto, a Climáximo tem estabelecido contactos e reuniões com alguns sindicatos, que têm mostrado interesse em apoiar a iniciativa e ajudá-la a crescer.

“Portugal tem de reduzir as suas emissões em 60 por cento até 2030 e tem uma taxa de desemprego muito elevada, por isso, criar estes empregos é imprescindível”, explicou ao TORNADO, Carla Prino, membro da direcção dos Precários Inflexíveis.

 

Projecto depende da vontade política de cada país

A ideia é que os postos de trabalho sejam geridos e financiados pelo Estado português, “o principal responsável em promover a execução de políticas de pleno emprego e assegurar o direito ao ambiente, através da prevenção e do controlo da poluição, como estatuem os artigos 58º e 66º da Constituição da República Portuguesa”, adianta Carla Prino.

A criação dos postos de trabalho está, por isso, dependente da vontade política de cada país onde a campanha é lançada. “Os estágios do IEFP são incentivos à contratação pagos pelos contribuintes e são usados de forma abusiva por multinacionais como a Sonae, Nestlé ou BNP Paribas, conhecidas pelos seus lucros”, acusa a responsável. Além disso, continua, “desde 2007, que a ajuda pública ao sector financeiro equivale a 7,3 por cento do PIB e a um ano de receita de IVA”.

Ou seja, dinheiro que podia ter sido canalizado para iniciativas de valor, como a Campanha dos Empregos Climáticos. “O professor João Ferrão defendia, em 2009, enquanto secretário de Estado do Ordenamento do Território, que o Estado devia actualizar o seu cadastro territorial, o que levaria mais de uma década a executar e custaria perto de mil milhões de euros, mas criaria 3700 empregos qualificados e geraria uma riqueza avaliada em 4000 milhões de euros”, explica Carla Prino.

 

“Dinheiro existe, mas está mal distribuído”

“Isto, porque o Estado perde centenas de milhões de euros, todos os anos, em receita fiscal, pela simples razão de que não sabe a quem cobrar, por isso, não vale dizer que não há dinheiro”, avança. “Ele existe, mas está mal distribuído e esta campanha é a oportunidade de que precisamos para restabelecer prioridades, voltar a salvaguardar o interesse público e combater as alterações climáticas”, defende a responsável.

Cativados os sindicatos, os próximos passos são o contacto com outras entidades estatais com vista a aumentar a visibilidade da campanha.

Embora não haja ainda objectivos quantificados em relação a Portugal, a campanha defende ser urgente criar 150 milhões de novos empregos em todo o mundo, para garantir que o planeta continua a ser habitável.

“Quando falamos em empregos climáticos, falamos de empregos com impacto directo na redução de emissões de gases de efeito de estufa e no desacelerar das alterações climáticas: empregos relacionados com as energias renováveis, no sector dos transportes públicos ou no sector da readaptação dos edifícios e da indústria, para que se tornem mais sustentáveis ambientalmente”, defende Carla Prino.

Embora não tenha ainda resultados concretos, a campanha tem conseguido o envolvimento do meio académico e sindical nos países onde tem sido lançada. No Reino Unido, foi dado um passo decisivo, com a sua integração no programa do novo líder trabalhista, Jeremy Corbyn.

Em Portugal, a luta começa já daqui a poucas semanas.

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