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Terça-feira, Outubro 26, 2021

Emprego operário ainda resiste à inteligência artificial

Para Kai-Fu Lee, trabalho nas fábricas tem resistido mais à inteligência artificial do que o emprego no escritório.

Americano de origem taiwanesa, Kai-Fu Lee é o cientista pioneiro nos sistemas de reconhecimento de voz e no uso comercial da inteligência artificial (IA). Já desenvolveu produtos para Apple, Microsoft e Google, mas deixou os EUA há dez anos para atuar na China. Como CEO da Sinovation Ventures, empresa fomentadora de startups, busca reproduzir em Pequim o cenário de inovação que hoje só existe no Vale do Silício.

Lee esteve nesta semana no Brasil dando palestras e autografando seu novo livro Inteligência Artificial (Editora Globo). Em entrevista ao jornal O Globo, ao comentar os “estágios iniciais” das mudanças que a IA provocará nas profissões, sustentou que o trabalho nas fábricas tem resistido mais do que o previsto. Por ora, o setor secundário (basicamente, a indústria) sofre impactos mais lentamente do que o setor terciário (comércio e serviços em geral).

“Estamos vendo os empregos de escritório serem afetados antes dos operários”, comparou o especialista. Ele deu o exemplo da tecnologia RPA (processamento robótico automático), que “afeta trabalhos de rotina em escritórios administrativos, pessoas que arrastam arquivos, copiam coisas, mandam e-mails, pedem aprovações”. Segundo Lee, “tudo isso a IA pode aprender a fazer melhor que pessoas e, em algum momento, substituirá parte do trabalho dessas pessoas”.

O fenómeno não é “específico da China” e aponta para uma realidade: “As pessoas imaginam robôs tomando o lugar dos operários que fabricam coisas na China – e isso vai acontecer também. Mas os trabalhos de escritório vão ter mudanças mais rápidas”.

De acordo com Lee, a IA também altera o cenário de negócios do planeta nos próximos anos, em benefício da China. “Queremos sempre comprar o melhor produto que existe sem nos preocuparmos muito com o lugar onde ele foi feito”, analisa. “Veja os telefones da Huawei ou da Xiaomi. Eu os considero basicamente comparáveis aos telefones da Apple. Muitas das funcionalidades dos telefones mais recentes da Apple apareceram antes em celulares chineses.”

Além disso, só agora os chineses começam a levar a outros países esses produtos com alto valor agregado.

A China emergiu da condição de país pobre, historicamente sem influência, mas essa influência está aumentando drasticamente. Os empresários chineses, até agora, se voltaram muito ao mercado chinês, não tanto em exportar. Mas mais empreendedores estão olhando para fora.”


Texto original em português do Brasil

Exclusivo Editorial PV (Sindicato dos Metalúrgicos de Betim) / Tornado

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