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Terça-feira, Junho 22, 2021

Estudo da Abrasco revela o agravamento dos efeitos dos agrotóxicos na pandemia

Marcos Aurélio Ruy, em São Paulo
Jornalista, assessor do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo

Associação Brasileira de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (Abrasco) lançou, na quinta-feira (27 de maio), o estudo Agronegócio e pandemia no Brasil: uma sindemia está agravando a pandemia de Covid-19? O estudo teve apoio da rede global sobre alimentos saudáveis, IPEN.

O documento mostra que a precariedade das condições de trabalho no campo e a utilização excessiva de agrotóxicos agravam a contaminação pela covid-19 entre as trabalhadoras e trabalhadores do campo, seus familiares e entre os moradores nas proximidades.

“Isto é porque o uso de agrotóxicos nos alimentos afeta o sistema imunológico, enquanto o consumo de ultraprocessados intensifica doenças e agravos não transmissíveis”, informam os pesquisadores.

Como se sabe, diz Maria Aires Oliveira Nascimento, secretária-adjunta da Mulher Trabalhadora da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e dirigente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de Sergipe (Fetase), “comorbidades, obesidade e diversas doenças crônicas fazem parte dos grupos de risco da covid” e “o agronegócio usa pesticidas e tem um modelo de produção que acaba por promover a comercialização de alimentos nada saudáveis, favorecendo a doença”.

Conheça o documento Agronegócio e pandemia no Brasil: uma sindemia está agravando a pandemia de Covid-19?

As condições estão dadas, “principalmente no atual governo para a degradação, ao aumento da pobreza, da fome e da violência no campo”, argumenta Aires. O presidente Jair Bolsonaro já liberou o uso de mais de mil agrotóxicos em pouco mais de 2 anos de governo, boa parte deles proibidos em países do Primeiro Mundo.

“O acesso inadequado à terra pela posse precária e a produção agrária extrativista e químico-dependentes são fatores que contribuem para a degradação das terras, destruição de florestas e da biodiversidade, bem como aumento da pobreza, violência e êxodo rural”, diz o documento.

A publicação acentua ainda que a “desregulamentação nas áreas de saúde, trabalho e ambiente, ampliando as possibilidades de exposição aos agrotóxicos e má nutrição”, além do “desmonte das estruturas de fiscalização sanitária e ambiental, o desmantelamento contínuo dos serviços de saúde, incluindo prevenção e assistência” e a “carga crescente e duradoura de doenças crônicas” geram “uma interação sindêmica com a covid-19”.

Para Elgiane Lago, secretária de Saúde do Trabalhador da CTB, “o modelo de produção agrícola no país precisa ser repensado com valorização da agricultura familiar para abastecer o mercado interno e também para a exportação”.

Vânia Marques Pinto, secretária de Políticas Sociais da CTB e de Políticas Agrícolas da Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares (Contag), lembra que 45% das terras estão nas mãos de apenas 1% da população.

Essa concentração prejudica a produção, especialmente porque o agronegócio visa somente a exportação e degrada o meio ambiente com queimadas, desmatamento e excesso de agrotóxicos na produção, assim o alimento na mesa dos brasileiros chega contaminado.

 


Texto em português do Brasil

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