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Quinta-feira, Julho 7, 2022

Exposição online retrata a exploração desumana do trabalho escravo contemporâneo no Brasil

Marcos Aurélio Ruy, em São Paulo
Marcos Aurélio Ruy, em São Paulo
Jornalista, assessor do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo

A exposição Escravidão Contemporânea: Esperança de Regresso, da escultora carioca Aline Matheus, está em cartaz na internet desde 25 de março. O trabalho de Aline consegue traduzir a dor de trabalhadoras e trabalhadores escravizados. Vale muito conferir.

Principalmente porque, de acordo com a Subsecretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), ligada ao Ministério da Economia, somente em maio deste ano foram resgatados 314 trabalhadores em condições análogas à escravidão em 37 empresas autuadas entre 72 ações da fiscalização.

Ainda, segundo a SIT, entre 1995 e 2020 foram libertados 55.004 trabalhadores em condições de trabalho subumanas. “A situação é extremamente grave, ainda mais com o atual governo enfraquecendo a fiscalização e defendendo a impunidade das empresas que exploram o trabalho escravo”, afirma Ivânia Pereira, vice-presidenta da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).


A exposição pode ser acompanhada:


Com base em relatos de auditores fiscais, trabalhadores resgatados e pesquisa da história da escravidão no país, Aline expõe suas esculturas com uma força incrível para protestar contra essa forma de exploração do trabalho. “Artistas voltados para o combate ao trabalho escravo acabam por fortalecer a nossa luta pela erradicação dessa prática e a punição rigorosa de empresários e fazendeiros que a utilizem”, reforça Ivânia.

Para Aline, “a arte é mobilizadora de afetos e transformadora da realidade”. Ao manter contato com suas esculturas observa-se claramente essa vontade de usar a denúncia como mobilizadora para pôr fim à exploração do trabalho escravo, cuja perversidade insiste em permanecer no Brasil e em diversos países.

“Fazer a sociedade compreender a importância de se acabar com o trabalho escravo é função do movimento sindical e de todos os movimentos que acreditam na construção de outro mundo, melhor, menos desigual e mais justo”, conclui Ivânia.

Assista filme sobre a exposição

Para tanto, a ONG Repórter Brasil criou o Guia Rápido para Jornalistas sobre Trabalho Escravo com várias dicas de como realizar reportagens com esse tema. Também se torna essencial a denúncia com a liberação da lista suja do trabalho escravo, que traz as empresas que praticam essa exploração desumana de trabalhadoras e trabalhadores (STF libera Lista Suja do trabalho escravo e Bolsonaro reduz verba da fiscalização).

 


Texto em português do Brasil

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