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João de Sousa

Sábado, Outubro 23, 2021

Ganhou o “sabonete” contra a esquerda confusa

João Vasco AlmeidaO falecido Emídio Rangel, director e fundador da TSF e, depois, da SIC, disse isto:  “Uma estação que tem 50 por cento de share vende tudo, até o Presidente da República! Vende aos bocados: um bocado de Presidente da República para aqui, outro bocado para acoli, outro bocado para acolá, vende tudo! Vende sabonetes!” A frase está no documentário “Esta Televisão é a Vossa”, realizado por Mariana Otero para o canal ARTE, em 1997.

Marcelo ganhou e a teoria do sabonete venceu, sem que Rangel a visse em prática. Não se espantaria. Rebelo de Sousa não é um sabonete, é um político sábio, que se impôs contra a a direcção do PSD e arrebatou o centrão (esse que dizem ter desaparecido) e todo o seu eleitorado natural. Mais os clientes de sabonetes, que existem em todos os partidos e fora deles.

No entanto, a eleição de Marcelo deve tudo à forma como, durante anos, se vendeu aos bocados. Aliás, Rangel é o inventor desta segunda vida de Rebelo de Sousa, pois foi ele quem o convidou para fazer o programa “Exame” na TSF, onde o ora eleito Presidente começou a sua longa carreira mediática. Dali saltou para a TVI e para a RTP e só parou em Belém.

Marcelo
Marcelo Rebelo de Sousa

A “Esquerda” portuguesa pensa que ganhou qualquer coisa. António Costa está feliz, pois prefere um político que fale o seu código em Belém a ter que aturar um professor universitário que quer mudar o mundo. O Bloco salta com dez por cento como outrora o falecido PCP saltava. Victorino Silva está feliz porque  voa dos 700 votos que tinha em Rans para 8212 votos no concelho de Penafiel – fica em segundo lugar (em casa), o que o lança para a Câmara, se quiser, em 2017. Por fim, Maria de Belém está feliz e não está. Ela, que pensava ser a substituta natural de António Guterres, percebeu que vale quatro por cento nas urnas. O eleitorado não a rejeitou. Rejeitou a estranha composição alquímica de Alegre, Vera Jardim e Almeida Santos.Isto, a que podemos chamar o “efeito Vasco Lourenço”, aliás, deu-se com Belém e, fatalmente, com Nóvoa, mal Lourenço apareceu a apoiá-lo.

Para acabar: é injusta a votação em Henrique Neto. O resultado deste candidato indica que não haverá nenhum Corbyn ou Sanders por estas paragem nos próximos tempos. Paulo Morais teve mais do que merecia. Sequeira está em maus lençóis: para homem da motivação, lixou-se, que poucos se motivaram.

Ao médico que se queixa e levanta atoardas, contratem-no para um programa no Porto Canal com o Arroja e o Sequeira. Uma Quadratura do Circulo do preconceito. Era audiência garantida – e três sabonetes que nunca se sabe onde acabarão…

 

 

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